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Empatia desde a infância: crianças mostram que fazer o bem é sempre o melhor presente

Perto de comemorar mais um Dia das Crianças, garotada compartilha lições de solidariedade para os adultos 09/10/2016 às 05:00
Show maria clara cabelos
Maria Clara, 5, cortou os cabelos para doar ao 'Lar das Marias', que acolhe mulheres com câncer (Fotos: Arquivo Pessoal e Aguilar Abecassis)
Laynna Feitoza e Natália Caplan Manaus

No filme “A Corrente do Bem” (Pay It Forward, 2000), o pequeno Trevor (Haley Joel Osment), de 11 anos, criou um sistema de ajuda ao próximo que consiste em retribuir a três pessoas diferentes cada favor recebido. O que seria apenas um trabalho de Estudos Sociais ganhou dimensões inimagináveis e afetou a vida de desconhecidos e da própria família.

Porém, a premissa de transformação vai além do filme e atinge a vida de algumas crianças da capital amazonense que, desde pequenas, conhecem o valor da solidariedade e empatia, e, ao invés de só receberem presentes nas datas comemorativas - o Dia das Crianças, comemorado no dia 12, é um exemplo - elas presenteiam aqueles que as cercam com muito mais do que podem ter. E ser.

Adriane ensina Loriny, de 6 anos, e Alice, de 7 meses a serem solidárias (Foto: Aguilar Abecassis)

Desde 2013 a universitária Adriane de Paula, 30, caminha ao lado da filha Loriny, de 6 anos, no que diz respeito à doação de brinquedos para as crianças que precisam. “Começou primeiro com o descarte de brinquedos que eles não usavam mais, mas que ainda dava para outras crianças usarem, e depois evoluiu para a compra de brinquedos novos para crianças carentes”, destaca ela, que também é mãe de Alice, de 7 meses.

As doações, que acontecem pelo menos uma vez ao ano, no Natal, são viabilizadas pela família, que compra os brinquedos com antecedência. “Geralmente doamos para orfanato e quando elas recebem ficam muito felizes. Algo muito bonito de se ver. Uma reação que não tem preço”, diz a mãe, lembrando que a filha é quem dá as coordenadas sobre os produtos aos pequenos.

“Ela é tímida no início, mas rapidinho se entrosa com as outras crianças. Ela gostam de mostrar os brinquedos pra elas e ensinar a mexer nos que ela já sabe usar”, orgulha-se mãe. “Para que no futuro elas sejam pessoas melhores e que sempre que puderem ajudem os outros naquilo que elas puderem, principalmente crianças que são as mais vulneráveis”, finaliza.

Branca de neve do bemMaria Clara tem cinco anos e ama se vestir de princesa. Apesar de ser tão pequena e não entender o significado de “empatia”, já começou a aprender a importância dessa palavra. No início do mês, ela fez o primeiro corte de cabelo e doou para o “Lar das Marias” – entidade sem fins lucrativos que abriga e dá suporte às mulheres com câncer do interior do Amazonas, em Manaus para fazer tratamento.

“Ela amava os cabelos compridos e dizia querer ser a Rapunzel. Combinamos que, somente quando ela completasse 5 anos, cortaríamos. Conversando com uma amiga, ela comentou sobre a doação de uma maneira que me tocou. Conversei com a Maria que aceitou na hora, pois queria ajudar quem não tem cabelo”, diz a mãe, Karime Príncipal de Oliveira. “Na manhã seguinte, me cobrou para cortar”, completa.

Segundo ela, não houve imposição, apenas diálogo para que Maria Clara entendesse como poderia fazer a diferença na vida de quem precisa. A experiência mexeu com a família. “A achei tão linda e decidida! Como mãe, ensino a importância de dividir, de ajudar, que a bondade sempre traz coisas boas”, enfatiza. Questionada sobre a princesa, a pequena declara orgulhosa: “Eu sou a Branca de Neve agora”.

Escola da vida

A educação da criança começa no lar, e é através da observação e imitação que os pequenos aprendem a se colocar no mundo, afirma a psicóloga Krisley Cavalcante. “A primeira escola dela é seus pais, seus primeiros professores. Antes de assumirem responsabilidades por suas próprias ações, as crianças precisam identificar-se cognitivamente com seus cuidadores que irão ditar as regras e os valores que devem guiá-las por toda a vida: lições de respeito, tolerância, solidariedade, etc.”, pontua Krisley.

Pequeno protetor dos animais

Aos sete anos de idade, João Carlos Barcelos Cecilio descobriu a paixão pelos animais. Hoje, aos dez, é um voluntário dedicado da ONG Proteção Adoção e Tratamento Animal (Pata). Ele acompanha a irmã, Anne Carla, 18, mas não quer ser veterinário. Gosta mesmo é de ser ativista da causa animal.“Na hora do banho e alimentação ele sempre me ajuda. É importante que as crianças tenham um ponto de vista mais claro das coisas, não vejam as coisas com indiferença, mas deem valor a tudo e todos”, diz a estudante. “Eu não gosto de ver os animais sofrendo na rua. Eu gostaria de ajudar todos os animais do mundo”, declara o menino.

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