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Empinar pipa: um passatempo que atravessa gerações

Mesmo com o passar dos anos, adultos não esquecem a paixão, e fazem questão de transmitir aos filhos os segredos da arte de voar; a cidade recebe Festival de Pipas e Papagaios de Papel em outubro 28/09/2014 às 14:12
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O pequeno Gabriel aprende com o pai Alexandre (de laranja) e com o seu primo Thales (de branco) a como praticar a atividade
Laynna Feitoza Manaus (AM)

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O brilho do sol quase poente das 17h emoldurava o rostinho do pequeno Gabriel Ferreira, de apenas um ano e meio. Enquanto o pai, o personal trainer Alexandre Ferreira, 34, conversava com o BEM VIVER, o garotinho se mostrava eufórico, mas não com a reportagem: os olhos estavam fixos no céu, mais precisamente num objeto de papel em forma de pentágono que cortava o horizonte. E, nas mãozinhas estavam as linhas – sem cerol. Tanto fascínio pela soltura de pipas foi herdado do pai, que com a mesma idade do filho começou a praticar a atividade. Para uns, uma mera brincadeira. Para outros, um esporte. Já para os mais apaixonados, uma arte capaz de exceder gerações.

Acompanhando a dupla estava o publicitário Thales Tortora, 29, que desde os quatro anos segue ao lado do primo Alexandre engajado na mesma arte e compartilhando as mesmas histórias, em que as lajes das casas e os terraços eram palco de grandes festas no ar. Os avós de Thales e Alexandre trabalhavam com a confecção de pipas para sobreviver, e a tradição foi passando dos seus filhos para os netos, e dos netos para os primos, conforme Alexandre. Ao lado da família, os dois lutam para desmarginalizar a prática.

“Nos fins de semana, quando tinha festivais de pipa, queríamos reunir todo mundo e brincar no Rio de Janeiro, onde nascemos. A prática acabou um pouco marginalizada porque as pessoas relacionavam a soltura de pipa com o uso de drogas; algumas pulavam as casas para pegar as pipas que caíam e invadiam o espaço. Por conta do cerol, muitas pipas se prendiam nos fios, e machucavam as pessoas”, diz Alexandre. A imagem marginalizada da brincadeira se dá por conta das pessoas que a praticam de forma errada, sem atentar para os cuidados necessários.

Assim como muitas crianças loucas por pipas, os primos não eram alheios a esta realidade na infância. “O pipeiro sempre gosta de um único presente: pipa. No dia das crianças ou no meu aniversário, eu só queria isso”, alega Ferreira. E segundo Thales, se alguma nota viesse ruim, o castigo era não soltar pipa. Aliás, a desobediência resultava em pipas queimadas. Foi o que aconteceu com ele ao burlar um castigo imposto pela mãe. “Na época, quando vi, abri o berreiro. Depois dali, entrei na linha. Sabia que a obediência e notas boas me credenciavam a soltar pipa”, relembra Thales.


Mesmo com a tecnologia e a falta de segurança das ruas, Alexandre incentiva o pequeno Gabriel em sua primeira paixão. “A pipa, acima de tudo, é um resgate dessa cultura deixada de lado por conta até da segurança e tecnologia. É muito mais fácil deixar meu filho brincando no iPad, videogame ou computador do que deixá-lo experimentar a rua, ou nas brincadeiras de bola. É um desafio a gente poder recriar nossos tempos de juventude. Além de poder repassar valores como a humildade e a interação com outras pessoas, independente das diferenças”, pondera.

Outro que se mostra incansável nessa luta é o administrador Anderson Amato, 37, um pai que herdou o amor por pipa da família e que faz questão de passar ao filho Thiago Oliveira, de 12 anos, valores como amizade e companheirismo – o que segundo Amato, o filho já aprendeu. “Meu filho está um ano adiantado nos estudos porque, quando chegou na escola, já sabia todas as cores, por conta das brincadeiras com pipa”, diverte-se Anderson.

Benefícios reaisA soltura de pipas ou papagaios representam mais do que lazer: fazem bem ao corpo. Boa postura, coordenação motora, concentração e pensamento estratégico são alguns dos benefícios obtidos com a prática.

Como soltar pipa com segurança

 - Evitar soltar longe das vias rápidas

 - Evitar soltar próximo à rede elétrica

 - Evitar horário de maior incidência de raios UV (9h às 14h)

 - Usar protetor solar e roupas leves


Serviço

O quê: Festival de Pipas e Papagaios de Papel

Quando: 04 de outubro, a partir das 10h

Onde: Prosamim da Borba (Cachoeirinha)

Quanto: Gratuito. Os participantes devem levar um brinquedo, que será destinado às comunidades carentes

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