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ARTESANATO

Encabeçado por Sérgio Matos, projeto visa capacitar artesãos amazonenses

O Projeto Brasil Original percorreu os municípios de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Benjamin Constant, Tefé e Manaus. Com o apoio de Sérgio J. Matos, artesanato feito a partir de matéria-prima da floresta gera renda para famílias indígenas 12/09/2016 às 11:04 - Atualizado em 12/09/2016 às 16:18
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Em passagem pela capital, o A Crítica conversou com o designer Sérgio Matos, ele relatou diversas experiências vividas através do contato com os indígenas da região, suas peculiaridades e riquezas ancestrais // Foto: Divulgação
Alexandre Pequeno Manaus (AM)

Fonte inesgotável de cultura, a Amazônia tem sido um solo fértil para a produção de uma gama de materiais que ressaltam as riquezas exuberantes da nossa fauna e flora. Desde utensílios domésticos a bijuterias, o artesanato - em especial das comunidades indígenas e ribeirinhas -, movimentam a economia local, geram renda e impulsionam a região para o mundo. Sob esse aspecto, o Projeto Brasil Original – iniciativa célebre do Sebrae Amazonas -, com a consultoria do Estúdio Sérgio J. Matos apoia a produção cultural no Estado.

Em passagem pela capital, o Bem Viver conversou com o designer Sérgio Matos, ele relatou diversas experiências vividas através do contato com os indígenas da região, suas peculiaridades e riquezas ancestrais.

“A consultoria de design com o objetivo de fortalecer a vocação artesanal faz florescer a ideia de novos rumos para as populações indígenas e ribeirinhas. Abre rotas de criatividade, alarga caminhos que levam à autoestima e à valorização do feito à mão. Resgata, também, o orgulho das raízes ancestrais presentes na cultura e exibidas na cor da pele e no som dos dialetos que resistem ao tempo”, explica.

O Projeto Brasil Original percorreu os municípios de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Benjamin Constant, Tefé e Manaus. "Homens e mulheres orgulhosos de suas origens culturais formatam na fusão do design com o artesanato objetos inspirados em recortes do entorno, elaborados sob a tessitura das histórias que transitam entre o real e imaginário", explica.

Para o processo de confecção de materiais junto às comunidades, Sérgio explica que, primeiramente, há um contato inicial para conhecer a região. "Faço uma primeira visita a comunidade, e tudo que eles me contam serve de alimento para o conceito do produto, que iremos desenvolver. Criamos em cima das histórias deles. É preciso que eles se identifiquem com o produto”, conta.

Em Benjamin Constant, o designer recorda um momento marcante da trajetória. “Descobri que a floresta é habitada por verdadeiras divindades. Entre elas, Dona Rosa Ayambo, indígena da etnia Tikuna que vive na Comunidade de Porto Cordeirinho. Ela que afetuosamente presenteou a mim e a equipe do Sebrae Amazonas com um canto de boas-vindas, nos estendeu os braços, alargou o sorriso, apresentou as trilhas materiais e imateriais que conduzem às riquezas encerradas naquele território sagrado”, relata.

Sobre o saldo final da experiência nas comunidades, Sérgio explica que seu dever foi cumprido. “As comunidades indígenas saíram de um produto que custa R$ 5, R$15 para um produto que custa R$150 a R$700, por exemplo. Em uma feira que eles participaram, saíram de uma venda de R$2.000, no máximo, para a venda total de R$80 mil. Estamos dando um valor maior para as peças”.

3 perguntas para Sérgio Matos, designer de produto

Como é o processo de confecção de um material, seja móvel ou utensílio de decoração?

“Partimos sempre de um conceito, ligado à cultura, identidade local, daí desenvolvemos os produtos. No caso das comunidades daqui (Amazonas), sempre são voltados para a decoração. O Estúdio faz projetos desde interior, cenografia, shows, exposições. Sempre começamos com um tema. A partir daí é prototipagem, modelagem, teste e enfim o produto final.

Como você vê essa possibilidade de inserir a cultura brasileira em seu material de trabalho e transformá-la em vitrine par ao mundo?

Se eu saio e ando 10 quilômetros daqui, já encontro uma cultura diferente do que vejo aqui em Manaus. A identidade brasileira é muito ampla. O grande diferencial do estúdio é transformar cultura e identidade em produtos. Todas as peças do estúdio são carregadas de cultura, contando suas origens.

Ao conhecer e colaborar com as comunidades, qual sua principal precaução?

“Nosso cuidado é em relação às técnicas. São ancestrais, preservamos isso e inserimos em peças maiores, de maior proporção. O conceito é de alguma etnia que estamos trabalhando”.

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