Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
GRAMMY LATINO

Engenheiro de som amazonense que venceu Grammy Latino ainda comemora vitória

Henrique Andrade trabalhou no último álbum do cantor colombiano Juanes, que levou para casa dois troféus do mais importante prêmio da música latina



Capturar1.JPG (Foto: Divulgação)
05/02/2018 às 16:32

Preso em uma correria de mudança de casa, tendo que entregar dez músicas para um projeto novo em tempo recorde e trabalhando com clientes de três fusos horários diferentes, o engenheiro de som manauara Henrique Andrade mal teve tempo ainda, em meio a tantas gravações, mixagens e produções, para comemorar suas recentes vitórias e indicações nas duas últimas edições da maior premiação no mundo da música, o Grammy, e em sua versão latina. 

Esta, vale dizer, não é a primeira vez que Henrique trabalha em um álbum ganhador do Grammy. Além de ter trabalhado em “Mis Planes Son Amarte”, álbum do Juanes que das cinco indicações que recebeu no Grammy Latino em novembro do ano passado, levou duas para casa (Melhor Engenharia de Gravação e Melhor Álbum de Pop e Rock), Henrique também já foi agraciado com indicações pelo trabalho realizado com Justin Bieber no álbum “Purpose”.

“O Juanes é um ser humano e um profissional incrível. Ganhar esse Grammy foi sensacional porque trabalhar nele também o foi. O ambiente era legal, ele levou a família no estúdio, era super descontraído e tranquilo. Também porque tive a chance de influenciar bastante no disco como engenheiro, afinal gravamos tudo no estúdio, do ukelele ao baixo acústico, e isso é algo raro de se ver hoje em dia, pois demanda muito mais tempo e dinheiro do que se fizéssemos tudo no computador”, contou Henrique. 

Mas muito mais do que ornar a estante de sua casa, os dois Grammy’s Latino que Henrique ganhou - e todas as suas indicações, que prometem ser apenas as primeiras de muitas - representam um importante passo na carreira do engenheiro. 

“Para minha carreira significa tudo, praticamente. Nunca foquei em dinheiro ou em prêmios. Com certeza falei várias vezes, na brincadeira, que queria ganhar um Grammy, afinal ele é o ápice do reconhecimento na minha indústria. Mas meu objetivo maior era fazer algo especial, incrível, impactante. E ao mesmo tempo em que isso muda a rota da minha vida completamente, amanhã nada muda, não dá para ficar deslumbrado”, afirmou o engenheiro.

Começo de tudo

“Foi muito difícil, pra mim, não viver de música e me dedicar a isso. Em casa, meus pais tinham vinis incríveis e toda minha família por parte de pai é relacionada à música”, relembra Henrique, ressaltando que parte do seu envolvimento com a música se deu por conta dos seus tios. “Ia para rádio com eles, buscava os artistas no aeroporto, e assim fui crescendo”, completou.

“Aos 15 anos, Henrique foi para Brasília e formou uma banda. Já mais velho, ele largou a banda e se mudou para os EUA, onde se formou em Engenharia de Som. Começou como office boy na Planet Records e o resto é história“, conta seu tio, Fernando Reis.

Engenharia de som

De acordo com Henrique, a engenharia de áudio é a ciência por trás da construção de um fonograma, de trabalhar a captura do som e entregar na mídia que é preciso. Isso tanto pode ocorrer em uma rádio, na TV, em um estúdio, em um show ao vivo, em dublagem, etc. “Em resumo, é o responsável pela captura de som, seja na escolha do equipamento certo, seja na hora de solucionar problemas”, explicou ele.

A outra parte da engenharia, segundo ele, que é tão ou mais importante quanto a parte técnica, é a psicológica, ou seja, é entender o que o artista quer, saber traduzir a técnica em arte e entregar o que ele quer. “Música é algo subjetivo. Há quem ouça um disco e diga que é o melhor trabalho da pessoa, outros vão ouvir e odiar. Mas ter deixado o artista confortável com aquilo, feliz com o resultado e bem em cantar com a instrumentação e tudo o que preparamos, é o maior trabalho do engenheiro”, concluiu ele. 

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