Domingo, 19 de Maio de 2019
Vida

Entre o céu e a terra: bandas de diferentes estilos comentam suas origens na igreja

“A igreja tem esse legado musical que é inegável, fornecendo base para gente nova", comentou Markeeto Silva, da Ed Ondo



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A Quatro Tons começou na igreja e hoje passeia por vários estilos brasileiros
02/07/2015 às 15:44

Sabe o que artistas como Beyoncé, Avril Lavigne, Naldo e Paramore têm um comum? Todos eles já animaram fiéis durante missas e cultos e foi nesse ambiente em que desenvolveram suas habilidades musicais.

Longe de ser exceção, o fato de muitas bandas terem sua formação musical ligada a instituições religiosas é algo bastante comum e percebido de forma positiva por quem trabalha na música.

“A grande maioria dos melhores músicos que eu conheci pessoalmente vieram de igreja. É um ambiente em que as pessoas teoricamente estão por paixão, não por dinheiro, e que prega a aceitação, ou seja, deixa as pessoas à vontade para testem seus talentos”, explicou Thiago Carvalho, guitarrista das bandas Caggy e Skyline (ambas de pop rock) e 7 Sinners (de heavy metal).

Formação

Markeeto Silva, que hoje compõe a banda de rock Ed Ondo, reconta seus tempos na Igreja Presbiteriana de Manaus, onde teve sua primeira aula de bateria e conheceu os membros da Metamorphus, banda predecessora de seu atual projeto.

“Nos conhecemos na igreja no fim dos anos 90, crescemos juntos e fazíamos parte do grupo de louvor. Quando todo mundo começou a praticar um instrumento, foi normal para a gente se reunir para tocar”, relembrou Markeeto.

A banda lançou dois discos antes de acabar e ver seus membros se jogarem em outros projetos. “Muito cara começa na igreja e se aprimora lá dentro. A partir daí, ele precisa decidir se continua tocando só lá ou se vai se aventurar em outros lugares”, explicou.

No caso do grupo de Markeeto, o que pesou na hora de “sair de casa” foi a afiliação dos integrantes pelo rock, que não era muito bem-vista pelos fiéis. “Nossas músicas tinham uma pegada mais pesada do que o que a galera da igreja estava acostumada. A gente queria fazer nosso som, com nossas influências, e aí decidimos fazer shows fora de lá”, disse o baterista.

Convite

Já no caso da Quatro Tons, o que inspirou a ida para o “mundo mundano” foi um convite para tocar em um casamento. “A gente já se conhecia da igreja São Francisco de Assis [no bairro São Jorge], a qual a maioria dos membros frequenta por mais de dez anos. Fazíamos parte da equipe litúrgica, que cantava nas missas, mas só nos apresentamos fora desse contexto quando surgiu esse convite. Aí, resolvemos continuar”, contou Afonso Júnior, um dos vocalistas do grupo.

Eles não se prendem a estilos, tocando tudo de samba a sertanejo, sempre focando, no entanto, em música nacional. Diferentemente da Ed Ondo e da Metamorphus, eles ainda trabalham com covers, mas pensam em compor material original no futuro.

‘Celeiro musical’

Afonso destaca a importância que a igreja tem na formação de novos artistas. “Eu acredito que a igreja, não só no Brasil, mas no mundo, é um celeiro musical porque serve como um espaço para manifestar talentos. Você chega nela com muito pouco e lá lhe é dada a liberdade de desenvolver a música que há dentro de você”, refletiu o vocalista.

Markeeto reforça essa crença. “A igreja tem esse legado musical que é inegável, fornecendo base para gente nova, chegando a dar aulas de instrumentos, como as que eu tive, porque sempre há essa necessidade de gente tocando nos cultos. Acho isso importantíssimo”, concluiu.


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