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'Era Callas que desafiava Callas', diz Christiane Torloni sobre a peça Master Class

A versão brasileira do premiado espetáculo da Broadway estreará nesta quinta (1) em Manaus, e terá mais duas sessões: uma no dia 2 e outra, no dia 4, sempre no Teatro Amazonas.  01/02/2018 às 14:58 - Atualizado em 01/02/2018 às 15:00
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(Foto: Divulgação)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Usar a arte e a mentoria para curar as dores da alma. Assim fez Maria Callas, ao ser abandonada pelo marido, Aristóteles Onassis; e ao ver a sua poderosa voz, aos poucos, dar sinais de fraqueza. Tudo ao mesmo tempo. O que seria cortante como a dor de uma navalhada na pele motivou a soprano mais imponente do século 20 a transformar sua dor em energia, nas aulas que aceitou ministrar para estudantes da Juilliard School, de Nova York. Ao mesmo tempo que Callas ensinava, ela também aprendia.

Esse enredo motivou o autor americano Terrence McNally a escrever o espetáculo “Master Class”, que acabou virando um dos espetáculos mais premiados da Broadway. A versão brasileira, protagonizada pela atriz Christiane Torloni estreará hoje (1) em Manaus, e terá mais duas sessões: uma no dia 2 e outra, no dia 4, sempre no Teatro Amazonas. 

Em entrevista exclusiva ao BEM VIVER, Christiane fala sobre como Callas chegou para ela, há 30 anos. “Eu e Possi [José Possi Neto, diretor do espetáculo] ficávamos assistindo àqueles hard discs, uma mídia que nem existe mais, e ficava aos prantos vendo os vídeos da Callas. A maneira como ela entendeu as personagens dela, o olhar era como o de um pintor, que te faz olhar o mundo de outra maneira. Principalmente no que diz respeito às heroínas: ela é um guru, uma mestra, uma inspiração”, coloca a atriz.

Aliás, Callas sempre esteve bem consciente do que representava. Segundo Torloni, ela mesma fala isso no texto. “Ela dizia ‘Essa é a minha interpretação. Não é a de Shakespeare. Não é a de Verdi. É a de Callas’. Ela não era só uma intérprete. Era uma grande musicista, tocava piano muito bem. Ela entendia tanto de música quanto os maestros que a regiam. E por isso ela pôde desfrutar deles e eles dela como ninguém. Ela não era só uma cantora interessada em cantar notas”, pondera ela.

Christiane coloca que não canta em cena, mas afirma que, para se preparar para o musical, fez aulas de canto. “Mesmo que você nunca cante em um musical, é importante para formação. Inclusive para entender o universo das orientações que ela traz aos cantores. Com meu professor no Rio de Janeiro comecei a estudar pela ária de Amina – personagem de Callas na ópera ‘La Sonnambula’ – para poder entender em mim mesma o que ela faz, o quão difícil é o que ela faz. Você se apropria. Você vai fazer um pianista, você tem que entender o universo, mesmo que não vá tocar. Entender mentalmente, entender emocionalmente, porque isso muda a atitude física completamente”, afirma. 

Projeto

Os cenários da peça foram criados e executados por Renato Theobaldo, experiente cenógrafo que tem contribuído não só para o teatro, mas também para o universo da ópera. “Seu projeto para a cenografia de ‘Master Class’ procurou trazer para o palco o clima das grandes casas de ópera do mundo através de estruturas criadas em tecido especialmente tratado para receber luz e projeções”, conta Torloni.

A direção musical está a cargo do Maestro Fábio G. Oliveira, e não poderia ser mais apropriada: trechos famosos de obras de três dos maiores compositores da história da música, como Bellini, Puccini e Verdi, são executados ao vivo pelos atores/cantores e acompanhados pelo ator/pianista. “Já o figurino é assinado pelo talentoso Fábio Namatame, com quem já tive oportunidade de trabalhar no teatro. Eu me movimento muito em cena e chego a rolar no chão. Então foi concebido um figurino que personifica a Callas e ao mesmo tempo é confortável e colabora com os meus movimentos”, pontua a atriz.

Para Christiane, o texto de Callas é bastante atual, mesmo vindo de outrora. “Ela foi uma mulher tão à frente de seu tempo em alguns aspectos, que precisei de 40 anos de carreira para vivê-la em um dia negro. Tem uma questão, talvez seja o que mais me inspire: é que ela não tinha uma relação com alguém que a desafiasse. Era Callas que desafiava Callas. Isso é uma outra maneira de ver tudo. A maioria das pessoas tem o desafio de fora para dentro. Ela não. Vinha de dentro dela”, completa.

Serviço

o quê:  Peça ‘Master Class”, 

quando: 1 e 2/2 (20h) e 4/2 (19h)

onde: Teatro Amazonas (Av. Eduardo Ribeiro, 659, Centro)

infos: (92) 3232-1768

classificação: 12 anos

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