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Escola que lava roupas de alunos e fornece alimentação para as férias é alvo de polêmica

Na Internet, alguns elogiam o serviço, caracterizando-o como “real e funcional”, e outros o criticam, dizendo que ele “terceiriza” a educação familiar 04/06/2017 às 10:00 - Atualizado em 04/06/2017 às 20:11
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Escola Pontô Ômega fica no bairro do Jardins, em São Paulo (Fotos: Divulgação)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

​A escola bilíngue Ponto Ômega, localizada no bairro de Jardins, em São Paulo, esteve no topo dos debates das redes sociais brasileiras na semana passada. O motivo da repercussão são os serviços da unidade, que envolvem mais do que o ensino pedagógico. O educandário oferece serviços como o preparo de refeições para os alunos que podem ser estendidos aos fins de semanas e férias – se caso os pais desejarem; lavagem de uniforme das crianças de até dois anos; professores que se colocam à disposição como babás – se caso os pais solicitarem - e corte de cabelo na escola. Na Internet, alguns elogiam o serviço, caracterizando-o como “real e funcional”, e outros o criticam, dizendo que ele “terceiriza” a educação familiar.

De acordo com a diretora da unidade, a psicóloga Maria Gruppi, as famílias que usufruem do serviço da escola são formadas por pais e mães com formação superior, bom nível cultural, com altos cargos nas empresas e que preferem que os filhos – com idade dos 4 meses aos 6 anos – permaneçam na escola durante o dia. “A maioria dos casos não conta com a família disponível para ajudá-los com as crianças visto que, atualmente, mesmo os avós têm os seus compromissos sociais”, declara a diretora.

A ideia, segundo Gruppi, é facilitar a vida dos pais, que não precisariam se preocupar em arrumar, todas as noites, mochilas com roupas a serem levadas todos os dias para a escola. O cardápio da unidade também é muito apreciado pelas crianças, segundo Maria. “A partir daí tivemos a ideia de porcionar e servir, em embalagens individuais, alimentos variados para serem consumidos em casa. Portanto, pais de crianças de até 6 anos, clientes nossos ou não, podem comprar sopas ou comidinhas para serem consumidas nos fins de semana ou quando vão viajar”, diz ela. A mensalidade da unidade inicia a partir de R$ 2.800, e os pais escolhem se os filhos vão permanecer lá por 4, 6, 8 ou 12 horas. 

Rebatendo as críticas das pessoas que acusam a escola de “terceirizar” a educação das crianças, a diretora aponta que a unidade apenas se alia aos novos formatos familiares, que são modernos. “As soluções que disponibilizamos não fazem com que a escola usurpe o papel dos pais junto às crianças. Ao contrário: possibilita que os pais tenham mais tempo para se dedicar às crianças sem se verem tomados pelas obrigações e pelo desgaste do cotidiano”, finaliza.

Opinião dos pais

A professora de inglês Alice Ferreira, 31, é mãe do pequeno Arthur Lillo, 5. Ela acredita que deve ensinar ao filho desde cedo a ter responsabilidades dentro de casa, e isso envolve o que ele vê da participação da mãe e da avó – com quem também mora - nas tarefas do lar. “Por eu ser feminista, eu já educo meu filho a entender que todos nascemos com duas mãos e dois pés para fazermos as tarefas de casa na mesma intensidade que a mãe ou a irmã (no caso de quem tenha irmã) as executam. É uma forma também de passar um tempo com ele e ainda o educando para no futuro ser uma pessoa melhor, sem individualismo e principalmente, machismo”, aponta ela.

Pai do pequeno Arthur de Sá, o dentista Marcelo de Sá, 28, observa que a escola atende a uma minoria bem exclusiva que pode contratar esse tipo de serviço, usufruído por pais que realmente não tem muito tempo disponível. “Acredito, devido ao trabalho, que querem usar o tempo que lhes sobra para aproveitar com seus filhos. Agora claro que o convívio da criança com as rotinas da casa, como cozinhar, cria um laço familiar. Digo isso pessoalmente, já que final de semana minha família se reúne para cozinhar e isso faz nós conversarmos e termos uma relação que durante a semana é realmente difícil pela questão de horário”, declara.

Gestão escolar

A psicopedagoga Conceição Lopes não acha o tipo de metodologia institucional da escola saudável. “A criança precisa ter convívio com os pais. Os pais devem participar do desenvolvimento da criança de forma ativa, e não passiva. Não só nos momentos bons, mas nos momentos ruins e trabalhosos também. Isso cria vínculos entre pais e filhos. O que está acontecendo é uma terceirização dos filhos. Os pais querem colocar a responsabilidade de cuidar e educar para terceiros. Isso causa consequências graves que lá na frente os pais vão perceber, como problemas de autoestima e autoridade na criança”, diz.​

Blog

Jacqueline Oliveira - mãe e internauta 

"É muita hipocrisia achar que os pais não podem deixar os filhos na escola por 12 horas e terceirizar serviços chatos como lavar roupa, fazer comida... dinheiro não dá em árvore e nos dias de hoje temos que trazer dinheiro e trabalhar. O segredo é priorizar as atividades mais importantes. Pergunta para a minha filha se ela iria preferir que eu ficasse com ela brincando de boneca ou que eu fique na lavanderia lavando e passando a roupa dela? Pergunta para minha filha se ela preferia passear no parque ou prefere ficar chorando no meu pé querendo colo enquanto faço o almoço da semana? A escola não está terceirizando abraços, carinho, pessoas para passear no parque, o ninar para dormir, não está terceirizando o cuidado e o amor".

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