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Escrita à mão tornou-se uma prática cada vez mais rara; afinal, como é a sua letra?

No ano passado, foi lançada uma campanha nas redes sociais, comandada pela hashtag #aletradaspessoas. Nela, cada um escrevia com caneta ou lápis num papel os dizeres “Uma coisa que a gente não conhece mais é a letra das pessoas. Essa é a minha” 17/07/2016 às 15:07
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A administradora Rebeca Mamed até hoje mantém o hábito de escrever cartas para o marido, amigos e familiares. O tema sempre é o amor. (Fotos: Evandro Seixas)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Pare por três minutos o que estiver fazendo. Pegue um lápis (ou uma caneta) e um papel. Escreva qualquer coisa. Você sentiu alguma dificuldade, como mão trêmula e letra mais “engarrafada”, ou ela desfila bem pelo papel? Se você teve algum problema em escrever, pense um pouco: não estaria você deixando para trás um hábito tão primário, mas ainda assim, tão importante às nossas vidas?

É claro que, com os computadores e smartphones de ponta, escrever ao próprio punho é bem mais difícil. Tem até aplicativo que capta o áudio da voz da pessoa e transforma em texto. Mas tem gente que por nada nesse mundo deixa esse hábito morrer, como é o caso da administradora Rebeca Mamed, 25. Ela tem o costume de mandar cartas para amigos, familiares e para o marido em diversas ocasiões.

“Quando comecei a namorar com o meu marido, fazia muita carta, praticamente quase todo dia. Sempre falando coisas que sentia por ele, coisas que gostaria de realizar com ele e o quanto eu o amava. Organizei tudo numa parte do armário, pois nem eu imaginava o tanto de coisa que já fiz pra ele, inclusive seis livros (risos). Já para os meus amigos eu gosto de enviar em datas especiais. Teve um ano que eu presenteei todos no Natal com uma carta”, pondera ela.

Rebeca não sabe explicar, mas para ela, escrever cartas deve ser somente com caneta e papel. “Coloco muito mais sentimento escrevendo do que digitando. Realmente vivemos hoje num mundo digital, mas eu prezo pelo velho, bom e lindo hábito de escrever. Uma vez meu marido disse ‘eu prefiro quando você me escreve uma carta, porque eu consigo sentir, verdadeiramente, o que você está querendo me transmitir’”, pontua.

Ofício

Há quem tenha levado a arte da caligrafia para a vida profissional, como é o caso de Nivia Mendonça, 50, e calígrafa, embora seja formada em arquitetura. “A caligrafia me dá uma sensação de calmaria, sabe? É como uma terapia. Quando estou escrevendo, é como se todos os problemas não existissem. A caligrafia artística é muito mais do que escrever de forma bela, a escrita à mão valoriza muito mais o convite, seja de casamento, 15 anos, formatura...”, destaca.

Ela começou a escrever em convites aos 20 anos quando, ao preencher uma ficha em uma academia, teve sua letra notada. 

“Uma moça viu minha letra e achou bonita. Falou que quando fosse casar, me chamaria para escrever em seus convites. Algum tempo depois a encontrei em um supermercado e ela me chamou para escrever nos convites. E para escrever não há uma preparação [específica nas mãos], a não ser a tinta que precisa ser preparada de uma forma que fique com a textura de forma que escorra  pela pena com leveza”, assegura.

Manual e digital

Existem pessoas que costumam unir as duas facetas da escrita: a manual e a digital. É o caso do músico e advogado Erick Omena, 26. Ao compor músicas, faz uso de papel, de computador, de smartphone e até a superfície do seu antebraço, próximo ao punho da mão esquerda.“Pode parecer estranho, mas tem vezes que o insight vem em momentos nada propícios. Instantes em que nem papel eu possa ter. Dessa forma, eu escrevo em mim mesmo para não perder a ideia e depois repasso para o meu bloco de notas”, comenta.

Para ele, a facilidade de compor músicas escrevendo à mão é a de não depender de aparatos tecnológicos que rapidamente ficam ultrapassados e viciados, como é o caso da bateria do celular. “Tenho também outra particularidade. Meus dedos são muito grandes e quando eu digito, erro muitas vezes até encontrar a palavra certa. Papel e caneta se mostram ferramentas extremamente avançadas nessas horas. Por fim, o hábito de escrever ao próprio punho acaba sendo muito importante pra mim, pois exercita a minha memória e me força a estar atualizado com as normas gramaticais, já que nem sempre eu estarei acompanhado de corretores online e mesmo assim precisarei saber a escrita correta de certas palavras”, coloca ele.

Manual e digital

Existem pessoas que costumam unir as duas facetas da escrita: a manual e a digital. É o caso do músico e advogado Erick Omena, 26. Ao compor músicas, faz uso de papel, de computador, de smartphone e até a superfície do seu antebraço, próximo ao punho da mão esquerda.“Pode parecer estranho, mas tem vezes que o insight vem em momentos nada propícios. Instantes em que nem papel eu possa ter. Dessa forma, eu escrevo em mim mesmo para não perder a ideia e depois repasso para o meu bloco de notas”, comenta.

Para ele, a facilidade de compor músicas escrevendo à mão é a de não depender de aparatos tecnológicos que rapidamente ficam ultrapassados e viciados, como é o caso da bateria do celular. “Tenho também outra particularidade. Meus dedos são muito grandes e quando eu digito, erro muitas vezes até encontrar a palavra certa. Papel e caneta se mostram ferramentas extremamente avançadas nessas horas. Por fim, o hábito de escrever ao próprio punho acaba sendo muito importante pra mim, pois exercita a minha memória e me força a estar atualizado com as normas gramaticais, já que nem sempre eu estarei acompanhado de corretores online e mesmo assim precisarei saber a escrita correta de certas palavras”, coloca ele.

Tenha mãos sempre sadias

Segundo o médico ortopedista Marcelo Loquette, quando escrevemos ao próprio punho exercitamos praticamente todos os músculos da mão. “Escrever manualmente envolve vários sentidos. Além de ativar uma ligação direta com o cérebro, que recebe um feedback das ações motoras juntamente com a sensação do toque do lápis e do papel para depois nossa visão reconhecer a letra caligrafada. E essa escrita é fundamental para o desenvolvimento das crianças. Crianças que passam tempo contínuo em computadores podem ter prejuízo no desenvolvimento destas funções”, diz.

E quando passamos muito tempo sem escrever ao próprio punho, e sentimos as mãos mais “fracas” e “trêmulas”? “Os tremores nas mãos nem sempre são causados por uma condição médica [como a doença de Parkinson e os transtornos no cérebro], pois também podem ser consequência da fadiga, do estresse, da ansiedade ou da raiva. Outros fatores que podem provocá-los são o envelhecimento, falta de estímulo muscular e atividade física”, coloca ele. Viu porque é preciso escrever?

 

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