Sábado, 20 de Julho de 2019
Vida

Escritor amazonense lançará novo livro de crônicas em Manaus

Milton Hatoum, que é considerado um dos melhores escritores do Brasil, participará mais uma vez da 3ª Semana Literária dedicada a ele



1.gif Escritor lançará seu novo livro de crônicas, “Um solitário à espreita”, no calor de sua terra natal, na 3ª Semana Literária dedicada a ele, no mês de agosto
06/07/2013 às 10:58

Um dos maiores escritores brasileiros da atualidade, o amazonense Milton Hatoum fará o lançamento de seu novo livro, “Um solitário à espreita”, também no calor de sua terra natal. O escritor participará mais uma vez da 3ª Semana de Milton Hatoum, que acontecerá em Manaus no próximo mês e deve ocupar o Largo São Sebastião, Centro, com exibição de filmes e entrevistas do autor, venda de seus livros a preços promocionais e a ilustre participação do próprio criador de “Dois irmãos”. Na ocasião, o escritor deverá proferir palestra, com direito à tradicional sessão de autógrafos após o lançamento do livro, uma seleção reeditada de crônicas.

Em entrevista exclusiva à reportagem de A CRÍTICA, Hatoum falou sobre a nova publicação, explicou sua relação de amor pela cidade de Manaus e, ainda, ressaltou as marcas na sua obra da influência do romancista alagoano Gracialiano Ramos, sobre quem o escritor escreveu recentemente, na palestra-ensaio que abriu a 11ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e cujo conteúdo causou furor no meio da crítica literária brasileira. “A imprensa badalou tanto essa apresentação, tomei até um susto”, disse ele, com humildade já característica.

Sobre o novo livro, Milton Hatoum não muda o tom. “Não sei julgar meu trabalho. Posso dizer que foi uma seleção rigorosa, reeditei todos os textos. Algumas são quase inéditas”, diz ele, que faz diversas referências a Manaus em várias das 96 crônicas de “Um solitário à espreita”. “É impossível esquecer a cidade de sua infância. Gosto muito da minha cidade, tenho amigos e parentes em Manaus”, conta o escritor, lamentando o que ele chama de “desfiguração” da cidade. “Estragaram a cidade. Acabaram com a relação natureza e urbano. Nos últimos 40, 50 anos, Manaus foi totalmente desfigurada”, critica.

Aliás, um intelectual do porte de Hatoum não poderia deixar de se manifestar sobre os protestos que vem ocorrendo em todo o Brasil. “Acho que as pessoas estão nas ruas também para reivindicar um pouco de amor pela cidade. É sempre esse conluio do poder público com as empreiteiras. O Brasil não quer mais isso!”, opina ele que chegou a cursar Arquitetura e, em uma de suas crônicas de “Um solitário...” critica o crescimento de cidades como Manaus e Porto Alegre, de costas para sua área portuária, bem como a exclusão de bons arquitetos do planejamento urbano das cidades.

Vida e obra do escritor

Descendente de libaneses, Milton Hatoum nasceu em Manaus em 19 de agosto de 1952. Ensinou literatura na Universidade Federal do Amazonas e escreveu seu primeiro romance, “Relato de um Certo Oriente”, em que relacionou a origem de sua família às memórias afetivas da infância vivida em Manaus por meio de uma personagem que voltava à cidade natal em busca do encontro com a matriarca libanesa – provavelmente inspirada na avó do autor – que radicara sua família na Amazônia. Mais tarde, com “Dois irmãos”, que já foi considerado o Romance da Década, e ainda “Cinzas do Norte”, o escritor assinalara de vez o seu nome entre os grandes mestres do romance brasileiro. Seus três primeiros livros conquistaram o Prêmio Jabuti, o maior da literatura nacional. Escreveu ainda “Órfão do Eldorado” e “Cidade Ilhada”, este um livro de contos, além do mais recente, “Um solitário à espreita”, desta vez pela versão pocket de sua editora (Companhia das Letras), a Companhia de Bolso.

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