Sexta-feira, 29 de Maio de 2020
Vida

Escritores mirins: pouca idade, porém muita vontade de publicar

Enquanto muitos dos colegas da mesma idade se entretêm com joguinhos em tablets e smartphones, eles preferem a quietude da leitura



1.jpg Emily Losada escreveu “Quando eu vou dormir no meu quarto”, lançado em julho pela All Print Editora
10/10/2015 às 11:24

Enquanto muitos dos colegas da mesma idade se entretêm com joguinhos em tablets e smartphones, eles preferem a quietude da leitura. E gostam tanto dela, que acabaram desenvolvendo a nobre habilidade da escrita a ponto de se tornarem autores daquilo gostariam de ter em sua cabeceira. Mesmo com tão pouco tempo de vida, essas crianças já fizeram uma das três coisas - talvez a mais difícil - que o ditado diz que o todo homem deve fazer antes de morrer: escreveram livros.

E ao que parece tudo começa com o incentivo dos pais. Glícia Losada sempre contou histórias para a filha, Emily, e também a presenteava com livros desde bem pequena. Logo que aprendeu a ler, com cinco anos de idade, a menina passou a ter apreço pelos passeios em livrarias. “É  o lugar que ela mais gosta. É curioso e até assusta, porque ela gosta de ler tudo: desde os livros infantis até Augusto Cury”, diz a mãe, aos risos. 



A parte escritora de Emily nasceu a partir de uma dificuldade que a pequena passou. Depois de uma febre, seus pais a colocaram para dormir com eles e nos cinco anos seguintes ela teve medo de dormir sozinha. Até que um dia, sem comunicar, ela  pegou o elefante de pelúcia  e borrifou o perfume da mãe nele, borrifou o perfume do pai no travesseiro e foi para o seu quarto. A história virou o livro “Quando eu vou dormir no meu quarto”, lançado pela editora All Print em julho.

Emily hoje está com sete ano e Glícia comenta que a escrita deixou a filha mais independente (ela hoje dorme sozinha sem nenhum problema, como sua personagem no livro).“Inclusive tem escolas em São Paulo e consultórios de psicólogos que estão trabalhando o livro dela com outras crianças. Dá o maior orgulho”.

De família

Outra mãe orgulhosa que engrossa a fila dos pais que incentivam a leitura dentro de casa é Greicianne Nakamura. Mãe de Naomi, seis anos, a médica costuma ler com a filha antes de dormir todas as noites. 

Um dia, a pequena estava demorando demais para se deitar e Greicianne questionou o motivo. Ouviu como resposta: “Estou escrevendo o meu livro”. Surpresa, a mãe perguntou se a filha gostaria de ajuda e sentou ao seu lado para, na mesma noite, lhe auxiliar a encerrar “The beautiful and lovely day” escrito e ilustrado por Naomi. Aluna de escola bilíngue, ela começou a ler em português e inglês com quatro anos.

De escrita simples, mas com o olhar mágico que só uma criança tem, o livro trata de dois dias na vida de Marina (personagem criado por Naomi). A obra foi dada de presente do dia dos pais para Daniel Nakamura, pai de Naomi. Greicianne conta que Daniel costumava escrever poesias quando mais novo, e inclusive, ganhou um concurso promovido por A CRITICA em 1986. O avô de Naomi, por si, fez faculdade de Belas Artes nos Estados Unidos. Parece que está mesmo no sangue.

Naomi já adianta que o livro vai ter sequência. “Quando fizer sete anos, vou escrever a parte dois. Para cada aniversário meu quero escrever um livro”.

Hobby saudável

Apesar da grande reper-cussão do livro de Emily, Glícia diz que não pretende inse-rir a filha em grandes even-tos literários, pois teme que isto possa fazer tirar a magia da escrita. Da mesma forma pensa Greicianne:  por enquanto, ela não pensa em publicar o livrinho de Naomi. “Se deixar de ser hobby, vira obrigação”.

Incentivo à leitura

Como o encanto pela leitura é passo praticamente obrigatório antes de se desenvolver a paixão pela escrita, é fundamental incentivar os pequenos. Na Electrolux, foi criado um projeto social que tem mobilizado bastante seus colaboradores: a Refriteca. Trata-se de uma biblioteca itinerante montada dentro de um refrigerador que, ao abrir a porta, a criança tem acesso a obras literárias.

A ideia foi implementada em três  cidades que recebem as unidades fabris da Electrolux (Curitiba, São Carlos e Manaus) e já ajudou mais de 600 crianças e adolescentes carentes e engajou 90% dos funcionários por meio da doação de livros. A Refriteca foi  implementado após a sugestão de uma colaboradora da Electrolux. Segundo Valmir Buscarioli, vice-presidente de RH para América Latina da marca, ouvir e implementar ideias como esta significa trazer melhor aproveitamento do capital humano “não só para os negócios da companhia como também para a sociedade e comunidade”.  

A Refriteca em Manaus tem o acervo formado por mais de 200 livros diversificados, composto de obras de literatura infanto-juvenil, literatura em geral, biografias, obras de referência, obras de culinária, artes, artesanato, religião, política, esporte, música, saúde, livros informativos, periódicos, e diferentes materiais de leitura como revistas e gibis.Em parceria com o Fundo de Promoção Social é realizada a escolha das instituições que irão receber a mini-biblioteca e, as primeiras escolhidas foram Inspetoria Salesiana da Amazônia e Casa Mamãe Margarida. Ainda em outubro outra instituição receberá a Refriteca.


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