Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
FOLCLORE

Espalha Emoção e Touro Branco: começa duelo dos outros bois de Parintins

No distrito de Mocambo do Arari, bumbás começam a disputa no Mocambódromo; conheça um pouco mais sobre a história de Espalha Emoção, de cores amarela e branca, e o Touro Branco, que ostenta o laranja e o branco



WhatsApp_Image_2019-07-27_at_13.13.59_451E5ED5-E4F4-428E-85F8-28F2C9593273.jpeg Festival tem a sustentabilidade como sua principal característica (Foto: Euzivaldo Queiroz)
27/07/2019 às 15:41

Após a abertura do evento que começou com a apresentação de danças de pássaros e quadrilhas juninas na sexta-feira, o 16° Festival Folclórico do Mocambo do Arari volta às suas atenções para este sábado, quando os bois-bumbás Espalha Emoção e Touro Branco iniciam suas apresentações numa disputa particular onde quem vai ganhar é o público. O festival acontece na área rural de Parintins (a 325 quilômetros de Manaus, a terra dos bois Garantido e Caprichoso)

Hoje a apresentação inicia às 20h com o Espalha Emoção, seguido do Touro Branco. No domingo os horários são mantidos, mas com ordem invertida. Na disputa dos bumbás cada associação folclórica tem o tempo mínimo de 90 minutos e máximo de 120 minutos para evoluir na já considerada mítica Arena do Mocambódromo.



A organização é da Associação das Tradições Culturais do Mocambo do Arari (Atracamar) com apoio da Prefeitura de Parintins através da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SEMCTUR).  Uma das principais características das alegorias dos bois-bumbás e demais associações folclóricas do Mocambo é que elas são feitas a partir de matéria-prima da floresta, como cipós, palhas, juta, cascas de madeira e outros.

É comum haver alegorias confeccionadas de, por exemplo, cipós trançados firmemente. Ou de tetos e paredes serem revestidos de palhas. Outra curiosidade: as roldanas, engenhocas em forma de rodas necessárias para a locomoção das estruturas alegóricas, são feitas de madeira!

Espalha Emoção

Abrindo a primeira noite dos bois, o Espalha Emoção, atual campeão, vai em busca de mais uma conquista apostando em contar os seus 20 anos de glórias com o auto-tema “20ª Evolução”. “Vamos fazer uma homenagem para o nosso próprio boi em seu aniversário. Temos em torno de 3000 pessoas atuando na organização do boi de arena. Estamos superpreparados e nosso projeto e sermos bicampeões esse ano e tricampeões em 2020", destaca o vice-presidente Ricardo Gadelha – a associação tem como presidente Lucilene Pimentel.

Na primeira noite o Boi vai contar a sua tradição e os primórdios da associação folclórica. E, na segunda noite, mostrará a evolução da brincadeira. O Espalha Emoção traz um time de peso no seu rol de artistas para busca pelo bi: o animador de galera é Edmundo Oran – apresentador do Boi Caprichoso – o levantador é Edilson Santana – cantor renomado e da ala musical do Boi Garantido -  e o Amo do Boi é o compositor Adriano Aguiar - ex-Caprichoso e hoje no vermelho e branco.

Entre outros itens, há também a juventude da Sinhazinha da Fazenda, Bruna Souza, 22. “A cada ano eu vou conquistando cada vez mais a nação”, diz ela, de Parintins. A ala de ritmistas é chamada de Tamurada, e seus membros são os “tamureiros".

Touro Branco

Do lado contrário do Mocambo do Arari, o Boi Touro Branco trabalha arduamente pra reconquistar o título perdido nos últimos dois anos para o adversário. Seu tema será “Chão de Bravos”, elaborado pela Comissão de Arte da associação e que traz à tona as matérias negras e indígenas.

Para isso, fez mudanças fundamentais em sua equipe de artistas, como a reentrada no cargo  do novo Amo do Boi, o cantor Patrick Modesto. “Esse é o meu 14° ano no Touro Branco me dedicando a Amo, e em quatro fui levantador de toadas. Estamos tranquilos para brincar de boi e retomar o título”, afirma o artista do laranja e branco que tem uma estrela na testa.

Como apresentador, estará em cena o compositor Leonardo Pantoja, que vai para o sexto ano no posto e que em 2013 também foi levantador de toadas. “É sempre um grande desafio que exige muita dedicação, mas como faço parte da comissão de Arte isso facilita”, conta ele, também compositor e produtor oficial do CD de toadas do boi deste ano.

A associação folclórica virá com cerca de 400 brincantes segundo a coordenadora de arena e projetista do boi, Janice Cardoso. “O Touro Branco vira gigante, grandioso, espetacular. Somos um boi que não tem medo de ousar. Viremos este ano com um total de 8 alegorias, sendo quatro para cada noite, fora os tripés, dispostos a reconquistar o título perdido para o contrário”, comenta ela, que é historiadora.

Sobre o tema, ela explica que ele vai falar das matrizes negras que vieram junto com o colonizador, além das matrizes indígenas que já habitavam no Brasil. “Será um retrato de toda essa diversidade cultural dos povos que formaram a miscigenação do povo brasileiro”, conta Janice Cardoso.

A Rainha do Folclore, Alciele Ferreira, vai para o seu 11° ano à frente do item e disse que o friozinho na barriga é o mesmo todo ano às vésperas da apresentação. “É sempre uma honra e um orgulho muito grande representar o meu querido Touro Branco. É uma emoção grande. Fica, sim, um friozinho na barriga", disse ela, nascida e criada no Mocambo do Arari.

O Pajé do Touro Branco, Djalma Cardoso, 36, é o atual bicampeão do item do Festival do Mocambo e quer emplacar o tri. “Já são três anos de pajé no Touro Branco e 18 em outros festivais. E se Deus quiser vou conquistar o tri”, conta ele, integrante do grupo Porantim, de Maués. “Nossa preparação vem espontânea, mas existe algo de peculiar em quem é esse item. Em cada personagem é o pajé que concorrer e existe, sim, uma preparação espiritual, um elo, que eu não sei explicar de onde vem”, ressalta Djalma Cardoso.

PROGRAMAÇÃO DOS BUMBÁS

SÁBADO (27/07)
Tempo mínimo. 90. Minutos, máximo 120 minuto
1º Boi-Bumbá: Espalha Emoção – 20h às 22h 
Intervalo 30 minutos
2º Boi-Bumbá: Touro Branco – 22h30 às 0h30 

DOMINGO (28/07)
Tempo mínimo. 90. Minutos, máximo 120 minutos.
1º Boi-Bumbá: Touro Branco – 20h às 22h
Intervalo 30 minutos
2º Boi-Bumbá: Espalha Emoção – 22h30 às 0h30

Repórter de A Crítica

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