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Especialista e mães dão dicas para escolher a nova escola dos filhos

De acordo com pedagoga, lista de critérios deve se encaixar na visão da família 28/12/2015 às 11:20
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Fernanda estuda em um colégio cristãos, mas mudará para militar
Natália Caplan Manaus

Faltam poucos dias para o começo de 2016 e a maioria dos pais já enfrenta uma dúvida quase cruel para decidir qual será a escola das crianças. Até mesmo a família real britânica passa por este processo natural. O príncipe George, 2, primogênito do casal casal William e Kate, estudará no centro Westacre Montessori, que trabalha com um modelo educacional que prioriza a criatividade, a liberdade e incentivo ao senso de independência.

Não importa se a criança é a terceira na linha de sucessão do trono da Inglaterra, ou mora em Manaus, no Amazonas. O primeiro dia de aula ou mudar de instituição de um ano para o outro, sempre assusta. Porém, segundo a pedagoga e professora Ana Paula Oliveira, é preciso focar em três pontos essenciais na hora da escolha: a proposta pedagógica, a estrutura (física e organizacional); e a formação dos professores.

“Este tripé é importante para uma boa educação. A principal questão é a proposta pedagógica, porque as escolas adotam posturas diferentes em relação ao ensino”, explica, ao ressaltar que os valores da instituição devem estar de acordo com as características que a família preza na educação da criança. “Eles precisam avaliar se a proposta se adéqua. Se os pais não concordam, isso poderá criar conflitos no futuro”, completa.

Outro ponto dentro da pedagogia enfatizado pela educadora como algo fundamental a ser avaliado é se o calendário escolar tem um equilíbrio entre o tempo de estudo e as atividades extracurriculares. Segundo ela, que atua na Creche Escola Mamãe Coruja e na Faculdade Estácio Amazonas, realizar festas demais ou sobrecarregar os alunos — com excesso de lições e trabalhos, sem eventos sociais — são dois extremos a ser evitados.

“A função da escola é ter o compromisso de ensinar, mas isso vem carregado de outras coisas, como o lúdico, a troca com o outro. A escola precisa ter um meio termo; não é um salão de festas, mas também não pode focar somente em estudar. Quando falamos de ser humano, falamos de socialização, de interação entre pessoas. Essa interação ajuda na aprendizagem e não podemos privar as crianças disso”, enfatiza.

Para a educação infantil, Ana Paula recomenda a escolha de escolinhas espaçosas, com ambientes para brincar. A formação dos professores e como eles lidam com os pequenos também devem ser observados. Essa preocupação com o projeto pedagógico, afirma, “é importante nessa fase, pois já é possível trabalhar a linguagem oral, desenvolver a percepção visual, auditiva, coordenação motora e estimular o raciocino lógico”.

Mudança inesperada

Questionada sobre o feito negativo de mudanças no meio do ano letivo e como facilitar a adaptação, a pedagoga ressaltou a necessidade de manter o diálogo. “É preciso acompanhar a vida escolar, para saber se tem retorno do aprendizado. Seis meses fazem muita diferença para a criança. Se não está tendo resultado, ou há prejuízos para a criança, se for algo que inquiete os pais, o importante é trocar. Crianças se adaptam”, afirma.

Ainda de acordo com Ana Paula, é importante que os pais estejam tranquilos em relação à instituição e transmitam essa sensação à criança. A família não deve esconder essa nova fase, mas explicar e, se possível, acompanhá-la nos primeiros dias. No caso das maiores, a educadora não vê problemas em levá-las nas visitas às instituições. “Os pais são responsáveis pela escolha, mas é importante ter essa parceria”, finaliza.

Lista de critérios

Lilian Giselly Serudo, 32, e o marido perderam as contas de quantas escolas visitaram antes de decidir onde Daniel, 5, começaria a vida de estudante. Filho de professores, ele sempre foi incentivado a gostar de livros e brincadeiras lúdicas. Então, a família sabia exatamente por onde começar e criou um “filtro” para tomar a decisão. No fim, optou pelo Centro Educacional Pingo de Gente - Laviniense Ensino Integrado, onde o menino ingressou aos 2 anos e meio.


Lilian fez uma lista de critérios para escolher a escola de Daniel. Foto: Divulgação

“Fizemos uma lista e as primeiras perguntas eram sobre a segurança, o plano pedagógico e o tamanho da escola”, lembra, ao ressaltar que algumas instituições nem sabiam explicar sobre o método de ensino. “Não queríamos uma escola que só trabalhasse conteúdo. Não adianta ensinar só a decorar os números e o alfabeto; é preciso ajudar a criança se sentir segura, conhecer a personalidade, dificuldades e qualidades de cada criança”, enfatiza.

De acordo com a mãe, essa proximidade na relação entre educador e aluno pesou na hora da escolha. Para ela, não basta dar conhecimento, é preciso ensinar ética e valores. “A equipe pedagógica conhece as crianças pelo nome, trabalha o desenvolvimento social e emocional, respeitando o limite de cada uma. O Daniel tinha dificuldades em se sujar e não queria brincar com tinta. As ‘tias’ também trabalham nisso, não desistem”, afirma.

Foco e disciplina

Para a empresária Dylimari Almeida, 34, a metodologia deve ter “duas etapas”. Na educação infantil, ela seleciona escolas com mais atividades de artes e esportes. Nos últimos anos letivos, a preferência é pelo foco no crescimento intelectual. Por isso, os filhos Gustavo, 4, e Diogo, 13, estudam em instituições diferentes. O primeiro vai para o jardim 2, no Recanto da Criança, enquanto o mais velho continuará a oitava série no Latu Sensu.

“Ambas têm características parecidas, mas com atividades diferentes. Começa a estudar em um lugar com muita recreação e, depois, vai para outro onde tem mais foco no conhecimento. Acho bom mudar, não ficar só na mesma escola. Assim como o Diogo, o Gustavo irá para o Latu Sensu a partir da quinta série”, declara, ao lembrar que ela, os primos e vários parentes foram “alunos latu”. “Faz parte da história da família”, brinca.

Entretanto, independentemente da tradição, Dylimari admira a metodologia do colégio onde estudou na infância e quer que os filhos tenham a mesma oportunidade. Na opinião dela, a visão de respeito e disciplina é o ponto forte. “Não tem atividades que tiram o foco do ensino; direcionam o aluno a aprender de verdade, ter respeito e responsabilidade. Meu filho é mais centrado e maduro que outros garotos da mesma idade”, enfatiza.

Princípios e valores

O método pedagógico, a segurança e o espaço que Fernanda, 4, teria para brincar também constaram na lista de Suelem Campelo, 32. Porém, a representante farmacêutica incluiu um item importante para a família: o ensino religioso. Por isso, visitou diferentes instituições cristãs antes de optar pelo Centro Educacional Batista da Chapada (Cebach), em 2015. Para o próximo ano, precisará mudar a menina para uma escola mais perto de casa.

“Eu sei que os primeiros anos são muito importantes e queríamos que a Fernanda tivesse uma base. E eu fiquei muito feliz, porque ela aprendeu a orar o ‘Pai Nosso’ e tem um entendimento da importância do Senhor na vida dela. Ela pensa mais antes de agir, pede perdão quando sabe que errou para deixar Jesus alegre. Diz ‘mamãe, agora eu estou com o coração limpo’ e entende que pode pedir coisas boas de Deus”, afirma.

Agora, Suelem prepara a pequena para se adaptar ao Colégio Militar da Polícia Militar (CMPM) do Parque das Laranjeiras. A mudança deve-se à distância, mas o objetivo é que a menina volta a estudar em uma escola cristã novamente. “Como o pai e eu somos ex-alunos, sabemos que o ensino é bom; fizemos questão, porque é pertinho de casa”, diz, ao ressaltar o legado do centro educacional anterior. “Ela sai de lá já escrevendo o próprio nome”, completa orgulhosa.

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