Terça-feira, 04 de Agosto de 2020
artes visuais

Espelho D'Água: obra de ativista indígena participa de prêmio nacional

Instalação sobre a água de Emerson Munduruku é selecionada no EDP das Artes, do Instituto Tomie Ohtake



WhatsApp_Image_2020-07-14_at_11.26.51_12F5C2BB-A18E-4F46-AC87-B44F84C681FC.jpeg Emerson Munduruku é biólogo, mestre em ecologia e trabalha como arte-educador em comunidades ribeirinhas (Foto: Divulgação)
14/07/2020 às 11:28

Entre centenas de inscritos, o “artivista” indígena, biólogo e arte educador, Emerson Munduruku é o único representante do Amazonas e está entre os dez selecionados para participar da 7ª edição do prêmio nacional EDP das Artes, que visa ampliar o espaço de visibilidade e valorizar as artes desenvolvidas por jovens artistas que ocupam espaços sociais e culturalmente plurais de todo o Brasil. Os selecionados irão receber apoio curatorial e uma bolsa destinada à produção de obras que serão exibidas em exposição coletiva no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

“Ser selecionada para uma premiação nacional em arte significa muito, não apenas para mim. Como indígena, é uma reafirmação de que nossas narrativas, visões e vidas importam. Como artista amazônico e periférico, esta premiação significa a ocupação dos espaços de voz e visibilidade, tão cotidianamente negados a nós pelo colonialismo que fundou e está somatizado nesta nação Brasil. É muito importante que as Artes amazônicas sejam valorizadas, não só pelo mundo, fora daqui, mas por quem é da terra”, afirma Emerson.



O grupo selecionado receberá acompanhamento personalizado da equipe de jurados do prêmio para o processo de realização das respectivas obras. A premiação se completa com a exposição dos trabalhos dos selecionados no Instituto Tomie Ohtake. A abertura da mostra e o anúncio dos três premiados, que irão ter a oportunidade de fazer residência artística na China, deverá acontecer em 1º de outubro deste ano, data ainda a se confirmar em função das orientações sanitárias e governamentais a respeito do controle da pandemia da Covid-19. 

“Estou em produção da instalação Espelho D’Água, composta por fotoperformances que apresentam a Água como a entidade que é, que tudo atravessa, conecta e reflete.  Obras de produção em parceria com os fotógrafos Matheus Belém e Katja Hoelldampf”, relata o artista.

Para esta sétima edição do Prêmio EDP nas Artes, voltado a jovens artistas de todo o Brasil, com idade entre 18 e 29 anos, o instituto havia recebido 456 inscrições de pessoas provenientes de 21 estados brasileiros e do Distrito Federal. 

Seleção

Dentre os principais critérios avaliados nas obras dos artistas estavam: questões que permeiam a pesquisa dos artistas e seus respectivos desdobramentos e realização formal, tanto em termos de linguagem quanto de materialidade; a qualidade e a consistência das pesquisas e projetos dos artistas; os temas e a proposição para a exposição, tendo em vista suas características experimentais e questionadoras; e como as produções podem iluminar questões para o circuito de arte e para a sociedade nos dias atuais.

“O Brasil é um país de dimensão continental, marcado por diferenças e particularidades culturais, mas também por uma imensa desigualdade social, racial, de gênero e sexualidade, visível no próprio campo da arte. Esta disparidade, que impacta a inserção de muitos artistas emergentes, foi considerada pelos jurados na seleção. A seleção realizada apresenta artistas que dialogaram com os princípios estabelecidos para esta edição e aponta para a diversidade da produção artística presente nas cincos regiões que formam o Brasil", destacou em nota o Instituto Tomie Ohtake.  

Ao total, foram selecionados dez artistas pelo 7º Prêmio EDP nas Artes: Arivanio Alves, Quixelo - CE; Davi de Jesus do Nascimento, Pirapora - MG; Emerson Munduruku - Uyra Sodoma, Manaus - AM; Érica Storer de Araújo, Curitiba - PR; Felipe Rezende, Salvador - BA; Gu da Cei, Ceilândia - DF; Hariel Revignet, Goiânia - GO; Luana Vitra, Contagem - MG; Talles Lopes, Anápolis - GO, e Yná Kabe Rodriguez, Brasília - DF.

Perfil - Nascido no Pará,  Emerson Munduruku, 29 anos, é biólogo, mestre em ecologia e trabalha como arte-educador em comunidades ribeirinhas, as quais considera fundamentais nos processos de conservação ambiental. Se transforma e vive Uýra Sodoma, onde vive a presença em carne de bicho e planta. Através dela, realiza fotoperformances que denunciam violências aos sistemas vivos e que anunciam histórias de encantaria e reterritorialização de vida na paisagem cidade-floresta.

Repórter de A Crítica

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