Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
FAO

Espetáculo 'Mater Dolorosa' estreia no Festival Amazonas de Ópera no sábado (25)

A peça de Giovanni Pergolesi, escrita em 1736, ganha releitura por meio do formato pastiche, com cenografia que faz alusão a problemas do mundo atual



3ca470d0-8adb-4501-9e35-1d2c2cad5eb1_A9CC2671-F01A-42ED-A3D5-8C6779902F25.jpg Foto: Divulgação
21/05/2019 às 21:12

Com uma estética repleta de simbolismos, o espetáculo "Mater Dolorosa" vai estrear no 22º Festival Amazonas de Ópera (FAO), neste sábado (25), às 20h, no Teatro Amazonas, com reapresentação no dia 29. Átila de Paula comanda a direção do espetáculo, que promete apresentar uma obra para levar o público a uma reflexão bem atual, ao misturar repertório dos séculos 17 e 18 a uma abordagem completamente inovadora.

Propondo uma reflexão crítica sobre a crise global da produção de plástico e da poluição, a peça nasce da releitura do contexto imortal de Stabat Mater, do compositor italiano Giovanni Pergolesi, que retrata musicalmente a dor de Maria ao ver seu filho Jesus na cruz.



De acordo com o diretor Átila de Paula, o formato da apresentação é o pastiche, uma prática comum na arte e que faz recortes de trabalhos e mistura estilos, numa espécie de releitura da obra. Os ‘pasticci’, como eram conhecidos, foram verdadeiros exercícios de inventividade dos teatros do século 18. Algo como um pot-pourri de hoje, onde trechos famosos de diversas óperas eram arrumadas para criar uma nova narrativa. Mater Dolorosa é justamente uma criação inventiva de um espetáculo, a partir de trabalhos variados, afirmou.

O enredo do espetáculo se apropria dos acontecimentos da Paixão de Cristo e propõe uma nova ótica, em diversos aspectos, da dor de Maria ao ver o sofrimento de seu filho. Transportamos toda a mitologia bíblica a um simbolismo contemporâneo, onde a Mãe Natureza relata sua dor ao ser destruída por sua criação, a humanidade, completou o artista.

Reflexão Átila de Paula ressalta, ainda, que toda a cenografia parte de uma estética repleta de simbolismo. Mater Dolorosa reflete complexas relações sociais, amorosas e conflituosas, mergulhando em uma profunda angústia, que fatalmente revela o fim do Homem e da Natureza, descreve.

Para dar vida a essa obra, duas solistas sobem ao palco a soprano Dhijana Nobre e a mezzo-soprano Talita Azevedo. Ambas dão voz ao personagem único da Mãe Natureza, através da música do Stabat Mater, de Pergolesi, cantata sacra na qual Mater Dolorosa” é majoritariamente baseada.

A voz e o corpo do Homem, por sua vez, serão representados pelo Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas, dramatizando as diversas necessidades do ser humano: conflito, amor, social e divertimento. Mater é um desafio a toda uma equipe multi-talentosa de artistas que, a partir de uma ideia de enredo central, dão vida a uma obra inédita, explica o diretor.

Laboratório

O espetáculo é resultado de um trabalho desenvolvido em caráter experimental pelo Laboratório de Ópera Barroca. Segundo o maestro Marcelo de Jesus, diretor artístico do FAO, este é um projeto único no Brasil e que se propõe a revisitar repertórios dos séculos 17 e 18 com nova abordagem.

Esta é a terceira edição do FAO que conta com a participação do Laboratório. O projeto carrega uma grande importância pedagógica: é uma ponte para jovens artistas alcançarem experiências profissionais no palco, tornando-se uma das importantes ações de continuidade e formação do Festival Amazonas de Ópera, esclareceu.

Diferente da ópera, que conta uma história, Marcelo de Jesus explica que o conceito de Mater Dolorosa apresenta o pensamento artístico de uma forma diferente.“A peça de Pergolesi, teoricamente, não foi escrita para esse fim, mas o Átila decidiu juntar essa música à ideia dele e criar o espetáculo, que tem um conceito bem contemporâneo, acrescentou.

Átila de Paula tem formação no Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro, espaço mantido pelo Governo do Amazonas, e cursou bacharelado em cravo, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. É formado em Instrumentos de teclados históricos, na Hochschule für Musik Karlsruhe, na Alemanha.

O festival

O FAO começou no dia 26 de abril e segue com apresentações de ópera, recitais e concertos até 30 de maio. Em 2019, o Festival celebra o centenário de nascimento do maestro e compositor amazonense Claudio Santoro. Compõe a programação do evento, a apresentação das óperas Alma, de Santoro; Ernani, de Giuseppe Verdi; Maria Stuarda, de Gaetano Donizetti; Tosca, de Giacomo Puccini; e Mater Dolorosa, baseada na cantata Stabat Mater Dolorosa, de Giovanni Pergolesi.

Os ingressos para o FAO 2019 estão à venda na bilheteria do Teatro Amazonas e pelo site Bilheteria Digital (clique aqui), com valores que vão de R$ 2,50 a R$ 60.

A programação do Festival abrange, ainda, o Recital Bradesco, com canções compostas por Claudio Santoro; o projeto Ópera Mirim; o encontro Os Teatros de Ópera e a Economia Criativa na América Latina, voltado para apresentar dados e casos de sucesso sobre a Indústria da Ópera na América Latina; e Mulheres da Ópera.

News portal1 841523c7 f273 4620 9850 2a115840b1c3
Jornalismo com credibilidade

Mais de Acritica.com

18 Nov
bradesco_C22DD61C-FE71-4FDD-BB1B-A5B7C048EF01.JPG

TRT11 celebra acordo de R$ 1,1 milhão entre Bradesco e ex-funcionária

18/11/2019 às 11:20

A bancária ingressou com reclamação trabalhista contra o HSBC e o Bradesco em novembro de 2016, pretendendo receber o pagamento de diferenças salariais, horas extras, tempo a disposição da instituição financeira durante as viagens, além indenização pelos danos morais sofridos no ambiente de trabalho


Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.