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Estilista Fátima Pires fala sobre seu trabalho na alta costura

Uma das raras representantes do segmento no Brasil, a estilista paranaense virá a Manaus no próximo dia 30, quinta-feira, para uma palestra sobre o tema 21/09/2015 às 14:18
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Paranaense, Fátima abriu seu ateliê em São Paulo há 15 anos
Jony Clay Borges Manaus (AM)

Alta costura é para poucos: nesse mercado de criações únicas, feitas sob medida por marcas e estilistas de renome, um vestido exclusivo de um ateliê internacional não custa menos de US$ 15 mil.

Quem conhece bem esse cenário é Fátima Pires: uma das raras representantes do segmento no Brasil, a estilista paranaense virá a Manaus no próximo dia 30, quinta-feira, para uma palestra sobre o tema.

“Vou falar sobre o que é classificado como alta costura, quem usa, quanto custa uma peça, como ela é confeccionada, quanto tempo demora. Enfim, todo o universo em torno dela”, explica Fátima, em entrevista exclusiva à reportagem por telefone.

Adiantando um pouco do tema, ela enfatiza o caráter diferenciado da clientela do segmento. “A alta costura é para um público classe A, extremamente seleto. É um cliente diferenciado, que sabe o que quer, tem poder de compra e está focado naquele produto”, define ela, que compara o segmento ao da arte.

“Se você tomar o Dior, por exemplo. Em seu ateliê, ele produz no máximo 50 vestidos por ano. São peças extremamente únicas, como se fosse um quadro pintado por um artista”, diz.

Esmero e sofisticação

Fátima sabe bem do que fala: como em qualquer ateliê do cenário internacional, ela emprega o mesmo cuidado na confecção das peças, com atenção aos detalhes e materiais de primeira qualidade.

“Quando vou fazer um vestido, não delego tarefas a ninguém: eu mesma vou atrás do tecido, dos bordados. Tenho minhas assistentes, costureiras, bordadeiras, claro, toda uma equipe. Mas ninguém faz nada sem minha orientação”, diz.

Tal devoção, naturalmente, demanda seu tempo: uma peça pode levar de alguns meses até um ano e meio para ficar pronta. “São vários profissionais que fazem, às vezes cinco, sete pessoas. O tempo depende do vestido, do timing, do quanto a cliente quer gastar”, explica ela, que em sua vinda a Manaus vai trazer uma peça que levou três meses apenas para receber o bordado. “Quem trabalha com moda vive uma adrenalina a cada minuto. E na hora de vestir, não pode ter defeito algum, tem de estar perfeito”, comenta.

Fátima atende às clientes sempre à tarde, no ateliê que abriu há quase dez anos na Vila Conceição, em São Paulo. Mas a agenda da estilista, que recebe clientes de outras cidades do País, é flexível.

“Às vezes atendo aos sábados ou domingos, ou à noite. Já cheguei a sair meia-noite, atendendo a pessoas de outros lugares e países. Trabalho conforme o público na minha agenda”, explica.

Antes de abrir seu ateliê, Fátima formou-se em Moda e fez especialização em lugares como o Institut Français de La Mode (Paris). Também estudou e trabalhou em cidades da Itália, Inglaterra e Estados Unidos. Ainda hoje, ela corre o mundo para se manter em sintonia com as tendências. “Viajo pelo menos quatro vezes por ano a Paris ou Nova York. Faço pesquisa de mercado. O estilista tem de pôr a mão na massa, viajar, fazer pesquisa”, sentencia.

Paixão pela moda

A moda, vale dizer, sempre fez parte da vida de Fátima. “Quando era criança, minha mãe fazia trabalhos artesanais, manuais. Trabalhei também como modelo. Comecei na moda na verdade aos 24 anos”, conta. O início da carreira, ela recorda, foi modesto. “Comecei pequena, simples, e fui adquirindo nome. Uma época trabalhei para Daslu, Le Lis Blanc, como diretora. Trabalhei para fora do Brasil”, diz.

Nesse trabalho “de formiguinha”, como define, Fátima conquistou espaço aos poucos, no boca a boca. Após abrir o Atelier Fátima Pires, o passo seguinte foi trabalhar com a própria marca. “Minhas peças são únicas e exclusivas. Tenho meu público, que quer uma roupa única, sob medida, e não entrar numa loja e ver quatro vestidos iguais”, explica.

Ter o nome estabelecido no universo da alta costura permitiu a Fátima, reiterando a comparação do início, trabalhar na moda como um artista em sua arte. “Nunca gostei de trabalhar com público de massa. Fazer coisas em série é mais difícil que atender a uma cliente específica. Todo estilista da alta costura é como um artista: ele não faz  pelo dinheiro, mas porque ama”.

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