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Estreia: 'Star Wars: O Despertar da Força' traz novo fôlego à franquia criada na década de 70

A produção pode arrecadar 2,8 bilhões de dólares em todo o mundo, escreveu analista da consultoria JBL Advisors. Isso deixaria o novo episódio no mesmo patamar de "Avatar", de 2009, a maior bilheteria de todos os tempos 17/12/2015 às 11:02
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"'O Despertar da Força' redespertou meu amor pelo primeiro filme,", disse o criador da saga, George Lucas
Alysson Oliveira, do Cineweb ---

A galáxia pode respirar tranquila, “Star Wars: O Despertar da Força” está mais próximo da trilogia original (1977-1983) do que das prequels (1999-2005). J.J. Abrams, que além de dirigir assina o roteiro com Lawrence Kasdan e Michael Arndt, injeta um novo fôlego, e, em alguns momentos um excesso de reverência, que não chega a ser um grande problema.

Um tipo de humor – que beira a ingenuidade, talvez típico dos anos de 1970, e ausente dos filmes mais recentes – materializa-se aqui, tornando os personagens mais humanos. A ideia talvez seja exatamente resgatar o espírito do passado que foi ignorado nos outros filmes – e a presença de Harrison Ford e Carrie Fisher é uma prova disso, colocando-os ao lado dos novatos na série Oscar Isaac, Daisy Ridley e John Boyega, esses dois os verdadeiros protagonistas do filme.

O centro da trama é um jovem Stormtrooper (Boyega) que se revolta e se une aos rebeldes, quando conhece Poe (Isaac), a quem ajuda a fugir, e este acaba dando ao rapaz o nome de Finn. Nesse sentido, “O Despertar da Força” é exatamente sobre a jornada da construção do herói. Finn, que até então era apenas um número, confessa que não conhece nada do mundo. Seu processo de amadurecimento é um dos temas do filme.

Sintonizado com as sensibilidades contemporâneas, o longa também precisa de uma heroína, Ray (Daysi), uma jovem solitária que vive do pouco que consegue ao juntar e vender lixo. O caminho dos dois se cruza e eles se descobrem mais fortes e poderosos do que imaginavam. A linha narrativa é a procura por Luke Skywalker (Hamill), que está desparecido. Sua irmã Leia (Carrie Fisher), agora uma general, move todos os esforços possíveis para encontrá-lo – até escalar Han Solo (Ford) – mas só lhe resta um mapa incompleto.

Se Poe, Finn e Ray são os substitutos de Luke, Han e Leia, o filme então dá uma piscadela para as sensibilidades contemporâneas representando a diversidade exigida pelos mercados do mundo globalizado. Não que os filmes anteriores – especialmente a trilogia original (sobre a segunda há dúvidas) – não estivessem alinhados com a sensibilidade de seu tempo. Leia, quando ainda uma princesa, era a representante da chamada “Segunda Onda do Feminismo”, fosse empunhando uma arma, ou com suas vestes metálicas mínimas.

Acontece que aqui, ela e Ford especialmente, ficam no posto de coadjuvantes. A rigor, a personagem dela é mais bem resolvida, ao contrário da dele, cuja função, em boa parte do tempo, é falar frases de duplo sentido que remetem aos filmes originais, e que só devem ser decodificadas por fãs de carteirinha mesmo.

Temas caros à série – como a guerra e a questão da paternidade – se fazem presentes no filme, mas não apenas numa chave nostálgica. Abrams sabe que os tempos são outros e que “Stars Wars” – num passado não tão remoto no Brasil chamado de “Guerra nas Estrelas” – é objeto de culto e admiração. Ele, no entanto, não faz um filme apenas para os iniciados, remete ao passado, mas também é capaz de situar o novo público.

Primeiras críticas não poupam elogios

Os críticos são quase unânimes: a Força voltou com tudo. "Star Wars: O Despertar da Força" é um acréscimo mais do que digno à emblemática franquia cinematográfica, disseram comentaristas e fãs.

O filme, que já obteve uma nota média de 9,1 no site de cinema IMDB, estreia nos Estados Unidos na sexta-feira.

"A grande notícia sobre 'Star Wars: O Despertar da Força' é – alerta de spoiler – que é bom!", opinou Manohla Dargis, do jornal New York Times. "(O diretor J.J. Abrams) não fez um filme para iniciados; fez um filme para todo mundo (bom, quase)."

O criador da saga, George Lucas, vendeu "Star Wars" aos estúdios Disney em 2012 por cerca de 4 bilhões de dólares. "'O Despertar da Força' redespertou meu amor pelo primeiro filme, e transformou o garoto fã em um fã adulto", confessou Peter Bradshaw, do diário Guardian.

As resenhas do filme só foram liberadas nesta quarta-feira, e analistas devem informar as primeiras projeções de seu potencial lucrativo após o primeiro fim de semana de exibição.

A produção pode arrecadar 2,8 bilhões de dólares em todo o mundo, escreveu o analista Jeffrey Logsdon, da consultoria JBL Advisors, em uma nota de pesquisa a seus clientes. Isso deixaria o novo episódio no mesmo patamar de "Avatar", de 2009, a maior bilheteria de todos os tempos.

Mas também houve críticas negativas

"O roteiro apela muito para explicações para preencher o intervalo de 30 anos entre os acontecimentos deste filme e os de 'O Retorno de Jedi'. Você fica ansiando para que a coisa acelere, mas em termos mais sutis, menos arrastados", sentenciou Justin Chang, principal crítico de cinema da revista Variety.

Ainda assim, os fãs é que terão a última palavra. "Esperamos... e esperamos... e aí está! 'O Despertar da Força' é tudo que nos apaixonou em Star Wars", escreveu um fã no IMDB.

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