Sábado, 24 de Agosto de 2019
MODA

Estudante amazonense de Moda é vencedora por voto popular em concurso da FAAP-SP

Intitulada "Soldados da Borracha" a coleção faz uma verdadeira imersão sobre o ciclo com foco na vida dos trabalhadores dos seringais. O avô de Otília, seringueiro dessa época, é a peça fundamental que inspirou a criação



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07/12/2016 às 05:00

Na contramão da ostentação da belle époque, bem distante dos belos vestidos elaborados com os mais nobres tecidos, e trajes de gala ornados com belas joias que enfeitavam a alta sociedade no início do século XX. Mais próximo da floresta, dos igarapés e rios, na força da natureza e no suor e trabalho dos seringueiros inspira a moda. É nesse ambiente que a amazonense Carolina Otília Martins Freire Costa, 20, do 5° período de moda da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), de São Paulo, resolveu instalar a sua criatividade. Recontar a saga dos seringueiros na Amazônia foi seu principal objetivo no concurso anual da FAAP, que teve sua final ocorrida no último dia 28 de novembro.

Intitulada "Soldados da Borracha" a coleção faz uma verdadeira imersão sobre o ciclo com foco na vida dos trabalhadores dos seringais. O avô de Otília, seringueiro dessa época, é a peça fundamental que inspirou a criação.

"As peças vêm modeladas no conservadorismo comportamental da época em contraste com a modernidade que o ciclo da borracha imprimiu nos estados do Norte. Prioriza-se tecidos naturais como se usava predominantemente. As cores marcam o cotidiano dos protagonistas, suas roupas manchadas pela água do rio cheia de cauxi, os tons claros que usavam para afastar os carapanãs, as vestimentas de seus barões, a terra úmida em que pisavam, a mata imensa, a escuridão que lhes acordava para partir rumo à tentativa de sobrevivência", relata a estudante.

O concurso

A primeira fase do concurso é aberta a todos os semestres do curso de Design de Moda e ex-alunos com até 1 ano de formado. Seis alunos foram selecionados com base em projetos/croquis para uma mini-coleção, apresentados inicialmente para uma banca de professores. Estes seis finalistas receberam acompanhamento de profissionais nas áreas de modelagem, styling, beauty, direção de arte, trilha sonora e casting.

Os vencedores foram eleitos por um Júri composto por nomes importantes da moda como Barbara Migliori, Gloria Coelho, Adriana Bozon, Alexandre Herchcovitch, Eduardo Toldi e os professores Fernanda Binotti e Lorenzo Merlino. A vencedora do Júri foi Elisa Sonnervig. Pedro Novizala e Ana Luísa Fernandes ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente. Já a vencedora do voto do público foi Otilia.

1ª Como surgiu o conceito da coleção? Onde nasceu a ideia?

A ideia da coleção surgiu quando eu pensei que seria interessante contar uma história real em roupas. Eu queria fazer algo que tivesse muito a ver comigo e ao mesmo tempo tivesse que pesquisar bastante. Tive a ideia de fazer sobre os seringueiros da borracha porque meu avô era seringueiro e achei que seria legal aprender mais e contar pros outros essa história.

2ª Como vê a possibilidade de divulgar a região amazônica nacionalmente?

Divulgar a região amazônica é uma das minhas grandes ambições nessa carreira. Não farei sempre somente isso, ainda irei usar temas variados do mundo todo nas minhas roupas, mas poder ter começado meu trabalho com um tema desse e ver como o resto do Brasil precisa conhecer melhor nossa região me deu uma sensação de realização muito grande. Me senti muito bem podendo mostrar como nossa cultura é rica e vou usar isso em muitos trabalhos ainda, foi uma satisfação e orgulho enorme. Sou apaixonada pela minha terra e quero que o Brasil inteiro seja também.

3ª Como foi participar do concurso e ter Carol Ribeiro no seu casting?

O concurso é realizado todo ano pela minha faculdade, a FAAP. Na primeira fase todos os alunos da faculdade de Moda podem se inscrever e são selecionados apenas seis para a segunda fase (que é o desfile), escolhidos por um grupo de nomes grandes da Moda. Esse ano tivemos Alexandre Herchcovitch, Paula Raia, Lorenzo Merlino e Dudu Toldi e outros. Antes do desfile, recebemos apoio de grandes profissionais da área, stylists, modelistas, maquiadores, compositores de trilha sonora, diretores de casting renomados para compor os looks e desfile. São pessoas que trabalham dia a dia com outros estilistas já firmados no ramo, que trabalham no SPFW e que nós, participantes, temos o privilégio de trabalhar no concurso conosco. Foi numa reunião de casting que me sugeriram a Carol Ribeiro, por ser nascida do Norte e ter o perfil físico que eu procurava pras minhas modelos. A faculdade se encarrega de contratar as modelos.

4ª Nos conte sobre o início da sua trajetória? Quando decidiu estudar moda?

Com 15 anos comecei um blog pra fazer resenha dos desfiles que gostava, fiz uns trabalhinhos pra lojas ainda durante a escola e sempre desenhei todas as minhas roupas pra eventos especiais (festas de 15 anos das minhas amigas e até os meus próprios vestidos da minha festa)... Foi juntando essas experiências que vi que considerar a Moda como profissão seria uma boa. Estou no sexto semestre agora e a faculdade vem sendo uma experiência incrível e enriquecedora; ano que vem penso em lançar minha primeira coleção cápsula pra ser comercializada e já estou fazendo versões mais comerciais dos looks que apresentei no desfile (porque no desfile eles estavam mais conceituais).

Perfil

Carolina Otília Martins Freire Costa é amazonense, tem 20 anos, e desde a infância tem uma afinidade com moda. Começou desenhando vestidos de noivas para suas amigas aos seis anos e desde então, nunca mais parou de desenhar. Na adolescência, ela começou a ler e pesquisar sobre o universo e a indústria da moda. Hoje, aos 20 anos, ela cursa 5° período de moda da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), em SP.

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