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Estúdio de games em Manaus lança primeiro jogo autoral

No game, disponível gratuitamente na Play Store e Samsung Galaxy Apps, o jogador controla Jake ou Tess, um dos irmãos que vão para um estranho mundo 06/11/2015 às 15:57
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A premissa interativa e que apela para a criatividade do usuário é o chamariz do ‘Finding Monsters Adventure’
Lucas Jardim Manaus (AM)

Você está dormindo placidamente quando, do nada, é sugado(a) por um portal mágico a um mundo povoado por estranhas criaturas, as quais você deverá... fotografar. A premissa interativa e que apela para a criatividade do usuário é o chamariz do ‘Finding Monsters Adventure’, jogo desenvolvido para plataformas móveis, lançado recentemente e criado no Black River, estúdio de games instalado em Manaus.

No game, disponível gratuitamente na Play Store e Samsung Galaxy Apps, o jogador controla Jake ou Tess, um dos irmãos que vão parar no mundo além do portal. Uma vez lá, o que vale é desenvoltura na hora de tirar fotos dos monstros: quanto mais criativas forem as imagens, maior a pontuação. Para os mais imersos na cultura digital, há ainda um modo que permite tirar selfies com os monstros e todas as fotos clicadas no game podem ser compartilhadas nas redes sociais na hora.

Produção

 

Segundo Edval Lago, produtor do estúdio, a decisão de que o ato de fotografar seria central ao jogo veio bem cedo no processo de produção, pesando nela o fato de que o giroscópio presente na maioria dos smartphones e tablets seria bastante utilizado dessa forma.

Decidido isso, a equipe elaborou uma história básica, que acabou virando roteiro pelas mãos de Martin Olson, que já trabalhou em animações como “Hora de Aventura”, "Phineas & Ferb" e "Bob Esponja" e já foi indicado ao Emmy, maior prêmio da TV dos EUA.

“A participação do Martin aconteceu por conta do Chris Smith, diretor de arte aqui no Black River que já tinha trabalhado com ele em outro projeto. Quando ele jogou a ideia de entrar em contato com ele, pensamos: ‘Poderíamos dar outro valor ao jogo com um roteiro mais profundo?’ Acabou que ele desenvolveu bastante os mundos e os personagens dos quais só tínhamos uma ideia”, contou Edval.

Influências


Tanto o roteiro quanto o próprio “look” do jogo remetem a várias influências, em parte por conta de todo o processo colaborativo envolvido na criação dele e também pelo público amplo que o Black River busca atingir. “Decisões estéticas pesam quando você tem que decidir se seu jogo vai ser só para crianças ou se vai tentar atrair adolescentes também. Essa decisão também afeta o ‘gameplay’”, explicou André Araújo, coordenador do estúdio.

André e Edval comentam a grande influência que os filmes do estúdio Disney tiveram na experiência no game. De fato, o clima de aventura infantil não faria feio em uma animação da Casa do Camundongo e a premissa carrega muito da adaptação de “Alice no País das Maravilhas” feita por ela nos anos 50.

Em termos de jogabilidade, ambos declaram que os jogos da gigante Nintendo inspiraram muito do que foi feito em “Finding”. “A maioria dos nossos funcionários cresceu jogando os games da Nintendo, então seria muito difícil eles não serem uma influência. Além do mais, eles têm uma tradição de serem jogos simples e muito bem feitos e era nossa maior vontade fazer um assim”, disse Edval.

Novas mídias


A construção do universo do jogo foi feita de forma a possibilitar sua expansão, inclusive para outras mídias, o que seus criadores consideram uma de suas grandes vantagens. “A gente acredita que o mundo do ‘Finding’ possa ser explorado em diversos outros jogos ou mesmo em mídias que  não jogos, o que é empolgante”, declarou André.

Antes, no entanto, o coordenador do estúdio anunciou uma versão para óculos de realidade virtual  do jogo, que eleva bastante seu caráter interativo. Segundo ele, ela estará disponível ainda este ano.

Autoral


Foto: Antonio Menezes

“Finding” é o primeiro game autoral a sair do estúdio, criado em 2013 para compor o Samsung Instituto de Desenvolvimento de Informática para Amazônia (Sidia), complexo de pesquisa e desenvolvimento mantido pela empresa sul-coreana na capital amazonense. 

Além de atender pedidos da empresa que lhe patrocina, tais como seu projeto anterior, o jogo “Galaxy 11 Invasion”, o Black River também tem liberdade para tocar seus próprios projetos.

Segundo André, o foco do estúdio ainda não é lucrar, mas explorar ao máximo as capacidades dos smartphones e tablets para jogos. “Isso dá à equipe a uma capacidade única de experimentar, livre das expectativas de mercado”, comentou Edval.

Para o coordenador do Black River, esse processo resultou nos criadores se envolvendo sobremaneira no resultado final. “Todos aqui se doaram bastante para o projeto do ‘Finding’. Você tinha que ver, quando alguém criava um monstro para o jogo, ele virava ‘o monstro dele’ [risos]. Foi um projeto bastante pessoal para todos”, concluiu André.

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