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Estudo mostra que crianças até seis anos ‘mandam e desmandam’ na TV usada pela família

Pesquisa apontou que 33% dos pequenos opinam diretamente na programação e 18% deles são ouvidos pelos pais na hora de assinar um pacote. Em Manaus, pais comentam sobre a influência do aparelho na vida social dos filhos 27/09/2014 às 20:11
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Pais de Beatriz, de 4 anos, contam que assistem programas preferidos da filha
RAFAEL SEIXAS Manaus (AM)

Todo mundo já foi criança e fez de tudo para ficar “grudado” na telinha para não perder o melhor momento do desenho animado favorito. A mãe podia até chamar, mas quem nunca inventou uma desculpinha barata para ganhar uns minutos ou horas? Hoje em dia, os pequenos estão cada vez mais à frente do comando do controle da TV e até na programação televisiva de casa.

Segundo a pesquisa Papagaio Pipa 2014, realizada entre abril e maio pela MultiFocus Inteligência de Mercado, crianças de até seis anos de idade mandam no controle remoto e optam na escolha do pacote de TV paga que será assinado pela família.

O estudo, realizado em 580 lares com crianças, em 12 capitais do Brasil, foi apresentado no comKids Primeira Infância, evento que discute sobre o conteúdo audiovisual de qualidade direcionado às crianças. De acordo com a pesquisa, 33% delas, com idades entre quatro e seis anos, opinam diretamente na programação de TV que a família toda vai assistir. Em média, 18% são ouvidas pelos pais na hora de assinar um pacote de TV paga.

De olho na telinha

Em Manaus, a pequena Beatriz Andrelino Gomes, de 4 anos de idade, opina na programação de TV, conforme disse a sua mãe. “Ela opina, pois sabe a grade de horários em que os desenhos passam”, declarou Lucy Andrelino, advogada. Os canais favoritos de Beatriz são Discovery Kids e Disney Junior. Sem contar os DVD’s de filmes e seriados infantis, os desenhos prediletos são “Peppa Pig”, “Jake e os piratas da Terra do Nunca”, “Princesinha Sofia”, “Angelina Ballerina”, “Hi-5” e “Dora, a aventureira”.

A mãe coruja contou que a filha sempre tenta “ganhar tempo” quando está assistindo algo na TV. “Falo: ‘Vem tomar banho’. Ela responde: ‘Mãe, espera só passar essa parte que eu vou ou dá um pause, porque, senão, vou perder essa parte’”.

O empresário André Gomes, pai de Beatriz, contou à reportagem uma das peripécias de sua filha, quando a pequena dormiu em seu apartamento, revelando a força que alguns desenhos têm sob as crianças.

“Houve uma situação inusitada em que ela me acordou num domingo de manhã querendo que eu fizesse nela um penteado igual ao da Anna do filme ‘Frozen’ (animação da Disney). Detalhe, eu não tinha a menor ideia de quem era a tal Anna, porque não tinha assistido ao filme. Resultado: lá fui eu pesquisar na Internet de quem se tratava. Depois, eu tive que fazer as tranças nos cabelos encaracolados da Bia. Foi demais (risos).

Na casa de Gabriela Brasil, o filho, Filipe Gabriel, de cinco anos de idade, também comanda o controle remoto. Basicamente, os canais favoritos são os mesmo de Bia. “Ele opina para assistir à programação. É muito raro eu assistir TV, pois, quando a gente chega, ele assiste um pouco de TV, jantamos e vamos dormir”, explicou.

Quando está concentrado no desenho, Gabriel chama a atenção se alguém faz barulho. “Ele reclama quando estamos falando próximo ou do lado dele. Ele diz: ‘Silêncio, por favor. Vocês estão me atrapalhando’”.

A cirurgiã dentista Naimy Santiago, mãe da Letícia, de 4 anos, contou que a sua filha não opina na programação de casa porque tem a sua própria TV. Contudo, sempre monitora o que ela está assistindo. A profissional também disse que a Letícia lhe faz cantar algumas canções dos desenhos favoritos. “Faço com tanto prazer!”.

Todos os pais entrevistados garantiram que há muitos programas que colaboram com o desenvolvimento intelectual e social da criança, assim como há outros que prejudicam. “Alguns programas da rede Discovery e da Disney são muito lúdicos e de caráter educativo, ajudando na interação com os adultos e com as crianças da mesma idade dela”, explicou o pai de Bia.

Desenvolvimento

Segundo a psicóloga Ana Caroline Ferreira, não adianta a criança de 3 anos estar assistindo a um programa educativo para a faixa etária de 12 anos. “O desenvolvimento do cérebro é diferente. Os pais precisam ficar atentos a isso, mas, de qualquer forma, esses programas são saudáveis, claro que tudo com limites”, garante.

“Tudo em excesso deixa de ser saudável, então seria importante além da criança assistir aos programas educativos, que ela praticasse essas atividades. Por exemplo, existem desenhos animados que mostram o abecedário, então seria legal que ela colocasse em prática o que está aprendendo”, acrescentou. 

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