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‘Eu me comprometi com a beleza’, diz cantor Ivan Lins em entrevista

Canto que fará show em Manaus nesta sexta (21) fala sobre pontos altos de sua carreira e seu mais recente trabalho, o álbum “América, Brasil” 20/08/2015 às 16:36
Show 1
Artista dá receita de sua eterna jovialidade: “Adoro a vida e procuro ser a melhor pessoa possível. Sorrio muito”
JONY CLAY BORGES ---

Ivan Lins exibe números invejáveis em sua trajetória: já são 70 anos de vida, dos quais 45 dedicados a uma carreira de projeção internacional, com praticamente um álbum lançado a cada ano e incontáveis parcerias com artistas brasileiros e de outros países.

Fazendo um balanço desse caminho, o artista carioca avalia que a única coisa de que nunca abriu mão em seu trabalho foi a beleza.

“Eu me comprometi com a beleza, e tive uma acolhida fantástica no mundo todo, principalmente do meu povinho querido”, declara o músico, que estará em Manaus na sexta-feira para um show no Teatro Amazonas, dentro de evento cultural promovido pela construtora Colmeia para convidados.

Em entrevista por email a A CRÍTICA, Ivan Lins fala também sobre os pontos altos de sua carreira, sobre seu mais recente trabalho, “América, Brasil”, e sobre sua visão da atual música brasileira. E revela ainda um pouco do segredo de sua incrível jovialidade: “Sorrio muito”.

Você está comemorando 70 anos de vida e 45 de carreira. Que balanço faz de sua trajetória na música?

Ela passou muito rápido. Acho que plantei um belo jardim de canções, onde prevaleceu minha visão de tudo o que nossa realidade, tanto social como afetiva, mexeu com meus sentimentos. Eu me comprometi com a beleza, e tive uma acolhida fantástica no mundo todo, principalmente do meu povinho querido.

Quais considera serem os pontos altos de sua carreira?

Houve muitos. Poderia citar os vários prêmios que ganhei, ou os nomes nacionais e internacionais que gravaram minhas canções, ou mesmo os grandes parceiros que letraram minhas melodias, ou os discos que venderam muito, mas vou ficar com um evento, dentre vários muito significativos. Foi o primeiro Rock in Rio, em janeiro de 1985, quando cantei e pus em delírio mais de 100 mil pessoas, quando a crítica roqueira e ingênua da época me bombardeava, não querendo que eu estivesse ali. Foi fascinante.

Como define sua fase atual na carreira?

Menos ansiosa, mais tranquila, em que não preciso provar nada a mais ninguém, ainda muito inspirada, com muita coisa nova, mas guardando tudo no meu cofre de pérolas, pois o mercado musical hoje não está absorvendo qualidade como há 20, 30, 40, 50 anos atrás.

Seu novo álbum, “América, Brasil” traz canções suas já gravadas por outros artistas. Como foi o trabalho de se reapropriar, por assim dizer, dessas músicas?

Com grande curiosidade e motivação, como se estivesse gravando canções inéditas, simplesmente pelo fato de eu nunca tê-las gravado. Adorei vesti-las do meu jeito.

Em 45 anos de carreira, você lançou 46 álbuns. Você se considera um “workaholic” da música?

Talvez isso possa ser verdade. Afinal, só vivi da música. Tudo que tenho, que construí na vida foi por meio da qualidade de minha música. Mas posso dizer hoje que já não trabalho com a voracidade de tempos atrás.

Como é seu processo de criação? Você acompanha a inspiração do momento ou segue uma rotina de trabalho?

Não tenho regras. E a graça está aí. Sou muito criativo,e não me aperto, se estiver havendo motivação. A motivação é tudo. Detesto rotina, apesar de eu ser muito organizado. Mas só sei desarumar uma cama se ela estiver arrumada (risos).

Como é seu cotidiano? Como você concilia a vida pessoal com o trabalho em shows, turnês e estúdios?

Meu cotidiano não segue uma regra rígida. Gosto de muitas coisas. De caminhar, de fotografia, de colecionar e cuidar de minhas cachaças, de organizar minhas coisas, decorar meu espaço de trabalho. De estar com minha mulher, sair de vez em quando, ler livros policiais, ver um filminho na TV ou num cinema. Adoro assistir a esportes na televisão, pois pratiquei esportes minha vida quase toda, ir a um restaurante comer bem, tomar um bom vinho com minha mulher e/ou com meus amigos, escrever textos na Internet, ou só pra mim, visitar meus netos. E ainda sobra tempo para fazer um showzinho aqui, outro ali, e compor umas coisa bonitas. A vida é para ser vivida. Portanto, vamos a ela.

Aos 70 anos você exibe incrível jovialidade e boa forma. Como cuida do corpo? Alimentação e saúde são preocupações no seu dia a dia? Pratica exercícios físicos?

Faço ginástica de vez em quando. Caminho de vez em quando. Eu me alimento bem, talvez um pouco demais... (risos) Adoro a vida e procuro ser a melhor pessoa possível. Sorrio muito. Gosto de pessoas... menos das chatas, claro.

Como você avalia o atual cenário da música no Brasil?

Preocupante. Na mídia aberta, com raríssimas exceções, a musica de qualidade, ou seja, a verdadeira música brasileira que conquistou o mundo, não aparece mais. Desapareceu, dando espaço para uma música descartável de qualidade muito inferior, que representa o estado de ignorância em que o país mergulhou, com a complacência do Estado, que não tem, na pratica, nenhum interesse em melhorar a educação no País.

Sobra a Internet, que ainda não é um veículo que possa dar sustentação de sobrevivência a quem produz musica de alto nível.

Um de seus projetos futuros inclui um disco de temática caipira e música de raiz com Rafael Altério. O que o atrai nesses gêneros musicais? E o projeto já está caminhando?

Eu adoro musica regional autêntica brasileira. Aprendi a gostar com meu mais importante parceiro, Vitor Martins. É uma musica que muito me comove. Por isso mergulho também nela.

O trabalho com o Rafael deve ficar pronto ainda este ano. E está lindo. Emocionante.

O que pode adiantar sobre o show em Manaus?

Cantarei canções bem conhecidas do público brasileiro, e talvez uma ou duas menos conhecidas. Mas “Madalena” e “Vitoriosa” estarão lá.

Que recado deixa para os fãs amazonenses?

Que estejam mais atentos às promessas dos políticos. Que não se deixem levar pela conversa mole deles. E que se conectem cada vez mais com as coisas belas. As coisas belas só pertencem a quem as ama.

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