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Expedição gastronômica pelo Alto Rio Negro vai propor feira gastronômica indígena

Viagem levou diversos pesquisadores à região. Pesquisa pertence à chef de cozinha Elisângela Valle 16/11/2015 às 18:53
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A expedição foi composta por chef de cozinha pesquisador, antropólogo, médico, bioquímico, engenheiro de alimentos, entre outros
Laynna Feitoza Manaus, AM

Aquele velho mito, em parte disseminado por nossos avós, de que comer formiga faz bem para a visão pode ser enfim justificado. O tópico está na lista de propostas da chef de cozinha Elisângela Valle, que passou cinco dias em uma expedição gastronômica pelo Alto Rio Negro, com o objetivo de assinalar quais alimentos da culinária local possuem potencial de comércio. Além disso, outros objetos da pesquisa envolvem tudo o que cerca o alimento, como as questões artísticas, antropológicas e mitológicas.

Doutoranda em educação pela Universidade Nacional do Rosario, na Argentina, Elisângela – que esteve na viagem com uma série de profissionais – explica que todos os tópicos percebidos na expedição resultarão em um relatório a ser encaminhado para o Sebrae, apoiador do projeto, para aprovação e, futuramente, execução.

“Na equipe nós tivemos uma engenharia química, especialista em tecnologia do alimento. Ela trouxe as formigas saúva e maniwara para análise no laboratório de tecnologia de alimento da Ufam. Nós suspeitamos que a formiga contenha grande quantidade de vitamina A, que faz bem para a visão. Se for mesmo isso, estaremos justificando o mito”, pondera Valle, que é chef do Tambaqui de Banda.

Diagnoses

Outra questão identificada pela equipe de Elisângela é a necessidade de haver uma feira gastronômica indígena durante o Festribal – evento importante em São Gabriel da Cachoeira. “Ao todo, há 23 etnias em São Gabriel, então o ideal seriam 23 barracas no festival. Cada uma trazendo a sua culinária”, destaca ela. “Vamos também propor ao Sebrae que os próprios produtos de lá tenham registrado na embalagem o seu valor nutricional”.

Ainda conforme observado por Valle, os restaurantes locais da região não fazem comidas tradicionais indígenas – segundo os empresários, porque os moradores não gostam. “Mas dois americanos estão criando uma agência de viagens lá, o que vai movimentar bastante o turismo na região. A gente propôs aos empresários de restaurantes de lá que tivessem um cardápio para o dia a dia e um cardápio para turistas, com comidas típicas. E não só com a comida, mas sim sua história e o que ela simboliza”, coloca.

Um curso de pós-graduação de gastronomia indígena pela UEA e um produto de comunicação visual, similar a um documentário ou um mapa, que mapeie os produtos por área e ajude as pessoas a conhecerem a cultura alimentar da região também estão entre as propostas para aprovação que devem ser encaminhadas ao Sebrae.

Olhares de fora

A jornalista e pesquisadora do site Letras Saborosas (RR), Denise Rohnelt, compôs o grupo que acompanhou Elisângela à expedição. “Vi que a quinhampira é muito parecida com a nossa damorida,  um caldo de peixe com pimentas variadas e tucupi preto. Vi mais preparações para aprender, verificar os modos de fazer e os ingredientes deles, e também vimos o caso de sucesso que é a pimenta baniwa, projeto do ISA e outros parceiros”, assegura ela.

Já a artista plástica e documentarista Floriana Breyer (SP) teve o papel de fazer o registro audiovisual da expedição. “A beleza da paisagem, a riqueza de etnias e costumes locais aliados à diversidade de ingredientes e modos de produção tradicional proporcionaram uma experiência inesquecível e reveladora”, diz ela, lembrando que a equipe pretende apresentar para a comunidade de lá os resultados da primeira expedição em vídeo-documentário.


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