Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019
Vida

Expedição gastronômica pelo Alto Rio Negro vai propor feira gastronômica indígena

Viagem levou diversos pesquisadores à região. Pesquisa pertence à chef de cozinha Elisângela Valle



1.jpg A expedição foi composta por chef de cozinha pesquisador, antropólogo, médico, bioquímico, engenheiro de alimentos, entre outros
16/11/2015 às 18:53

Aquele velho mito, em parte disseminado por nossos avós, de que comer formiga faz bem para a visão pode ser enfim justificado. O tópico está na lista de propostas da chef de cozinha Elisângela Valle, que passou cinco dias em uma expedição gastronômica pelo Alto Rio Negro, com o objetivo de assinalar quais alimentos da culinária local possuem potencial de comércio. Além disso, outros objetos da pesquisa envolvem tudo o que cerca o alimento, como as questões artísticas, antropológicas e mitológicas.

Doutoranda em educação pela Universidade Nacional do Rosario, na Argentina, Elisângela – que esteve na viagem com uma série de profissionais – explica que todos os tópicos percebidos na expedição resultarão em um relatório a ser encaminhado para o Sebrae, apoiador do projeto, para aprovação e, futuramente, execução.



“Na equipe nós tivemos uma engenharia química, especialista em tecnologia do alimento. Ela trouxe as formigas saúva e maniwara para análise no laboratório de tecnologia de alimento da Ufam. Nós suspeitamos que a formiga contenha grande quantidade de vitamina A, que faz bem para a visão. Se for mesmo isso, estaremos justificando o mito”, pondera Valle, que é chef do Tambaqui de Banda.

Diagnoses

Outra questão identificada pela equipe de Elisângela é a necessidade de haver uma feira gastronômica indígena durante o Festribal – evento importante em São Gabriel da Cachoeira. “Ao todo, há 23 etnias em São Gabriel, então o ideal seriam 23 barracas no festival. Cada uma trazendo a sua culinária”, destaca ela. “Vamos também propor ao Sebrae que os próprios produtos de lá tenham registrado na embalagem o seu valor nutricional”.

Ainda conforme observado por Valle, os restaurantes locais da região não fazem comidas tradicionais indígenas – segundo os empresários, porque os moradores não gostam. “Mas dois americanos estão criando uma agência de viagens lá, o que vai movimentar bastante o turismo na região. A gente propôs aos empresários de restaurantes de lá que tivessem um cardápio para o dia a dia e um cardápio para turistas, com comidas típicas. E não só com a comida, mas sim sua história e o que ela simboliza”, coloca.

Um curso de pós-graduação de gastronomia indígena pela UEA e um produto de comunicação visual, similar a um documentário ou um mapa, que mapeie os produtos por área e ajude as pessoas a conhecerem a cultura alimentar da região também estão entre as propostas para aprovação que devem ser encaminhadas ao Sebrae.

Olhares de fora

A jornalista e pesquisadora do site Letras Saborosas (RR), Denise Rohnelt, compôs o grupo que acompanhou Elisângela à expedição. “Vi que a quinhampira é muito parecida com a nossa damorida,  um caldo de peixe com pimentas variadas e tucupi preto. Vi mais preparações para aprender, verificar os modos de fazer e os ingredientes deles, e também vimos o caso de sucesso que é a pimenta baniwa, projeto do ISA e outros parceiros”, assegura ela.

Já a artista plástica e documentarista Floriana Breyer (SP) teve o papel de fazer o registro audiovisual da expedição. “A beleza da paisagem, a riqueza de etnias e costumes locais aliados à diversidade de ingredientes e modos de produção tradicional proporcionaram uma experiência inesquecível e reveladora”, diz ela, lembrando que a equipe pretende apresentar para a comunidade de lá os resultados da primeira expedição em vídeo-documentário.



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