Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019
Som regional

Expedição rumo às sonoridades regionais

Projeto documenta música regional do Alto Rio Negro ao Monte Roraima



1.png Vídeos que serão lançados vão mostrar bastidores das expedições
10/04/2013 às 12:01

A multiplicidade de manifestações musicais que existe entre as regiões do Alto Rio Negro e o Monte Roraima está prestes a ganhar um novo registro em áudio, vídeo e texto, graças a um projeto encabeçado pelo mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia, Agenor Vasconcelos, com apoio da 602 Filmes e da Cauxi Produções.

“A música das cachoeiras”, como a iniciativa foi batizada, vai levar uma equipe de cinco pessoas a percorrer um trajeto semelhante ao realizado pelo etnógrafo e explorador alemão Theodor Koch-Grünberg, no início do século 20.




Completada no fim de março, a primeira expedição partiu de São Gabriel da Cachoeira e foi até a foz do Rio Içana, próximo à fronteira do Amazonas com a Colômbia. Segundo Vasconcelos, a lei é captar todo tipo de música que aparecer ao longo do percurso, desde cantos ritualísticos até sons que embalam festas populares ou arrasta-pés.


“Estamos percebendo as diferenças entre o que Koch-Grünberg registrou e o que nós estamos encontrando. Além disso, acredito que esse projeto vem para suprir uma ausência de difusão das manifestações culturais que temos dentro do nosso próprio estado. Sabemos o que se faz em Parintins, mas não lá do outro lado do Amazonas”, argumentou o coordenador do projeto, que também é antropólogo e baixista da banda Alaídenegão.

Segundo Vasconcelos, até novembro deste ano o material coletado vai ganhar registros em livro-CD e em uma série de vídeos a serem lançados na Internet. Por enquanto, o público pode acompanhar o processo de documentação através das páginas do projeto no Facebook e no Soundcloud.

Registros

Em comparação ao trabalho científico e etnográfico realizado pelo explorador alemão, “A música das cachoeiras” adota uma abordagem bem mais artística para perceber como a música se insere na rotina das pessoas e comunidades que entram na rota das expedições. “Queremos captar as influências cruzadas, já que não existe nada puro na cultura”, pontuou Vasconcelos.

Dessa primeira imersão, ele destaca alguns momentos, como o encontro com Laureano Baniwa, da comunidade de Itacoatiara-Mirim, que contou à equipe um pouco sobre a música ancestral do seu povo e a relação dela com as cachoeiras. “Também gravamos com as bandas Marupiara, que canta algumas músicas em Nheengatu, e Taína Rukena (T.R.), na comunidade de Boa Vista, no Rio Içana”, contou Agenor. Confira trechos desta gravações aqui.

Próximos passos

No dia 17 de abril, o projeto segue para Boa Vista e termina no topo do Monte Roraima. A equipe permanece a mesma: Agenor Vasconcelos como coordenador, Yure Cesar como cinegrafista, Davi Escobar como captador de áudio, além de Karina Sanchez, na pesquisa e documentação, e Paulo Moura, na produção regional. Em Roraima, a expedição já tem alguns destinos certos, como as comunidades Canauanin, Boqueirão e Boca da Mata, e deve durar pouco mais de uma semana.

“Nessas localidades, vamos registrar uma dança regional chamada Parixara. Também estão previstos encontros com artistas ligados ao Movimento Roraimeira, como Eliakin Rufino, Neuber Uchoa e Zeca Preto”, acrescentou Vasconcelos, que ainda pretende conversar com Mike Guy-Bras a respeito da influência do reggae da Guiana Inglesa nessa região do País.


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