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História

Exposição exibe invenções de Santos Dumont além do avião

Instituto Itaú Cultural vai expor itens pessoais do aviador até o dia 29 de janeiro 26/11/2016 às 05:00 - Atualizado em 05/12/2016 às 09:25
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Santos Dumont era um homem à frente de seu tempo (Reprodução)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Todos conhecem Santos Dumont, considerado o pai da aviação, pela sua criação principal. Mas poucos sabem que ele tinha algumas invenções bem excêntricas, como uma boia lançada por uma catapulta para salvar afogados do mar, e um dispositivo que tinha a premissa de fazer os cachorros correrem mais rápido nas corridas. Esse outro lado do aviador será mostrado na exposição “Santos Dumont – Coleção Brasiliana Itaú”, que inaugura hoje (26) na sede do Itaú Cultural (Avenida Paulista, 146), em São Paulo.

Ao todo, a Coleção Brasiliana possui 529 itens documentais relacionados ao passado do aviador, das quais o Itaú Cultural expõe 431. 265 destes são peças originais. O acervo pertence hoje ao Itaú Cultural, mas ainda não havia sido exposto, explica a curadora da mostra, Luciana Garbin. Os itens da exposição respeitam uma certa cronologia das vivências de Santos e abordam elementos que o inspiraram. “Os livros de Júlio Verne, por exemplo, o inspiraram com suas máquinas voadoras. Isso despertou nele o intuito de voar”,  destaca Garbin.

Na exposição, os visitantes poderão ver as plantas da casa que Dumont mantinha em Petrópolis, na serra fluminense. “Quando ele morreu, a família dele doou a casa para a Prefeitura de Petrópolis, mas com a condição de que eles mantivessem a memória dele viva. Ele adorava passar um tempo lá”, declara Garbin. Itens como binóculos, lunetas, certidão de nascimento, e demais documentos também serão vistos na mostra, além de um telegrama escrito pela Princesa Isabel, felicitando a mãe dele pelas invenções do filho.

Invenções

O ponto alto da exposição é o acesso dado às outras invenções do aeronauta. “Ele é muito conhecido pelos aviões, mas ele criou um lançador de boias para resgatar banhistas em dificuldade na água. A boia é atirada por uma catapulta, que lançava a boia ao mar, e supostamente a pessoa que estivesse se afogando agarraria”, explica Luciana. Outra curiosidade inventada por Dumont foi um dispositivo feito para colocar na frente dos cachorros, durante as corridas de galgos. “O item faria os cães correrem mais rápido”, complementa ela.

Até os esquiadores foram contemplados com as invenções de Santos: um objeto teria promessa de ajudar os esquiadores a subirem montanhas cobertas de neve quando ainda não havia teleférico. “Era tipo uma mochilinha de ferro que era acoplada nos esquis, fazendo um movimento de vai e vem para ajudar a pessoa a subir a montanha”, pondera Luciana, lembrando que a única peça emprestada da exposição foi o conversor marciano, que pertence à Fundação Santos Dumont, mas que estava guardado pela Força Aérea Brasileira.

Humanista

Considerada a obra-prima do aviador, o Demoiselle também será constituído em tempo real para os visitantes da mostra. “Ele mandou colocar as plantas do precursor dos ultra-leves numa revista da época”, coloca a curadora. O mais curioso é que todas as outras invenções de Santos Dumont foram patenteadas – menos o avião em si. Luciana, porém, destaca que o aeronauta enxergava a aviação como uma missão de vida.

“A aviação era um sonho da humanidade no final do século 20. Quando começaram a testar os dirigíveis, havia uma competição para ver quem voava primeiro. Quando ele morava em Paris, ele vivenciou a época do Belle Époque, do humanismo. Creio que ele não patenteou porque ele nunca quis ganhar dinheiro com isso, na verdade. Ele queria prestar um serviço para a humanidade”, diz Garbin. 

Alberto Santos Dumont nasceu em um sítio na antiga cidade de Palmira – hoje batizada com o nome do aviador – na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. Seu pai era um engenheiro que foi trabalhar em São Paulo no futuro. Quando Santos Dumont completou 18 anos, o garoto foi emancipado e enviado para Paris. Seu pai, porém, fez um pedido: que ele enveredasse, de fato, pelo ramo da mecânica. “O pai dele dizia que o futuro dele estava ali”, pontua a curadora da mostra.

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