Sábado, 20 de Abril de 2019
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Vida

Exposição no Museu da Amazônia mostra relação do homem amazônico com os peixes

Mitos, costumes, armadilhas de caça e utensílios de cozinha indígena estão entre os itens da exposição ‘Peixe e Gente’, que fica aberta de terça a domingo, no Jardim Botânico da Reserva Adolpho Ducke


17/12/2013 às 11:00

A relação entre ser humano e natureza não acontece só por meio de ferramentas e instrumentos usados para caçar, pescar ou colher alimentos. Ela é permeada por mitos e conceitos cosmológicos relacionados à origem dos peixes e suas relações com o homem e envolvem conhecimentos como a construção do cacuris, armadilhas para pescar usadas no Rio Tiquié, na região do Alto rio Negro. Algumas dessas armadilhas construídas e usadas pelo povo Tukano estão na exposição denominada “Peixe e Gente”, organizada pelo Museu da Amazônia (Musa), no Jardim Botânico, situado na Reserva Adolpho Ducke.

Além de mostrar uma cozinha tipicamente indígena, inspirada nas comunidades Pirarara (Médio Tiquié) e Caruru (Alto Tiquié), a exposição desperta a atenção por trazer as armadilhas semelhantes às usadas nas comunidades Caruru, São Domingos, Bela Vista, São Paulo (etnia Tukano) e São Pedro (Tuyuka, Yebamasã). Tratam-se, segundo Antônia Barroso, uma das coordenadoras do jardim botânico, de jequis variados, imihnó (cacuri portátil), esteiras (grandes e pequenas), matapis, caiás e puçás, nomes dados aos instrumentos utilizados na captura de peixes.

Em depoimento registrado no livro elaborado para marcar a exposição, Luciano Barbosa, da etnia yebamasã, José Pimentel Tenório, da etnia tuyuka, contam os segredos profundos da floresta, dos peixes e da pesca. Segundo eles, o trabalho na armadilha não é apenas técnico, mas também mágico. Fala-se que, ao se levantar um cacuri, também se constrói o corpo de uma mulher. Isso é possível através de benzimentos. As partes do wairo coincidem com a anatomia de uma mulher sentada à beira do rio, com pernas, costelas, coluna, cabelo e vagina.

Armadilhas
Essa construção exige também um esforço coletivo que demanda tempo, técnica, habilidade e paciência. A maior delas, o caiá, é uma grande esteira (jirau) de paxiúba suspensa no nível superior de uma cachoeira, apoiada em estrutura grande e sólida, que suporta o peso de vários homens adultos. A armação, que suporta o jirau de paxiúba, é feita com esteios e varas, amarrados com cipó, explicam os construtores.

A mais simples de fazer e a mais utilizada, é a matapi, que tem a forma cônica, tendo a entrada semelhante a um grande funil e o fundo estreito e amarrado. Tem a abertura colocada a favor da correnteza, encaixada em cercado rústico de varas entrelaçadas com galhos e folhas. O cercado chega a ter 20 ou mais metros e nas paredes internas em ângulo que conduz os peixes à entrada da armadilha. Os peixes entram quando estão descendo com a correnteza. Para os pescadores e construtores, compartilhar esses segredos, mais do que abrir a guarda de um fazer único e especial, mostra a importância da preservação de uma cultura milenar.

Visitação
O Museu da Amazônia funciona, a partir das 9h30, no Jardim Botânico, Avenida Uirapuru, bairro Cidade de Deus, Zona Leste. O horário de visitação é de terça a domingo, das 8h às 17horas. A exposição, organizada com recursos provenientes da Lei Rouanet, integrados pelas empresas Bemol e Fogás, e das seguintes instituições: Fundo Amazônia (BNDES), CNPq, Fapeam, UEA e Secti.

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