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Exposições de artistas locais irão marcar abertura do Paço da Liberdade em Manaus

A reabertura do Paço da Liberdade será marcada por três exibições de peso, com obras da coleção de arte de Thiago de Mello; instalações e vídeos do artista visual Roberto Evangelista; e o acervo que compõe a pedra fundamental da Pinacoteca Municipal 16/11/2013 às 20:32
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Coleção de Thiago de Mello será destaque na reabertura do Paço
JONY CLAY BORGES Manaus (AM)

Depois de seis anos de reformas e de algumas tentativas falhas de reabertura, o Paço da Liberdade deverá abrir as portas ao público efetivamente no final deste mês, em data ainda a ser definida. O prédio histórico do Centro, que futuramente irá abrigar o Museu da Cidade, vai funcionar como espaço cultural, reunindo exposições de arte, exibições audiovisuais, espetáculos de artes cênicas, música e performance, além de passeios históricos e arqueológicos.

A reabertura do Paço da Liberdade será marcada por três exibições de peso, com obras da coleção de arte de Thiago de Mello; instalações e vídeos do artista visual Roberto Evangelista; e o acervo que compõe a pedra fundamental da Pinacoteca Municipal, reunindo nomes de várias gerações das artes visuais no Estado.

Acervo mundial

Reunindo 30 obras de artistas brasileiros e internacionais, a coleção de arte de Thiago de Mello se destaca dentre as exposições de abertura do Paço. O acervo foi doado pelo poeta à Prefeitura, e sua exibição terá caráter permanente.

A coleção inclui, entre outras, uma tela do catalão Joan Miró; uma serigrafia do ítalo-brasileiro Alfredo Volpi, com suas bandeiras características; telas das amazonenses Rita Loureiro e Bernadete Andrade; e uma gravura de Roser Brun, espanhol com obras nos acervos dos museus Metropolitan e de Arte Moderna, em Nova York.

Os latino-americanos predominam no acervo, como o chileno Nemesio Antúnez, com quem Mello fundou a Bienal de Gravura do Chile; e o argentino Luis Felipe Noé, integrante da Otra Figuración, movimento que teve repercussão mundial na arte dos anos 1960.

“Todas essas obras foram dadas a Thiago de presente numa época em que toda a América Latina estava escurecida por ditaduras militares”, assinala Óscar Ramos, artista plástico e coordenador técnico da Unidade Executora de Projetos, que atua à frente da curadoria das exibições do Paço.

‘Mater dolorosa’

Também digna de nota, a exibição de Roberto Evangelista vai reunir duas obras seminais: a instalação “Mater Dolorosa I”, feita com areia e carvão vegetal, e o vídeo “Mater Dolorosa II”, que deu ao artista visual amazônico projeção internacional, dos anos 1970 para os 1980.

As obras ficarão em duas salas diferentes, uma das quais futuramente deverá ser transformada numa galeria de audiovisual. “Todos os videoartistas de Manaus terão acesso. Quero organizar mostras com vídeos de gente como Keila Serruya e Zeudi Souza”, antecipa Óscar.

Na reabertura, haverá ainda outras manifestações artísticas – entre elas uma performance de grafite no extenso muro do jardim do prédio. Segundo Zezinho Cardoso, diretor de Cultura da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), responsável pelo espaço, a ideia é dar vida nova ao Paço e a todo seu entorno. “O Paço não se restringe ao prédio. Queremos estender as atividades culturais à Praça Dom Pedro II, tirando o estigma que o local há anos tem”, declara ele. “A melhor maneira de se preservar um espaço é ocupando-o da melhor forma possivel. Além de opção cultural, isso ajuda a fortalecer a identidade de um povo”, conclui.

Pinacoteca em gestação

A “pedra fundamental” da futura Pinacoteca Municipal é um acervo com 60 obras de artistas do Amazonas, de diversas gerações. Aí se incluem desde uma tela do veterano Moacir Andrade até uma releitura de sua obra pelo novato Sávio Stoco, passando por Sérgio Cardoso, Jair Jacqmont, Buy Chaves, Helen Rossy, Fred Avalon, Turenko, Sebastião Alves, Cristóvão Coutinho, Jandr Reis, Nelson Falção, Monik Ventilari, Braulio Menezes, o escultor Jessé e por aí vai.

Todas as obras que integram o acervo faziam parte da Reserva Técnica da Prefeitura de Manaus ou foram doadas pelos próprios artistas, interessados em integrar a coleção sob a curadoria de Óscar Ramos. O peso do artista amazonense à frente do projeto, segundo Zezinho Cardoso, teve uma “resposta fantástica” entre os artistas locais. “Estão faltando paredes para as pessoas que querem doar obras para a Pinacoteca. A repercussão foi muito maior por conta da credibilidade do Óscar”, salienta ele.

Após a exposição no Paço da Liberdade, a Pinacoteca Municipal terá como sede o prédio do Museu do Homem do Norte, no Centro.

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