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Faça você mesmo: as facilidades de publicar um livro

Para fazer circular sua literatura, jovens escritores apostam suas fichas em caminhos alternativos 07/04/2013 às 18:06
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Porto está em contato com uma editora do Sul para publicar um romance regional
Rosiel Mendonça Manaus, AM

De uns tempos para cá, tornou-se mais fácil para os jovens escritores tirarem aqueles manuscritos da gaveta e darem um novo gás a antigos projetos. As pequenas editoras, em especial, têm apostado no talento de uma nova geração de autores, facilitando o processo de publicação das suas obras. Mas, quando o negócio aperta, a autopublicação pode ser um caminho possível, seja no papel ou na Internet.

Aos 21 anos, o estudante de Geografia Rodrigo Porto é um exemplo de escritor que pratica o bom e velho estilo “do it yourself” (faça você mesmo). Nascido em Goiânia, mas radicado em Manaus há dois anos, ele começou produzindo fanzines por conta própria – hoje, ele já tem dois livros publicados de forma independente. “Procurei uma editora, mas o contato foi difícil e o custo não é muito acessível para quem está começando”, contou.

“Se vira” (2012), o livro mais recente, carrega no nome a essência do que levou Porto a correr atrás do seu sonho. “Contei com vários parceiros e amigos nesse processo de publicação. Em comparação com o primeiro livro, que teve o miolo fotocopiado, essa obra já é mais bem produzida, com desenhos profissionais, trabalho de edição, diagramação e impressão colorida”, explicou o escritor.

Para divulgar seu trabalho, Porto ainda prefere a estratégica boca-a-boca. “Busco passar minha literatura adiante, então ofereço as obras em praças, na faculdade e em feiras literárias. É um trabalho que dá para fazer com qualquer tipo de pessoa que se interesse por literatura”, concluiu ele.

CORRENDO ATRÁS

Publicado em 2010 e lançado em Manaus, Rio Branco e São Paulo, “Por mais um dia” é um romance que narra história de superação de Fernanda após a perda dos pais em um acidente durante a Copa de 1994. Quem assina a obra é a escritora Thayanne Azevedo, de 23 anos. Finalizado em seis meses, o livro de 93 páginas foi impresso e distribuído pela editora paulista All Print, mas foi a autora quem bancou a publicação.

“Quando o escritor é novo no mercado, as editoras não costumam custear as obras. Elas auxiliam em todo o processo, assinam contrato, mas o escritor é que se responsabiliza por pagar a produção do livro”, explicou Thayanne. A primeira tiragem de “Por mais um dia” foi de mil exemplares, mas em algumas livrarias de Manaus e Rio Branco (onde ela nasceu) a obra já está esgotada.

Para Thayanne, o mercado editorial no Amazonas ainda é muito fechado, o que obriga os novos escritores a procurarem métodos alternativos para dar vazão às suas produções. Segundo ela, a vantagem de ser publicada por uma editora, ainda que de pequeno porte, é o registro na Biblioteca Nacional. Apesar disso, ela não se descuida da formação profissional.

“Frequentei algumas Bienais Internacionais em São Paulo e tive a chance de participar de oficinas voltadas para escritores iniciantes. Eles ensinam técnicas de como formar um ambiente e caracterizar personagens, por exemplo”, contou ela, acrescentando que esses cursos por si só não garantem um bom material literário.

“É preciso dom, pesquisa e estudo”, completa. No que depender desses três fatores, a história de Thayanne na literatura vai ser longa - o próximo romance já está engatado e tem até título provisório: “Até o fim”.

Confiança na escrita

Um dos cabeças por trás do blog “Gonca Livros” (http://bit.ly/Y5OOTm), o pernambucano Marcos Capella assina um post da página no qual dá algumas dicas que considera cruciais para quem quiser ter sucesso com a autopublicação.

“As vantagens desse sistema é o simples fato de você diminuir a distância entre o autor e o seu leitor. Com a autopublicação os autores não precisam convencer alguém que ele escreve bem ou que ele vale a pena ser publicado, basta ele confiar na sua escrita”, declarou ele em entrevista ao BEM VIVER.

Segundo o estudante de Direito e escritor nas horas vagas, o amor pela escrita tem que nascer com a pessoa, embora seja possível se tornar um autor melhor. “A grande tendência é que as várias oficinas oferecidas pelo Brasil sejam substituídas por cursos universitários como acontece na América do Norte e na Europa. Eu acredito na grande ajuda que elas oferecem para trazer novos talentos para as estantes das livrarias”, finalizou o blogueiro.

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