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Facebook vive nova onda de criação de eventos falsos

O meme da vez são os eventos falsos, para os quais apenas se confirma a presença, que nos últimos dias têm invadido as linhas do tempo dos usuários 20/01/2015 às 12:59
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“Como subir pelas paredes com Nunes Filho” é um dos eventos criados
ROSIEL MENDONÇA ---

Regra número do manual apócrifo para entender o Facebook: “a zoeira não tem fim, nunca acaba”. Esse é o argumento que os usuários da rede social mais popular do mundo costumam usar para explicar os memes que sazonalmente se espalham como vírus no site. Pois bem: o meme da vez são os eventos falsos (para os quais apenas se confirma a presença), que nos últimos dias têm invadido as linhas do tempo de quem acessa a ferramenta.

Criados ao sabor da criatividade e senso de humor dos usuários, esses eventos brincam com praticamente todos os assuntos imagináveis - de situações engraçadas do cotidiano a ditos populares, passando por personagens famosos, músicas de sucesso, saudosismos e “reflexões” sem compromisso.

O “Mutirão para recolher o dinheiro que não traz felicidade”, com 123 mil confirmações, e a “Festa na piscina de lágrimas das inimigas”, com 56 mil, são alguns exemplos desse fenômeno não necessariamente novo. “Criaram tantos eventos falsos por aqui que já nem sei se acredito nos verdadeiros”, queixou-se o jornalista Luciano Lima, em meados do ano passado.

Para o professor Sérgio Freire, doutor em Linguística, a moda dos eventos falsos é uma prova da capacidade que a rede criada por Mark Zuckerberg tem de aglutinar pessoas em torno de interesses comuns. “O Facebook é um cenário onde as coisas acontecem atualmente, assim como já foi o Orkut”, compara ele, lembrando do site que foi campeão de acessos no Brasil.

“As pessoas se organizam na rede de acordo com o interesse delas, faz parte. Muita gente não gosta, assim como podem não gostar de funk ou MPB. Mas não tem nada a se preocupar com isso porque é um fenômeno natural dentro da linguagem do Facebook. Daqui a pouco vai embora”, tranquiliza.

A ARTE DE IGNORAR

Ele vê os falsos eventos como algo lúdico, tanto que “se não tiver humor, não pega”. “As redes sociais viraram um espaço muito grande de manifestação das pessoas, o que é bom, porque a liberdade para expressar suas ideias é ainda melhor que a censura, mesmo que haja exageros”.

Para quem se deparar com propostas do tipo “Aprendendo a ser uma socialite vingativa com Marcelaine”, marcado para acontecer na penitenciária Vidal Pessoa, a dica de Sérgio é simples: se não gosta, ignora. “Brigar com isso é dar murro em ponta de faca”, conclui o professor, que criaria o “Evento para explicar os eventos fakes”.

MERCADO

Na opinião do publicitário Bruno Uchôa, que trabalha com mídias sociais na startup manauara Fermen.to, rede social é entretenimento. “As pessoas estão lá à procura disso, notícias de amigos e familiares, mas também diversão e piada. Por isso não vejo esses eventos como uma coisa negativa, apesar de alguns serem piegas e sem graça”, diz ele, para quem a capacidade de filtrar o conteúdo bom do ruim é essencial.

Tampouco ele concorda com termos como “orkutização do Facebook”, que tenta atribuir a derrocada da antiga rede social à sua popularização. De fato, os atuais eventos de mentirinha do Facebook lembram em muito as comunidades fictícias do Orkut, onde a zoeira corria solta.

Por outro lado, Uchôa diz que a moda também pode ser aproveitada pela Publicidade. “Ontem estávamos discutindo na Fermen.to como podemos usar isso de uma forma mais publicitária. Chegamos num consenso de que rede social é conversa, diálogo, e as marcas podem sim entrar na brincadeira, claro que dentro do contexto de cada uma”.

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