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EXPOSIÇÃO

Famosos ficam com popularidade abalada após declarações 'desenterradas' na web

De acordo com Benevides Netto, especialista em Comunicação Digital, os comentários que possuem um teor pejorativo estão sempre ligados a quem busca certo reconhecimento dentro do espaço que estão inseridos 05/02/2017 às 05:00 - Atualizado em 05/02/2017 às 11:07
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Alexandre Pequeno Manaus (AM)

Postou na internet? Ficou pra sempre. Essa é a máxima da nova era digital, a era das redes sociais. Dos palavrões às declarações de amor, das fotos comprometedoras com amigos aos "micos" exibidos da web. Uma vez que se posta algo na internet, fica lá pra sempre, ou até alguém "printar" e expor nas redes. E alguns famosos são as principais vítimas dessa teoria, cada vez mais comum, e que assusta os digitais influencers nacionais e internacionais.

O cantor teen Biel é um dos casos mais notórios de autodestruição através da internet. Com a popularidade abalada após uma denúncia de assédio sofrida por uma repórter no ano passado, a carreira do cantor parecia cada vez mais instável. Até que, numa noite qualquer, usuários do microblog Twitter resolveram expor ainda mais as barbaridades escritas pelo adolescente há alguns anos. Mensagens compartilhadas por ele em 2011 e 2012, foram praticamente "desenterradas" pelos usuários. Questões raciais, machistas ou misóginas foram alguns dos conteúdos vazados na época.

Em um dos tweets, ele fala sobre a presença de idosos em ônibus. "Dar lugar no ônibus pra idosos? Nós que ralamos o dia inteiro dar nossos lugares pra quem tem aposentadoria e coça o rabo o dia inteiro?", escreveu. Em outro post, ele diz que a atriz Taís Araújo é a única "morena, negra, sei lá" que ele acha bonita. Ele chegou até a falar mal de apresentadores como Daniela Albuquerque, da Rede TV e Fátima Bernardes, da TV Globo. Coincidentemente, anos depois ele chegou a participar do “Encontro com Fátima”.

Na época, os internautas subiram a tag #ErrarÉHumanoPersistirÉBiel como uma crítica aos comentários negativos feitos por ele. O Governo do Rio Grande do Sul usou o assunto para alertar sobre discursos de ódio da internet. Obviamente, após a “ressureição” dos posts de Biel, seu perfil no Twitter foi trancado, e os posts devidamente apagados.

Problemas no presente

E quem acha que só Biel foi o privilegiado com as declarações expostas na web, está redondamente enganado. Recentemente o apresentador Luciano Huck teve seus posts de 2009 e 2010 relembrados, também no Twitter. Mas dessa vez o foco não foram comentários racistas ou ageístas.

Em um deles, Huck escreveu: “Podem falar o que quiser, mas quantos + @eikebatista’s no Brasil, melhor. Gosto da sua visão de mundo. Do orgulho de fazer direito. E de ajudar”. Em outro, ele parabeniza Eike Batista, Eduardo Paes e Sergio Cabral. Eike Batista teve a prisão decretada pela Polícia Federal na Operação Eficiência, desdobramento da Calicute – versão local da Lava Jato no Rio de Janeiro. Eike é acusado de ter pagado propina de US$ 16,5 milhões ao ex-governador Sérgio Cabral – também citado por Huck. Cabral está preso desde novembro. Já Eduardo Paes, teve seus bens bloqueados em dezembro, após ser acusado de improbidade administrativa. Ou seja, os twitteiros recordaram os posts cruciais de Huck.

Entrando no embalo

A nova personalidade que já teve seus “web arquivos” expostos nas redes é a amazonense Vivian Amorim, nova participante do Big Brother Brasil 2017. Uma semana antes de entrar na casa, usuários do Twitter começaram a pesquisar a fundo a vida de cada um dos participantes. Um perfil atribuido à Vivian cauou muita polêmica, por conta de mensagens antigas publicadas. Em 2011, a Miss Amazonas teria chamado Paulinha do "BBB 11" de gorda em tom pejorativo. Em outro tweet revelado, Vivian afirma que odeia o apresentador e empresário Silvio Santos e torce por sua falência. "Tava pensando aqui os canais de TV e preciso dizer que odeio o Silvio Santos e se ele tá falindo é bem merecido!", disse.

Os cuidados necessários

De acordo com Benevides Netto, especialista em Comunicação Digital, os comentários que possuem um teor pejorativo estão sempre ligados a quem busca certo reconhecimento dentro do espaço que estão inseridos. "Uma das necessidades básicas do ser humano é ser amado e com a ascensão das redes sociais todo esse amor é convertido em ‘likes’ e compartilhamentos. Quando a pessoa opta por expor seus pensamentos de forma polêmica, ela quer ser reconhecida por aquilo, não existe o “foi sem querer”. Muita gente ainda acredita que a internet é uma ‘terra sem lei’ e não é verdade. No desespero de corresponder aos anseios dos outros, muitos crimes são cometidos. E todos são passíveis de responder por eles. O anonimato nas redes sociais não existe mais", afirma Benevides.

Segundo Netto, é importante mensurar os limites das postagens na web. "As redes sociais são ferramentas abertas e os dados publicados ali estão disponíveis para o mundo inteiro. É comum as pessoas terem uma sensação de segurança nesses espaços, mas ela não existe. E é essa falsa proteção que acaba instigando a exposição, a agressividade e a expressividade sem limites. Reduza o alcance de suas publicações somente para seus amigos. E só aceite pessoas que fazem parte do seu círculo de amigos”, aconselha.

“Pense bem antes de publicar. Considere as consequências de suas ações nas redes. Juridicamente, você poderá responder caso cometa algum crime virtual. Profissionalmente, empresas e recrutadores avaliam o comportamento de seus funcionários e candidatos por seus perfis, por isso, muito cuidado! Controle suas emoções. Evite críticas desnecessárias a empresas e pessoas. Cuidado com a linguagem utilizada. As redes sociais não são terapeutas. Cuidado com os desabafos. Ostente menos", complementa.

 

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