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Fãs relembram show histórico do White Stripes no Teatro AM

Apresentação da dupla de Detroit em Manaus completa dez anos este ano e ganha edição em vinil e DVD. Os detalhes do show permanecem intactos na memória dos fãs amazonenses, que recordam as atitudes de Jack e Meg White 08/01/2015 às 11:00
Show 1
A dupla tocou em Manaus em 2005
ROSIEL MENDONÇA Manaus (AM)

O dia é 1º de junho e o ano é 2005. O palco do Teatro Amazonas está prestes a receber um evento como nunca antes visto em seus cento e poucos anos. Uma estrutura de primeira está montada para receber a banda de rock estadunidense The White Stripes, formada por Jack e Meg White, em turnê pela América Latina para divulgar o recém-lançado álbum “Get behind me Satan”. Para surpresa de todos, Manaus havia sido uma das três capitais brasileiras escolhidas para receber a apresentação, ao lado de Rio e São Paulo.

A lembrança do show histórico, que agora completa dez anos, voltou à memória de muitos amazonenses esta semana, quando a gravadora de Jack White, a Third Man Records, anunciou o lançamento de um pacote com o registro da apresentação no Teatro Amazonas em vinil duplo e DVD. O combo também traz material inédito para os fãs do White Stripes, que permaneceu na estrada até 2011, quando a dupla de Detroit decidiu seguir novos rumos.

“Eles vieram para cá numa época em que estavam estourando mesmo. Eu já ouvia bastante, e quando soube do show passei a ouvir mais ainda”, conta o designer e ilustrador Bernardo Bulcão (31). Ele lembra que ficou na plateia, em uma fileira próxima ao palco. “Foi um amigo que comprou para mim, e a princípio fiquei relutante, achando que seria um lugar ruim. Mas quando cheguei lá vi que era perfeito”.


De acordo com Bulcão, havia um clima de tensão entre a equipe do Teatro Amazonas, afinal a casa de ópera do fim do século 19 nunca havia recebido um show de rock. “Conheço a pessoa que era diretora do teatro na época, e achava engraçado que ela e os funcionários estavam bem agoniados, achando que o teatro viraria de cabeça para baixo”.

Segundo ele, porém, a plateia só criou coragem para se levantar quando o pedido veio do próprio Jack White. Só agora o músico admite ter havido na época “o receio de que o som da banda provocasse rachaduras no gesso, que poderia cair sobre o público”.

MULTIDÃO CALOROSA

A funcionária pública Mayara Cruz tinha 15 anos e chegou a faltar aula para conseguir comprar um ingresso na plateia do teatro. “No início do show todo mundo ficou quieto, prestando atenção, com receito de levantar e ser chamado atenção”, conta ela, lembrando que a produção estava impecável. “Não tenho nada a reclamar daquela noite. Foi como se eu estivesse em outro lugar, não em Manaus. O mais legal foi eles terem saído ao menos para dar um ‘oi’ para quem estava do lado de fora”.

Mayara se refere ao ponto alto da apresentação, quando Jack e Meg White resolveram dar uma palhinha da música “We Are Going to Be Friends” para a multidão que assistia ao show pelos telões instalados no Largo São Sebastião. O momento também foi eternizado no DVD “Under Amazonian Lights”, que os fãs agora podem ter em casa.

CADÊ O TÊNIS?

O desenvolvedor de software Rodrigo Borges (25), que não teve a mesma sorte de Mayara com o ingresso, estava na praça com uma turma de amigos e relembra o episódio. Segundo ele, a banda pegou o público de surpresa. “No momento que o Jack falou que ia sair, houve uma correria de todos em direção à entrada do teatro. Apesar de não conseguir ouvir a música que eles estavam tocando lá fora, por causa dos gritos do pessoal, foi foda demais vê-los de tão perto”, diz.

Segundo Borges, aproveitando o tumulto que a saída da dupla causou, muita gente que não tinha comprado ingresso acabou entrando no teatro. Dono do segundo ingresso vendido para o show, o analista de sistemas Rodrigo Camelo (38) relata que até perdeu um lado do sapato na confusão.

“Fiquei com minha irmã na segunda fila, nas cadeiras mais próximas ao corredor da plateia. Em determinado momento, o Jack desceu do palco, passou por nós e sumiu, mas achávamos que ele fosse voltar por outro caminho. Quando nos tocamos que ele não ia fazer isso e alguém viu a porta da entrada aberta, eu e ela saímos correndo atrás dele, junto com todo mundo. Nessa correria para chegar lá fora, meu tênis voou e nunca mais o vi”, lembra ele, aos risos.

Assistir ao restante do show só com um lado do sapato, no entanto, foi o de menos para Camelo, afinal ele e a irmã chegaram às 5h da manhã na bilheteria do teatro, dias antes, para conseguirem os primeiros ingressos. “Foi inesquecível não só por ter sido o White Stripes, mas pela figura do Jack e pela espontaneidade dele, que quebrou todo o protocolo”.

Combo para colecionador

A edição limitada do pacote com o vinil duplo e o DVD “Under Amazonian Lights” está disponível apenas para assinantes do site da gravadora Third Man Records (thirdmanrecords.com). Os pedidos podem ser feitos até o dia 31 de janeiro, por cerca de 80 dólares (incluindo taxa de envio).

Na página, o show é apresentado como um dos mais “icônicos e memoráveis” já feitos pelo White Stripes. O setlist da apresentação contou com clássicos da banda, como “My Doorbell”, “Fell in Love With a Girl”, “Seven Nation Army” e “The Same Boy You've Always Known” (em versões acústica e elétrica), além de covers de Bob Dylan e Howlin’ Wolf.

O combo inclui um single de sete polegadas com dois registros raros: no lado A, Jack White canta “Let you down”, gravada por ele em 2000 e cujos versos foram usados posteriormente na faixa “The Nurse”; no lado B, a faixa instrumental “Ain’t No Sweeter Than Rita Blues”, perdida entre as gravações do disco “Get behind me Satan”.

Para completar, os compradores do combo receberão um pôster exclusivo e cartões postais comemorativos pelos 10 anos da passagem da banda pelo Brasil.

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