Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
TEMA

'Faz Escuro mas Eu Canto' de Thiago de Mello é tema da 34ª Bienal de SP

Verso do poeta amazonense Thiago de Mello, nascido em 1926 em Barreirinha, município distante 331 quilômetros de Manaus, inspira maior exposição de literatura e arte das Américas



WhatsApp_Image_2020-02-20_at_13.41.45_18C5ED18-EF06-429F-8B45-5F824CD9C237.jpeg Foto: Reprodução/Internet
20/02/2020 às 13:45

A 34ª Bienal de São Paulo chega no mês que vem com a proposta de destacar as semelhanças entre os processos criativos de cada artista. Este ano, a bienal leva o título "Faz Escuro mas Eu Canto", verso do poeta amazonense Thiago de Mello, nascido em 1926 em Barreirinha, município distante 331 quilômetros de Manaus. 

De acordo com os organizadores, a programação vai apresentar as obras de forma encadeada. De fevereiro a agosto, serão apresentadas três exposições individuais, começando pela peruana Ximena Garrido-Lecca que, em sua pesquisa, examina a história do Peru e explora o impacto cultural dos padrões neocoloniais. Na sequência, vêm a brasileira Clara Ianni e a fotógrafa estadunidense Deana Lawson, em abril e julho, respectivamente. 



Clara trata sobre como o capitalismo globalizado afeta o tempo, a história e o espaço. Já Deana é conhecida por se apropriar de fotografias encontradas e misturá-las àquelas que ela mesma registra. Seu trabalho provoca questionamentos sobre temas étnico-raciais.

Duas das exposições individuais, a de Ximena e a de Clara, serão abertas com ações performáticas de curta duração, de autoria de Neo Muyanga e León Ferrari. A programação conta, ainda, com uma terceira performance, do artista fluminense Hélio Oiticica. Falecido em março de 1980, ele nunca chegou a apresentar a obra, batizada de A Ronda da Morte, que consiste em um ambiente com ares circenses, no qual pessoas dançam e que é cercado por cavalos em movimento.

O curador-geral da 34ª Bienal, Jacopo Crivelli Visconti, afirma que Oiticica concebeu a obra após regressar ao Brasil, depois de temporadas em Londres e em Nova York. “Era um pouco a resposta dele quanto ao que estava vendo nas cidades, que eram mudanças políticas de abertura, após o término da ditadura, mas que não alteravam substancialmente as estruturas de poder e as relações muitas vezes violentas”, diz.

A partir de setembro, as obras que integram as exposições individuais serão reunidas em uma mostra coletiva, que poderá ser visitada pelo público de 5 de setembro a 6 de dezembro, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo. Além da exposição coletiva, os organizadores vão promover mostras paralelas, em parceria com 25 instituições paulistas. 

Visconti acrescenta que a pluralidade de perspectivas, presente nas exposições desta edição, é resultado da curadoria realizada por quatro profissionais, além dele. São eles: Paulo Miyada, Carla Zaccagnini, Francesco Stocchi e Ruth Estévez. 

Exposições individuais: 

Ximena Garrido-Lecca / Neo Muyanga: 8 de fevereiro a 15 março.
Clara Ianni / León Ferrari: 25 de abril a 8 de junho.
Deana Lawson: 25 de julho a 23 de agosto de 2020.
Exposição coletiva*: de 5 de setembro a 6 de dezembro de 2020.
* com performance de Hélio Oiticica na abertura


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