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Entretenimento
LITERATURA

Fernanda Nia e obra de Neil Patrick Harris são apostas de selo jovem da V&R

Durante Bienal de SP, reportagem conversou com a escritora e representantes da editora sobre o público juvenil 07/09/2018 às 16:16 - Atualizado em 10/09/2018 às 13:50
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A Plataforma21 é responsável pela distribuição de livros como "O Diário de um Banana" no país. (Foto: Divulgação)
Maria Paula Santos Manaus (AM)

O termo “não tá de brincadeira” se encaixa perfeitamente na descrição das apostas da editora V&R para este ano. Durante a Bienal do Livro de São Paulo, a empresa - conhecida pela distribuição de “Diário de Um Banana” - revelou seus principais títulos para 2018, e o destaque vai para a cartela do seu selo jovem, Plataforma21, que traz o primeiro autor brasileiro da editora, com a escritora Fernanda Nia e seu livro “Mensageira da Sorte”.

Fernanda Nia consegue falar de jovem para jovem, não só pela sua idade mas por entender a realidade brasileira de uma forma bastante ampla. E é exatamente esse o tema abordado no livro “Mensageira da Sorte”, que mescla ficção e realidade em uma história de ação e suspense. A autora consegue então inseri-los no contexto político brasileiro abusando de um dos seus grandes talentos: o humor.

“É difícil separar fantasia e realidade no Rio de Janeiro”, afirma Fernanda Nia, uma vez que a história é ambientada na cidade natal da escritora, que mostra como em meio ao contexto político e social não dá para contarmos sempre com a sorte, e então seus personagens correm em busca da justiça.

“Desde o início, a ideia era fazer a história se passar em um Rio de Janeiro com protestos, o que espelha sim bastante a realidade, especialmente no que se refere aos protestos de 2013. Eu queria justamente fazer o leitor pensar sobre as inúmeras variáveis envolvidas em um cenário desses, para então tentarmos encontrar a solução na narrativa juntos. A intensidade e o caos no universo de Mensageira da Sorte, porém, não foram previstos. Acho que a Alcorp, corporação que toma conta da cidade no livro, se apoderou da narrativa também! Risos”, comenta.

Jovens e a Leitura

O selo Plataforma21 traz também mais livros que de uma forma ou de outra conseguem se conectar com seus leitores facilmente. Exemplo disso é o best-seller “Os Arteiros Mágicos”, do aclamado ator Neil Patrick Harris, conhecido por suas interpretações nas séries de tevê “Desventuras Em Série” e “How I Met Your Mother”. A obra retrata um mundo de magia onde jovens ilusionistas descobrirão um mundo de amizade, aventura e autoconfiança.

O livro de Neil pode ser considerado por muitos bastante juvenil, mas não impede que todos possam se identificar com ele. “As redes sociais mudaram o livro, a sua forma de consumo e até aumentaram as aproximações deles com os blogueiros. Temos um novo jovem, e por isso consideramos que os livros não são juvenis, mas sim o ideal para eles no momento de suas evoluções”, disse Sevani Matos, Diretora Geral da V&R Editoras Brasil.

“Hazel Wood – A origem do azar” é outro destaque, que virará série de TV. Além de envolver todos com seu enredo sombrio, labiríntico e mágico de uma versão darkness do clássico “Alice no País das Maravilhas”, o livro combina realismo contemporânea e fantasia.

“A nova revolução no mercado editoral é esse público, leitores querem consumir todas as mídias integradas ao livro, seja o e-book, filme ou série, até audiobooks. Eles pedem mais sempre, porém, ainda a melhor forma de consumir a história é pelo livro”, disse Fabrício Valério, gerente editorial.

Saiba +

A V&R lança também no Brasil o livro “Vovô Mandela”, uma história contada pelos bisneto do próprio líder, ou seja, é feito por crianças para crianças. “O Brasil é o quinto país no consumo de um ‘Diário de um Banana’ e o mesmo título não é sucesso no México e nem na Argentina, tudo está ligado às diferenças culturais, de idiomas e até tradução. Mas apostamos nesse livro por falar de sentimento, e isso é universal, é bom para todos”, comentou Maria Inês Redoni, CEO da V&R Editoras.

Três perguntas
Fernanda Nia
Escritora e Ilustradora

Acha que usar o humor para contar sua história é a chave para fazer dela um sucesso?
"Humor é a minha forma de lidar com o mundo. Acredito que, em uma realidade tão brutal como a em que vivemos, encontrar momentos para rir mesmo na dificuldade é o que nos dá forças para seguir em frente enquanto mantemos nossa sanidade. E isso naturalmente se reflete nas minhas histórias. Em “Mensageira da Sorte”, que oferece alguns elementos pesados na narrativa - como corrupção, protestos, culpa e luto -, o humor traz um equilíbrio, um alívio narrativo que ajuda o leitor a respirar e continuar. Conseguimos, como resultado, um texto que traz reflexões e diversão ao mesmo tempo, e isso, de fato, é a minha característica favorita da história".

Qual a principal mensagem que você deseja passar aos seus leitores?
"Que às vezes a vida nos entrega uma bandeja cheia de azar, mas precisamos dar o nosso jeito de seguir em frente e continuar lutando. Que você pode sempre fazer o bem, por mais cicatrizes que tenha. Que encontrar a sua forma de ajudar as pessoas é por si só uma espécie de cura".

Qual foi o maior desafio ao escrever o livro, e o seu maior prazer?
"O maior desafio foi lidar de forma sensível com os traumas dos personagens, especialmente a Sam, nossa protagonista. Mesmo que ela tenha um lado sarcástico e bem humorado, ela também tem o lado que lutou contra a depressão, o lado que ainda sofre ataques de pânico nos protestos, o lado que se culpa por fazer a mãe sofrer. Uma série de facetas que precisaram ser trabalhadas com cuidado para construir uma personagem verossímil. O meu maior prazer, por outro lado, foi ver a história, que partiu de uma sinopse tão curta, tomar forma, ganhar complexidade e personagens com seus próprios conflitos e anseios. Foi, de fato, poder contar essa história".

 

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