Domingo, 26 de Maio de 2019
TALENTO DE RAIZ

Festival Amazonas de Ópera exporta talentos amazonenses para o mundo

Com mão-de-obra 90% amazonense, o evento apresenta talentos especializados na parte cenográfica que fazem tudo acontecer por trás das cortinas



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Foto: Divulgação
06/05/2019 às 17:22

Compositores italianos, obras francesas, personagens ingleses e músicos de diversas nacionalidades. Apesar dessa mistura, quem faz acontecer, nos bastidores, vem mesmo é da terrinha. Com mão-de-obra 90% amazonense, o Festival Amazonas de Ópera (FAO) já foi um laboratório, mas hoje exporta talento amazonense, que é especializado na parte cenográfica e não deixa a desejar em nenhum aspecto.

Toda a parte “física” das óperas começa na Central Técnica de Produção (CTP) da Secretaria Estadual de Cultura (SEC). É lá onde são produzidos os figurinos e construídos os cenários de todos os espetáculos que são apresentados no palco do Teatro Amazonas. O departamento cenográfico é coordenado pelo parintinense Mizael Costa, que lidera uma equipe formada por 11 profissionais, entre escultores, pintores e serralheiros.

Embora seja natural de Parintins, o caminho de sua carreira se deu na contramão da de seus conterrâneos. Ele conta que encontrou sua vocação depois de suar muito a camisa, mas que hoje não se vê fazendo algo diferente.

“Vim para Manaus aos 16 anos de idade em busca de oportunidades melhores. Virei adulto na marra, trabalhei muito até achar meu lugar. O primeiro contato que tive com essa área de cenografia foi na escola de samba do Coroado, onde me deram uma ala para coordenar. Desde lá fui me aprimorando, passei por outras escolas de samba, até que cheguei ao FAO”, lembra o artista, que hoje é convidado para montar a cenografia de espetáculos em outros estados.


Parte cenográfica do espetáculo possui mão-de-obra 90% integrada por artistas amazonenses. Foto: Divulgação

Com tamanha experiência, Mizael coordena uma equipe que é capaz de produzir tudo o que lhe for pedido. “Resolvemos tudo o que for necessário. Cada um tem sua especialidade, mas a destreza da minha equipe faz com que possamos dar conta de diversas situações, desde pintura, passando por soldagem, esculturas e confecção de adereços”, explica.

Com 16 anos só de FAO, o artista ressalta a qualidade técnica dos profissionais amazonenses. “O que faço hoje, faculdade nenhuma ensina. Temos expertise para trabalhar em nível mundial. Todas as óperas foram marcantes para mim, porque tudo é milimetricamente acertado. Por isso, necessitamos de muito foco, porque um erro causa diversos problemas, desperdiçamos material e tempo e isso não pode acontecer por conta do nosso deadline limitado”, apontou.

Na Europa

O também parintinense Jorge Soares é quem coordena o setor de montagem e desmontagem de cenografia CTP-Teatro. Com uma carreira também iniciada no Carnaval e que naturalmente evoluiu para as apresentações do Festival Folclórico de Parintins, o profissional está há 17 anos atuando no backstage do Festival de Ópera. Sua experiência local fez com que fosse além do eixo Rio-São Paulo. “Já fui para a Alemanha montar a cenografia de uma ópera em Munique, a partir de um convite feito para a CTP. Ali vi o nível da produção artística europeia. Fiquei impressionado”, recordou.

No entanto, o profissional conta que a experiência dos artistas que trabalham no FAO vem sendo aprimorada há anos. “A equipe começou com o Festival Amazonas de Ópera, e antes os artistas vinham de São Paulo para construir os cenários. Os artistas locais faziam apenas a manutenção, mas os de fora viram nossa capacidade e foi aí que começamos a nossa especialização. Hoje, os diretores de ópera e figurinistas que vêm da Europa e América Latina se surpreendem com o nosso acervo, que conta com mais de 45 mil peças, muito bem construído e conservado”, apontou. Atualmente, ele se divide atuando na temporada do FAO em Manaus, e em produções em São Paulo.


Foto: Divulgação

O secretário estadual de Cultura, Marcos Apolo Muniz, afirma que o trabalho desenvolvido pela SEC tem como objetivo não apenas aprimorar, mas também identificar e formar talentos, para que haja continuidade nas ações promovidas em todo o estado. “Na programação deste ano, vamos ter o encontro ‘Os Teatros de Ópera e a Economia Criativa na América Latina’, onde vamos falar de que forma podemos agir para ampliar ainda mais políticas públicas para desenvolver esse aspecto, não apenas para o FAO, mas para as outras atividades culturais do Amazonas”, comentou.

Programação

Este ano, o Festival Amazonas de Ópera celebra o centenário do maestro e compositor amazonense Claudio Santoro. Em sua homenagem, será apresentada a ópera “Alma” e, também, um recital com canções compostas por ele. O FAO conta com programação nos teatros Amazonas e da Instalação, nos centros culturais Palácio Rio Negro e Palácio da Justiça, em shoppings, hospitais e escolas de Manaus, além de chegar ao interior.

Como parte da programação, neste final de semana houve apresentações do projeto “Ópera Mirim” e, no domingo (5), aconteceu a aguardada estreia, no Brasil, de “Maria Stuarda”, de GaetanoDonizetti, importante obra no repertório do bel-canto. A obra foi apresentada no Teatro Amazonas e contou com a participação dos solistas Cristina Giannelli, Tatiana Carlos, Dhijana Nobre, Paulo Mandarino, Fred Oliveira e Pepes do Valle.

A agenda do FAO inclui ainda apresentações das óperas “Tosca”, “Mater Dolorosa” e “Alma” no Teatro Amazonas. O Festival também oferece o projeto “Ópera Mirim”; Concerto do Dia das Mães; projeto Mulheres da Ópera; e Recital Bradesco.

Além disso, o evento promoverá o encontro “Os Teatros de Ópera e a Economia Criativa na América Latina”, no dia 26 de maio, das 9h às 13h, no Centro Cultural Palácio da Justiça, com a presença do secretário especial da Cultura do Ministério da Cidadania, Henrique Medeiros Pires; da diretora executiva da Ópera Latinoamérica (OLA), AlejandraMartí; da chefe da Divisão de Assuntos Culturais, Solidariedade e Criatividade do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Trinidad Zaldivar; do presidente da Academia Brasileira de Música, João Guilherme Ripper; e dos secretários de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, Sérgio Sá Leitão e do Rio de Janeiro, Ruan Lira.

Na parte educativa do evento, estão sendo executados os projetos “Vivências de Regência de Ópera”, para alunos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), e “Descobrindo talentos na produção cultural”, direcionado a estudantes do Ensino Médio (selecionados por inscrição).

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