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Festival de Cirandas de Manacapuru reuniu mais de 10 mil pessoas

Nesta segunda (2) acontece a apuração do festival, que tem previsão de iniciar as 17h30, segundo os responsáveis pelas três cirandas  concorrentes: Flor Matizada, Guerreiros Mura da Liberdade e Tradicional 02/09/2013 às 08:04
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Guerreiros Mura da Liberdade no Festival de Cirandas de Manacapuru 2013
Steffanie Schmidt Manacapuru

Com muitas surpresas surgindo de dentro das alegorias - e até mesmo do céu – a Guerreiros Mura da Liberdade encerrou a apresentação do segundo dia do Festival de Cirandas de Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus) sob os gritos de “É campeão”. Em duas horas e meia de apresentação, seres fantásticos que habitam o imaginário popular e as fábulas infantis se revezaram na arena do cirandódromo criando cenários ilusionários, como os reinos de Oz e de Atlântida.

Os torcedores “compraram” a ideia de viajar junto com seu Manelinho em busca da cura para Constância, seu grande amor, e vibraram durante toda a apresentação. Este ano, a ciranda Guerreiros Mura criou uma fábula para contar a historia de amor vivida por dois personagens clássicos: Seo Manelinho de Constância. A família dela proíbe o romance e ela adoece. Para curá-la, seo Honorato recomenda que alguém que a ame muito consiga a pena de um pássaro raro, existente em Manacapuru. É aí que inicia a aventura de seo Manelinho. Nesse contexto, a participação do apresentador Adauto Junior foi fundamental para envolver o público presente na história.

“É uma das melhores apresentações da Guerreiros Mura. As novidades este ano são muitas e toda hora sai algum elemento de dentro das alegorias e da ciranda”, afirmou a secretária Márcia Mendonça, que mora em Manaus. Ela acompanha a apresentação das cirandas desde o primeiro festival realizado no parque do Ingá, em 1997.

De fato, logo no cordão de entrada, que foi dividido em duas partes, seres fantásticos que habitam a imaginação de seo Manelinho foram representados na indumentária, no primeiro momento, e embaixo da canoa dos pescadores, no segundo momento. Ao levantarem a embarcação, era possível visualizar os temidos personagens.

Em seguida, os 68 pares do cordão de cirandeiros, preencheram não apenas o cirandódromo, mas toda a noite de sábado. Com coreografias ousadas, eles vieram divididos pelas cores vermelho e azul, representando as cores da Guerreiros Mura. Os dois grupos interagiram o tempo todo, chegando a trocar os pares algumas vezes. Em todos os cirandeiros, o sorriso e a emoção eram evidentes e assim seguiram até o final.

O ápice da apresentação ocorreu com a aparição de uma nave extraterrestre que abduziu seo Manelinho em pleno cirandódromo. O público foi ao delírio e ajudou a compor a iluminação com lanternas. “Colocamos aqui o temos de melhor. Demos o nosso melhor. A história é envolvente e acho que o público gostou”, afirmou o ex-presidente e um dos fundadores da Guerreiros Mura, Renato Teles. O encerramento se deu com uma grande roda de ciranda em comemoração ao amor de seo Manelinho e Constância.

Valorização dos povos indígenas

Ismael Mura, 16, não sabe como é uma ciranda, mas acredita que se ela leva o nome de sua etnia, então é algo de valor. Morador do terreno ocupado por indígenas na entrada de Iranduba, ele diz que nunca foi a uma festa. “Nunca tive esse tipo de divertimento, mas não sou infeliz. Conheço o rio Manacapuru. Deve ser uma festa muito bonita”, disse.

Em comum, a ciranda e o adolescente indígena têm a alcunha de guerreiro. “A gente chama o outro assim por que entre nós, somos todos guerreiros”, disse. Na ciranda, os guerreiros protagonizaram umas das maiores curiosidades do festival: a festa do “quebra muro”. Logo pela manhã, o muro do galpão, que é fica atrás do cirandódromo foi quebrado para a passagem das alegorias. Trata-se de uma tradição, assim como a reconstrução do mesmo.

Surpresas

A Cirandeira Bela da Guerreiros Mura, Talita Bastos, e a Porta-cores, Sabrina Sales, fizeram duas aparições. Na última, pouco antes do encerramento, elas saíram de dentro do coração de um grande índio Mura, que compunha o cenário.

O público estimado pelo Corpo de Bombeiros durante a noite de sábado foi de 10 mil pessoas, limite comportado no cirandódromo, sem lotação máxima

Tradicional encerrou o festival

Após três noites de luxo, histórias e grandiosas alegorias, a ciranda campeã da 17ª edição do Festival de Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus) será conhecida nesta segunda-feira (2), por volta de 20h. A apuração tem previsão de iniciar as 17h30, segundo os responsáveis pelas três cirandas  concorrentes: Flor Matizada, Guerreiros Mura da Liberdade e Tradicional.

O corpo de 12 jurados, a maioria de Manaus, ira julgar três blocos de itens apresentados desde sexta-feira. No bloco A, o de conjunto musical, serão avaliados o apresentador, cantador, a tocada (banda) e a cirandada (letra e música).

No bloco B, o cênico e coreográfico, os itens porta-cores, cirandeira bela, cordão de entrada, cordão de cirandeiros (indumentária e coreografia/sincronismo) serão julgados. Já no Bloco C, o de conjunto artístico, as notas serão validadas para harmonia geral, criatividade e originalidade, fantasias de destaque, alegorias, além de tema e desenvolvimento. A partir do ano que vem, um novo item será incluso no bloco B, o de princesa cirandeira.

Na noite deste domingo (1º), às 21h30, Tradicional mostrou que veio para disputar o titulo de campeã logo no cordão de entrada: trouxe 45 cirandeiros divididos em 15 “honoratos”, personagem que representa o curandeiro na ciranda; 15 gaviões, e 15 onças pintadas, todas encarnadas por mulheres. A ideia é representar o amor proibido do homem gavião da tribo, pela mulher onça da tribo, uma lenda indígena que conta o nascimento do rio Manacapuru.

Do choro dos amantes, nasceram as águas do rio que banha parte da cidade, junto com o Solimões. Esse é o tema: “Do Matupá ao mimeru – os mistérios e encantos das águas de barranco do rio Manacapuru”. 

Foram dois meses de ensaio para 15 minutos de apresentação, de acordo com a secretária da Tradicional, Sâmara Maciel. O esforço pode ser percebido no cirandódromo. A torcida da Tradicional, que começou a chegar desde as 19h no Parque do Ingá, respondeu à dedicação dos cirandeiros, com participação intensa em todas as cirandadas.

Muitos trouxeram os adornos utilizados como papelão em formato de mão e de peixe, além de bandeiras e chicchoc, que são pompons, nas cores da ciranda: vermelho, dourado e branco. “No galpão eles dão o material e forma; a gente faz tudo em casa. É a nossa colaboração com quem se dedica o ano todo para fazer a apresentação”, afirma o técnico em saúde, Rayson Serafim Picanço. Acompanhado da esposa, Rosilene Guedes Ferreira, ele se orgulha em dizer que a “trouxe”de outra ciranda para torcer pela Tradicional.

União

José Alves Ferreira e a mulher dele, Noemia chegaram cedo ao cirandódromo. O motivo era mais que especial: ver o filho, Nivaldo Azevedo, em ação. Ele é apresentador da Tradicional. O detalhe é que dona Noemia torce pela Flor Matizada.

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