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Festival de literatura ganha edição em Manaus

Dias 17 e 18 deste mês acontecem o Festival de Literatura da Amazônia (Flama) com participação especial de grandes poetas brasileiros 16/10/2014 às 13:15
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Celdo Braga é o organizador do evento em Manaus
Rafael Seixas Manaus-AM

Devido à sua expressiva obra poética voltada à Amazônia, presente em obras como “Cordel Verde”, “Entranhas do Mato”, “O Eco das Águas”, “Água e Farinha” e “Estações” – todas publicadas em forma de livro –, há dois anos o poeta Celdo Braga participa, como convidado, do Festival de Literatura da Amazônia (Flama), que é realizado anualmente na cidade de Porto Velho. Este ano, o festival ganha uma edição em Manaus, amanhã e sábado, com uma programação na unidade da UEA da avenida Djalma Batista, ao lado do Amazonas Shopping, e no Café Teatro, situado na avenida Sete de Setembro, 377, Centro, ao lado do Basa.

“Estou responsável por fazer essa edição do Flama em Manaus, que será no dia 17 de outubro, com uma mesa redonda na UEA, com o professor Allison Leão, que é o coordenador do curso de Literatura, haverá o lançamento do livro ‘Cardume’, uma edição da Livraria Valer, do poeta Carlos Moreira, e no dia 18, no Café Teatro, vem um poeta alagoano, que mora na Bahia, que é o José Inácio, lançando o livro ‘O galope de Ulisses’”, disse Celdo Braga, que também é o líder do grupo musical Imbaúba, o qual faz uma participação no evento no dia 18.

“Ele (José) me levou em maio para um lugar chamado Maracás, na Bahia, para ser homenageado. Lá tem um grupo recitando todos os meus livros de poemas, foi uma experiência maravilhosa de ver os jovens entusiasmados recitando, enchendo o teatro... Aproveitando o ensejo do Flama, aproveitei para trazê-lo”, acrescentou.

Problemática

Para o poeta, o grande vazio hoje na Amazônia, em relação à circulação da poesia e da música, é justamente a falta de interlocução.

“Esse evento permite essa interlocução dos poetas que estão na região, no Norte e já com essa pequena semente no Nordeste. Acredito que, a partir do momento que começamos a dialogar com poetas e a trazer uma poesia de alto nível, com performances especiais, porque os dois poetas convidados são performáticos, isso eleva a poesia, colocando-a num lugar de aceitação e de credibilidade que, até então, às vezes, é duvidosa, porque a maioria dos poetas não trabalha a questão do recital. Às vezes vão ler seus poemas e isso não impacta quem não está costumado com a literatura ligada com a poesia. Os dois poetas convidados já têm essa condição que é muito especial, que é a questão performática e que realmente seduz o público”, declarou o artista, natural do município de Benjamin Constant.

Propagação

A poesia em Manaus começa a circular, segundo Braga, que também sabe de seu papel (e de outros escritores) na difusão deste gênero literário.

“Nesse ano, eu fui homenageado como poeta por toda a rede escolar da Secretaria Municipal de Educação (Semed). Ao todo, 404 escolas trabalharam a minha poesia em sala de aula. Passo por um universo de milhares de jovens que estão tendo acesso à minha poesia, uma poesia que nos identifica nessa paisagem, uma poesia comprometida com os valores amazônicos. (...) A partir do momento que poetas como Anibal Beça, Thiago de Mello, Tenório Telles, Luiz Bacellar, Elson Farias e Zemaria Pinto estão colocando o seu texto, neste tempo, para ser conhecido no universo escolar, a escola é realmente a grande responsável de firmar essa valorização da nossa literatura em poesia”.

A obra de Celdo Braga tenta esse diálogo com todo o universo da paisagem que são traços culturais da população amazonense. “Por isso, de alguma forma, ela (poesia) começa a ter uma boa repercussão e ressonância porque, realmente, eu traduzo aquilo que é fruto da minha vivência. Não sou um poeta de gabinete que fica imaginando as coisas para compor. Venho do interior e tudo que hoje canto em verso e prosa é fruto da minha vivência e dessa bem querência com a minha terra. A gente precisa desenvolver efetivamente esse bem querer por aquilo que é nosso”, acrescenta.

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