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Festival de Ópera apresenta trabalho de Richard Wagner

Evento terá montagem da intimista e sacra “Parsifal”, última ópera escrita pelo compositor alemão  29/03/2013 às 08:15
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Festival de Ópera apresenta trabalho de Richard Wagner
jornal a crítica ---

Sempre movido pelas paixões, terrenas ou espirituais, o alemão Richard Wagner é um dos mais importantes compositores de óperas, com extensa obra, densa e complexa, de composições tão bem cuidadas quanto o seu perfeccionismo permitia. E no 17º Festival Amazonas de Ópera (FAO), que atingiu sua maturidade e apresenta uma programação ambiciosa para 2013, Wagner não poderia estar ausente, uma vez que o ciclo wagneriano – com a montagem inédita no Brasil da tetralogia do “Anel do Nibelungo” (2002 a 2005) – levou o FAO a um outro status dentro do mapa lírico brasileiro e internacional. O evento tem promoção do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura, com patrocínio master do Bradesco.

A missão desta vez é montar “Parsifal”, com 330 minutos (5 horas e 2 intervalos), que estreia no dia 16 de maio, às 18h, no Teatro Amazonas, com direção musical e regência do maestro Luiz Fernando Malheiro. Entre os intérpretes para os personagens marcantes da ópera, há veteranos e nomes novos da cena operística. A direção cênica será de Sergio Vela, e a produção conta com parceria do Fundo Nacional para a Cultura e Arte do México.

Para o maestro Malheiro, o desafio de montar “Parsifal” é que se trata de uma peça complexa, longa e bastante intimista, a última escrita pelo alemão, com linguagem hermética. “Ela não tem cenas de coro, é mais reflexiva e filosófica, que precisa de estudos aprofundados. Estamos trabalhando bastante a parte musical, cênica e o texto em alemão. Para o público haverá legendas em português”, diz o diretor artístico do FAO.

História

A ópera tem como tema principal a história do Santo Graal, um assunto muito explorado nos últimos anos pela literatura, como “Código Da Vinci”, e cinema, apesar de ter estado na moda desde a metade do século 19. “Wagner traz as discussões entre sacro e profano, a eterna busca do homem por sua evolução espiritual”.

“Parsifal” foi concluída em 1882 e sua estreia mundial aconteceu no Festival Bayreuth, dia 26 de julho. Wagner deixou um monumento na pequena cidade da Bavária, construindo lá um teatro para óperas, projetado especialmente para encenar seus próprios trabalhos. O compositor alemão morreu um ano depois, mas antes determinou que a ópera não deveria ter outro palco além de Bayreuth, por 30 anos (direitos de copyright), o que foi quebrado pelo Metropolitan Opera House em 1903, já que os Estados Unidos não assinaram a lei de direitos autorais.

Longa gestação

A última ópera de Wagner foi considerada pelo compositor como uma consagração, após uma longa gestação, já que o autor leu o romance que a inspirou em 1845, mas só completou a música em 1881, 36 anos depois. No final da vida, o alemão estava tentado a conciliar aspectos de sua espiritualidade ao seu trabalho, cuja obra já havia vivenciado de tudo, de paixão sexual rebelde a traições e assassinatos, obsessão, a quintesência do romantismo até os desafios morais da condição humana. Aí nasce “Parsifal”, uma peça sacra, fundamentada na lenda medieval e cristã do Santo Graal e da lança que perfurou o corpo de Jesus Cristo na cruz, dando lugar ao amor universal e compassivo.


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