Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019
Tradição em setembro

60º Festival Folclórico do Amazonas começa neste sábado (16) resgatando tradições

Arena do Centro Cultural, que antes abrigava o tabladão da Bola da Suframa, é palco do evento a partir de hoje



15/09/2017 às 20:21

O Festival Folclórico do Amazonas representa o resgate anual das belas e diversificadas manifestações culturais existentes em Manaus e que, ao longo do tempo, e com o surgimento de outras diversões concorrentes na capital, aliado ao agravamento da crise financeira e outros fatores, foram ficando em segundo plano (tanto que, do tradicional junho, passaram para julho, agosto e agora setembro). Mas, se é na adversidade que surgem os guerreiros, então que eles brotem e façam do palco da velha “Bola da Suframa”, seu mais aconchegante habitat. É com este pensamento que, neste sábado, a partir das 19h, começa o 60º “Festival do Povo”, como é conhecido o evento mais charmoso das danças folclóricas manauenses.

Hoje, 12 das 72 associações folclóricas de 17 modalidades iniciam a disputa pela categoria Ouro na Arena do Centro Cultural dos Povos da Amazônia (CCPA). O Festival, que deixou de ser realizado ano passado, volta com força total e grandioso, esperam os participantes.



“Vai ser um festival grandioso. Os grupos irão completos e bem preparados, inclusive os grandes grupos tradicionais, alguns dos quais resistem bravamente. É o caso do Corre Campo, que participou de todos os festivais, com 75 anos de uma história que vem até antes do evento. E esse 60º Festival é um talismã para todos os folcloristas: são 60 anos de Festival, vindo desde a Praça General Osório. É um evento de suma importância para a população e para o Estado”, conta Alvacir Siqueira, representante do tradicional bumbá Corre Campo, do bairro da Cachoeirinha, Zona Sul, associação, como ele mesmo frisa, mais antiga até que o próprio Festival do Amazonas. Sua apresentação será dia 22, pela modalidade Boi-Bumbá Master A.

Brotinhos

As cirandas representam um charme a mais para o Festival. E vem do Coroado uma das mais animadas: a Brotinhos, que tem 31 anos de fundação e que se apresenta para o público dia 21. A associação é comandada pelo presidente Antônio Rodrigues, o “Toinho da Ciranda”, e seus brincantes vêm ensaiando aos sábados e domingos na Escola Estadual Cacilda Braule Pinto, no próprio Coroado, Zona Leste.

“Desmentindo” a tradicional canção onde “todo mundo já dizia que a ciranda não saía”, a Brotinhos do Coroado vai firme e forte com 32 pares e “rebolando na cara da dificuldade”. “Falando em um contexto geral, quase todas as associações folclóricas tiveram dificuldades como, por exemplo, para liberação de locais de ensaio. Dizem que deve haver interação entre escola, dança e comunidade, mas isso não acontece, pois as escolas são fechadas. No âmbito financeiro, todo ano aumentam os custos”, destaca o dirigente.

Resgate

Toinho da Ciranda pontua que participar do Festival é importante para “resgatar a cultura da nossa festa e manter viva essa tradição e opção de lazer sob pena de não realizarem o evento pelo segundo ano consecutivo”. Ele disse que, no passado, as “danças deram seu jeito para se apresentarem ao público”, mas que hoje, “para muitos brincantes não é interessante dançar em setembro pois ”se quebrou o clima da dança e já está se entrando é no período de Carnaval” e que “as autoridades deveriam ter uma consideração maior com esse evento”.

Integrantes de associações na expectativa pelas danças

Membros de associações folclóricas, como a Quadrilha Marupiaras do Amazonas, de Petrópolis, falaram da expectativa para o 60º Festival. A diretora financeira Iolanda Coelho Dias destaca que a associação traz como tema “A Lenda do Guaraná nos Folguedos de São João” para a apresentação do dia 22. “Nos preparamos para dançar em junho, mas por conta de vários problemas nosso Festival veio para setembro”, comentou.

Ela lembra que 2016 foi um ano muito difícil para o folclore por conta da não-realização do evento. Curiosamente, 2016 entrou para a história da Marupiaras: ela foi certificada e reconhecida como ponto cultural do Estado pelo Ministério da Cultura, fato inédito para uma associação folclórica do Amazonas. Eis um belo exemplo da riqueza do Festival Folclórico.

Em números

72

é o número de associações folclóricas que se apresentam a na categoria Ouro. Cada apresentação terá 30 minutos de duração, à exceção das categorias Boi-Bumbá Master A, que terão até duas horas para evoluir na Arena, e Boi-Bumbá Master B, com até 1h30 de apresentação, cada.

Festival começou em 21 de junho de 1957

De acordo com dados da home oficial do Governo do Estado, o Festival Folclórico do Amazonas teve seu início em 21 de junho de 1957, no Campo do Quartel 27 B.C., Estádio General Osório, em Manaus. Reúne, desde o início, diversas danças folclóricas de bairros de Manaus, contribuindo para difundir a cultura popular do Amazonas. 

A festa conta com várias atrações como os bois principais Garanhão, Brilhante e Corre-Campo e apresentações de cirandas, danças nordestinas, quadrilhas e apresentação de tribos. 

Até a década de 70, o festival era apresentado no centro de Manaus, local hoje ocupado pelo Colégio Militar. Com a chegada do Colégio, em 1979, as organizações dos eventos procuraram um novo espaço para abrigar a festa. O festival passou a ser apresentado em diferentes lugares como: Parque Amazonense, Estádio da Colina, Estádio Vivaldo Lima (Vivaldão). 

Em 1979, com a fundação da Associação dos Grupos Folclóricos do Amazonas (AGFAM), com o presidente fundador Carlos Magno Duarte de Souza, a festa foi levada para a Praça Francisco Pereira da Silva, “Bola da Suframa”, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura. 

O novo local agradou a todos, pois possibilitou a manutenção das características originais do evento: a de um grande arraial, com barracas, parque de diversão e muitas outras atrações. 

Depois disso, com a construção do Sambódromo, o festival ainda passou a ser realizado no local, na área denominada ferradura.  O evento voltou a ser apresentado na Bola da Suframa até que o governo de Amazonino Mendes optou por construir no local o Memorial da Amazônia. Na época da construção, o festival voltou a ser apresentado no Sambódromo. 

Em 2003, no governo de Eduardo Braga, o Memorial da Amazônia foi adaptado e passou a receber o nome de Centro Cultural Povos da Amazônia. O Centro Cultural é dotado de uma grande arena medindo 60×90 m, arquibancadas para um público de 15 mil pessoas, banheiros amplos e fixos e a praça de alimentação. 

Em junho de 2005, o secretário de Estado de Cultura, Robério Braga, organizou a abertura oficial do 49º Festival Folclórico do Amazonas, juntamente com as quatro Associações (AGFAM, AGFM, LIGA e MBM) no Centro Cultural Povos da Amazônia. 

Em 2006, o ano do “Jubileu de Ouro” do Festival Folclórico, a AGFAM, optou em realizar uma produção artística desvinculada de outras associações e apresentou o projeto: Cidade Cenográfica do Folclore.  Com as modificações, a AGFAM passou a realizar disputas internas nas categorias Super, Especial e A.

Atualmente, o Centro Cultural dos Povos da Amazônia segue como local das disputas da categoria Ouro, com o Festival sendo uma organização do Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado da Cultura (SEC).

As categorias de Prata e Bronze tiveram como palco o Anfiteatro da Ponta Negra, tendo sido organizadas esse ano pela Prefeitura de Manaus através da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult).

PROGRAMAÇÃO DO 60º FESTIVAL FOLCLÓRICO DO AMAZONAS

Dia 16, sábado – A partir das 19h

Evolução Nativa Tribal

Boi Bumbá Regional

Independente do Coroado

Ciranda

Cia. Artística Caracalla

Dança Internacional

Fofas Sim, Bibas Não

Quadrilha Cômica

Cangaceiros do Bale Perdido

Dança Nordestina

Junina Caipira na Roça Da Betânia

Quadrilha Tradicional

Caipira na Roça

Quadrilha Tradicional

Diva na Roça

Quadrilha Tradicional

Manaós

Cacetinho

Show Funk na Roça

Dança Alternativa

Força Jovem

Ciranda

Café XV de Outubro

Dança Nacional

Dia 17, domingo – A partir das 19h30

Família Gald na Roça

Quadrilha Tradicional

Serafina

Dança Regional

Faz Raiva na Roça

Quadrilha Tradicional

Al-Karak

Dança Internacional

Sensação da Raiz

Ciranda

Xote Noda de Cajú

Dança Nacional

Tira Prosa

Boi Bumbá Tradicional

Dos Maués

Tribo

Waimiri-Atroari

Cacetinho

Justiceiros do Sertão

Dança Nordestina

Descendentes de Lampião

Dança Nordestina

Tukano do Alto do Rio Negro

Tribo

Dia 18, segunda-feira – A partir das 19h

Brilho do Campo

Garrote Tradicional

Guardiões das Estrelas

Dança Alternativa

JAQ na Roça

Quadrilha Tradicional

Cabras do Capitão Silvino

Dança Nordestina

Explode Coração

Ciranda

Tarianos do Ifam

Cacetinho

Pedro e Pedrita

Quadrilha Cômica

Lendas e Povos da Amazônia

Dança Regional

Dos Barés

Tribo

Dia 19, terça-feira – A partir das 19h

Tinideirinha

Garrote Tradicional

Estrelinha

Garrote Regional

Café da Redenção

Dança Nacional

Baniwa

Cacetinho

Cabras do Capitão Cabeleira

Dança Nordestina

Junina Gaviões na Roça

Quadrilha Tradicional

Grande Família

Ciranda

Mosqueteiros na Roça

Quadrilha de Duelo

Dos Kayapós

Tribo

Dia 20, quarta-feira – A partir das 19h

Filho do Campo

Garrote Regional

Caxemira

Dança Internacional

Revolução na Roça

Quadrilha Tradicional

Cuxi Maraíba

Tribo

Emoção do Armando Mendes

Ciranda

Cabras do Capitão Galdino

Dança Nordestina

Brotinhos de Petrópolis

Quadrilha Tradicional

Gaúcha Rancho Manauara

Dança Nacional

Sonho de Cirandeiro

Ciranda

Dia 21, quinta-feira – A partir das 19h

Majestoso

Garrote Regional

Afro Brasileira

Dança Nacional

Cabras de Lampião

Dança Nordestina

Brotinhos do Coroado

Ciranda

Da Visconde

Ciranda

Tukunas Belezas Naturais

Tribo

Ruy Araujo

Ciranda

Juventude na Roça

Quadrilha Tradicional

Do Binha

Ciranda

Dia 22, sexta-feira – A partir das 19h30

Marupiaras do Amazonas

Quadrilha Tradicional

Carinhoso

Boi Bumbá Master A

Corre Campo

Boi Bumbá Master A

Garanhão

Boi Bumbá Master A

Dia 23, sábado – A partir das 18h30

Renascer

Garrote Regional

Império da Compensa

Ciranda

Cangaceiros de Lampião

Dança Nordestina

Em Busca da Paz

Quadrilha de Duelo

Tradição da Ciranda

Ciranda

Galante

Boi Bumbá Master B

Brilhante

Boi Bumbá Master B

Brilha Noite

Boi Bumbá Master B

 

 


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