Publicidade
Entretenimento
DANÇA

Festival Mova-se tem início com espetáculo inspirado em Chico Buarque e Portinari

Apresentação gratuita de companhia carioca acontece nesta quarta (31) no Teatro Amazonas, a partir das 20h 30/08/2016 às 18:20 - Atualizado em 30/08/2016 às 19:18
Show 1128922
"Saudade de mim", da Focus Cia. de Dança, reúne oito bailarinos no palco
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Depois de uma etapa de apresentações realizada em Porto Velho, a sétima edição do Mova-se Festival de Dança tem início amanhã em Manaus com o espetáculo convidado “Saudade de mim”, da Focus Cia. de Dança, do Rio de Janeiro. Inspirado nas obras do compositor Chico Buarque e do pintor Cândido Portinari, o trabalho poderá ser visto no palco do Teatro Amazonas, às 20h, com entrada gratuita.

Por telefone, o diretor e coreógrafo Alex Neoral conversou com o Jornal A Crítica e contou sobre as origens desse espetáculo, há dois anos no repertório da companhia. “A ideia inicial era fazer um trabalho em que as artes se misturassem, daí veio a opção pelas obras do Chico e do Portinari, o que faz do espetáculo uma criação genuinamente brasileiro e totalmente imbuída da nossa cultura”, disse.

Foi Neoral quem assumiu a escolha do cantor e do artista plástico como as referências de base para “Saudade de mim”. “Pessoalmente, tive contatos distintos com a obra de cada um”, revela. “Chico é alguém que me acompanha desde minha infância e formação, então era um desejo antigo poder usar as músicas dele como mote criativo”.

“Já com o Portinari tive um contato maior a partir de 2010, quando dancei um pas de deux com a Ana Botafogo na inauguração da exposição com os painéis ‘Guerra e Paz’, no Rio. Fiquei arrebatado pela arte dele e resolvi me aprofundar mais”.

 A trama

Com oito bailarinos em cena, a Focus desenvolve a narrativa de um casal, Pedro e Maria (das canções “Pedro pedreiro” e “Olha Maria”), dois apaixonados que precisam enfrentar os percalços de um romance mal visto pela família dela. Nessa trama, relações conflituosas, dores, amores, vida e morte são questões que emergem do corpo dos intérpretes.

Segundo Alex Neoral, o espetáculo também cria relações entre as figuras das telas de Portinari e as personagens das músicas de Chico, como se as pinturas ganhassem movimentos a partir de canções da estirpe de “Trocando em miúdos” e “Valsinha”.

“Como o espetáculo é afetado por outras formas de arte, os bailarinos não só dançam, mas se tornam personagens nessa narrativa que foi construída, cantam, declamam e atuam”, explica o diretor, que cita esse como o maior desafio do trabalho. “Isso reflete a trajetória dos próprios artistas que inspiraram a obra: assim como Chico não é só compositor, o Portinari não foi só pintor”.

O desejo de ir além da dança é motivo de investigação dentre da companhia desde 2010, quando a Focus estreou “Ímpar”. De lá para cá, Neoral vem questionando o lado expressivo e a fisicalidade dos bailarinos no palco. 

“Trabalhamos muito com os movimentos do corpo e acabamos esquecendo o rosto, cuja expressão vem aparecendo mais nos nossos trabalhos. Em ‘Saudade de mim’, essa função teatral é consciente, em prol da história que queremos contar. Da mesma forma, o gesto não é apenas um adorno coreográfico, mas está ligada a uma intenção”.

Caminhos

Sem buscar o caminho didático da cronologia de suas próprias referências, “Saudade de mim” tampouco abandona o lado político e social presente nas obras tanto de Chico Buarque quanto de Portinari. 

Enquanto o último se faz presente na paleta de cores do figurino, iluminação e maquiagem, o primeiro inspira a representação de subjetividades expostas às questões políticas. “De certa forma, mostramos um lado árido e amargo da realidade do brasileiro, que lá no fundo ainda conserva a esperança”, finaliza Neoral.

Publicidade
Publicidade