Terça-feira, 26 de Outubro de 2021
Dia dos Pais

Filhos que inspiraram os pais a praticarem atividades artísticas

O ditado 'Filho de peixe, peixinho é' se inverte: três homens falam da experiência de aprender habilidades do mundo das artes por influência da prole



zb0107-4f_F88288E1-EFF7-485F-9CA2-2093DEC288BB.jpg Hércules se uniu aos filhos André e Filipe no aprendizado musical (Foto: Junio Matos)
08/08/2021 às 13:17

O ditado é claro. “Filho de peixe, peixinho é” existe para nos explicar que a inspiração exerce um papel fundamental em meio aos processos da vida. Aliás, todos possuem uma figura inspiradora – seja alguém da própria família ou um ídolo de algum segmento. Na maioria das vezes, pais e mães costumam exercer influências positivas nos hábitos da prole. Mas, na reportagem deste Dia dos Pais, celebrado neste domingo (8), vamos conhecer a história de três homens que apresentam uma faceta diferente do ditado popular ao serem inspirados – pelos próprios filhos – a praticar alguma atividade cultural e artística, e a reacender sonhos antigos. Ou, até mesmo, dar asas a novos.

O ator e publicitário Fábio Campos, 47, viu surgir em si mesmo o desejo de ingressar nas artes quando a filha Yasmin Larissa, 16, foi matriculada no curso de musicalização infantil do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro. Ela foi responsável por trazer a família para as práticas artísticas. “Com o seu desenvolvimento artístico e oportunidades surgindo, como participações em óperas e o fato de ser protagonista em vários musicais de Natal no palco do Teatro Amazonas, isso fez brotar esse desejo na minha filha mais nova, Yanara Campos, 13, de também fazer parte do Coral Infantil do Liceu. O mesmo aconteceu com meu filho Fabrício Campos, 20, que se matriculou no curso de baixo acústico”, conta ele.

Como Yasmin passou a ser a fonte de inspiração para os irmãos – e para ele também – Fábio criou coragem e se matriculou no curso de iniciação de teatro, e hoje é acadêmico de Licenciatura em Teatro na Universidade do Estado do Amazonas (UEA). “O bom desempenho de minha filha com certeza foi uma motivação a mais. Pois a arte já fazia parte de minha vida, porém, estacionada em algum lugarzinho do corpo. Comecei a usufruir da arte, ainda criança, participando de pequenos concursos de dança e aquelas participações em circo para ganhar o ingresso do próximo espetáculo”, comenta ele, lembrando que os filhos o auxiliam nos exercícios vocais e de canto, além de o aconselharem a não desistir e continuar a sua jornada.

(Yasmin é a responsável por levar a família - inclusive Fábio - para a arte. Foto: Arlesson Sicsu)

Viola e clarinete

O engenheiro eletricista Hércules Silva, 40, é pai de André Henrique, 13, Filipe Hermom, 11, e Jhuliana, de 1 ano e 4 meses. Ele está aprendendo a tocar viola com o filho Filipe – o outro filho, André, estuda clarinete. “O interesse em tocar um instrumento clássico teve início em 2019, quando meus filhos participaram do espetáculo ‘Um sonho de Natal’, da Nova Igreja Batista. Na época, eles participaram do ministério de orquestra tocando chocalho, e o envolvimento deles nesta participação artística despertou, neles, o desejo por aprender outros tipos de instrumentos”, comenta.

Com o engajamento dos filhos neste aprendizado e a vontade de aprender o instrumento clássico, a prática se aprimorou em meio a pandemia, onde o isolamento em casa contribuiu para que, juntos, o trio fosse descobrindo como tocar os instrumentos, por meio de vídeo aulas, principalmente. Ao se interessar pela viola, Hércules adquiriu o instrumento, entrou no ministério de orquestra da igreja e também se matriculou nas aulas do Liceu. “Meus filhos me motivaram pelo fato de ter que aprender para ensinar. É tão bom torcamos juntos, irmos para os ensaios juntos, isso nos aproxima muito! Compartilhar essa prática com eles nos motiva a tocarmos unidos. O que me dá mais satisfação é vê-los progredindo a cada dia. Como pai é gratificante, para mim, poder ajudar meus filhos nesse legado”, celebra.

Guitarra e bateria

(Mauro começou a estudar bateria para acompanhar o filho Rafael. Foto: Iago Albuquerque)

O professor e juiz do trabalho Mauro Augusto Braga, 56, começou a estudar bateria para auxiliar no desenvolvimento do filho Rafael Braga, 14, estudante de guitarra. “Meu filho é autista e, ao longo de sua vida, vem despertando alguns interesses, os quais são sempre a ele oferecidos para que amplie seu campo de socialização”, conta. Mauro já tinha arte nas suas veias: foi bailarino profissional, atuou em teatro amador e alega ter bom domínio sobre alguns instrumentos, em especial, de percussão; mas acabou se aventurando em aprender um instrumento novo. “Portanto, estudar bateria é mais uma realização pessoal que vem da distante infância e agora, ao lado do meu filho, pode se concretizar”, destaca ele.

Mauro conta que são muitos os desafios a cercarem o aprendizado: em especial, a leitura da partitura e a identificação da batida correspondente. “Mas estou extremamente feliz por estar conseguindo evoluir no instrumento. Ele tem plena consciência de que me influenciou a estudar e praticar bateria e fica sempre muito feliz quando o acompanho às aulas das sextas-feiras. Meu filho é e sempre será meu maior incentivo, qualquer que seja o desafio que ele me propuser”, pontua Braga, lembrando que, ao longo dessa jornada, as influências se tornam ainda mais importantes quando existem entre pais e filhos. “Não importando quem influenciou quem, mas, tão somente que essa sintonia, que esse compartilhamento de desejos e sonhos os unam por toda uma vida”.

 



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