FESTIVAL DE BERLIM

Filme exibido em Berlim sobre escravidão revela raízes do Brasil moderno

O filme “Todos os Mortos”, dominado por quatro personagens femininas poderosas, a ex-escrava Ina (Mawusi Tulani) e duas irmãs e uma mãe de família burguesa anteriormente rica abatida pela abolição da escravidão em 1888

Reuters
24/02/2020 às 19:56.
Atualizado em 10/03/2022 às 10:59

(Foto: Divulgação )

Fazer filmes em um Brasil polarizado e cada vez mais hostil à liberdade artística é um ato de resistência em si, afirmou o diretor de um novo drama sobre relações raciais nos anos seguintes à abolição da escravidão.

Em declaração antes da estreia em Berlim de “Todos os Mortos”, no domingo (23), o diretor Caetano Gotardo disse que as dezenas de filmes brasileiros exibidos em festivais internacionais testemunham o poder da arte de resistir à opressão.

“Há uma tentativa de colocar uma camisa de força nessa força expressiva”, disse ele a repórteres no Festival de Berlim, conhecido como Berlinale. “Temos que estar presentes no cenário mundial e também na arena nacional, com sucessos comerciais, porque isso mostra a força da arte brasileira”.

Desde que assumiu o cargo em 2019, o presidente Jair Bolsonaro tem sido acusado de tentar conter a expressão de pontos de vista contrários ao seu rumo e de fazer declarações racistas, misóginas e homofóbicas.

O filme “Todos os Mortos”, dominado por quatro personagens femininas poderosas, a ex-escrava Ina (Mawusi Tulani) e duas irmãs e uma mãe de família burguesa anteriormente rica abatida pela abolição da escravidão em 1888 - aborda todos os três preconceitos.

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