Sábado, 22 de Fevereiro de 2020
CINEMA

Filme sobre era colonial explica o Brasil atual, diz cineasta e diretor da obra Marcelo Gomes

Em "Joaquim", que está competindo no Festival de Cinema de Berlim, o tenente do século 18 que dá nome ao filme trabalha num posto de controle prendendo contrabandistas de ouro



tiradentes-660260.jpg Foto: Reprodução/Internet

 Um filme sobre Tiradentes que explora os temas do racismo e dos privilégios de uma pequena elite no século 18 ajuda a explicar os atuais problemas do Brasil, porque pouco mudou desde a era colonial, afirmou o diretor da obra, Marcelo Gomes.

Em "Joaquim", que está competindo no Festival de Cinema de Berlim, o tenente do século 18 que dá nome ao filme trabalha num posto de controle prendendo contrabandistas de ouro.



Ele se apaixona por uma escrava e tem a esperança de comprar a liberdade dela, mas tem dificultades para obter a promoção que ele precisa para conseguir os recursos, com um dos seus companheiros dizendo que é necessário ser bem-nascido para subir na vida.

Quando Joaquim é enviado numa missão para descobrir novas fontes de ouro, ele termina querendo libertar o Brasil do poder colonial de Portugal, encorajado pela sua amada e por livros que um homem lhe dá.

"Quando você vai a um psicanalista, se você está numa crise e deita no divã, o psicanalista pergunta quem é o seu pai e quem é a sua mãe? Como era a sua vida com eles? Isso é para entender a sua atual crise”, afirmou Marcelo Gomes em entrevista à Reuters.

"Então, eu acho que eu fiz o mesmo aqui. Eu voltei 200 anos para o nascimento da nação brasileira para entender a crise atual. Eu desvendei as falhas do passado para entender as falhas de hoje”, acrescentou.

Gomes disse que as “fraturas sociais” da era colonial ainda eram visíveis na sociedade brasileira, e exemplos atuais de corrupção incluem o fato de empresas não pagarem os seus impostos.

Isabel Zuaa, que interpreta a escrava Preta, disse que enfrenta preconceito diariamente na vida real e apreciou a oportunidade de interpretar uma mulher que alimenta os sentimentos revolucionários de Joaquim.

"O que eu quero trazer para a tela são temas que são muito atuais, coisas que eu enfrento no meu dia a dia, coisas que são conectadas com a sobrevivência, com resistência e estratégia para sobreviver num mundo onde o meu corpo, a minha cor, é vista como inferior”, afirmou ela a jornalistas.

"Joaquim", junto com 17 outros filmes, compete pelo Urso de Ouro e o de Prata.


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