Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2020
CINEMA

Filme sobre Marighella é resposta artística a cenário político brasileiro, diz Wagner Moura

Obra sobre revolucionário brasileiro assassinado durante a ditadura militar, segundo produtores, combate versão da história propagada pelo presidente Jair Bolsonaro



144_4B2558F6-1259-4900-ABC0-7F849655800F.jpg Foto: Hannibal Hanschke/Reuters
16/02/2019 às 17:05

Os produtores de “Marighella”, filme sobre o revolucionário brasileiro assassinado durante a ditadura militar, esperam que a produção ajude a combater uma versão da história brasileira que afirmam ser propagada pelo presidente Jair Bolsonaro.

O drama foi filmado antes da eleição presidencial do ano passado, mas o diretor Wagner Moura disse que o filme é, ainda assim, uma resposta artística ao cenário no qual Bolsonaro foi eleito.



O filme retrata um grupo clandestino liderado por Carlos Marighella, atuado por Seu Jorge, cujo objetivo é estimular a resistência informando o público sobre atos de tortura e assassinatos perpetrados por um governo que usa o controle da mídia para manter seus crimes em segredo.

Wagner Moura disse que o filme, que estrearia ontem, sexta-feira (15), no Festival de Cinema de Berlim, tem uma missão semelhante – derrubar uma narrativa que retrata os defensores da ditadura como heróis e apaga a história da resistência.

“(Bolsonaro) tem elogiado torturadores, ele tem elogiado a ditadura... as pessoas estão começando a dizer que o golpe de Estado de 1964 foi na verdade o ‘movimento’ de 1964”, disse Moura a repórteres.

O Brasil foi governado por militares durante 21 anos, a partir de 1964. Um relatório de 2014 da Comissão Nacional da Verdade revelou que centenas foram mortos ou desapareceram durante a ditadura, e que milhares foram presos.

Capitão da reserva do Exército, o presidente Jair Bolsonaro tem expressado abertamente a admiração deke pela ditadura. Ele chegou ao poder devido à insatisfação dos eleitores com os partidos políticos tradicionais e tomou posse em janeiro deste ano.

“Marighella” mostra o grupo de resistência usando meios criativos para chamar atenção para os crimes da ditadura, inclusive desviando sinais de rádio para transmitir um discurso do revolucionário.

Enquanto isso, o policial Lúcio, interpretado por Bruno Gagliasso, está sob crescente pressão para reprimir o grupo, e usa um misto de violência e destreza para contê-lo, identificando o ponto fraco dos revolucionários: ligação com as famílias e aqueles que amam.

No tapete vermelho do evento, o elenco e equipe do filme entoaram gritos pela liberação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre pena de mais de 12 anos de prisão por condenação por corrupção.

A produtora de “Marighella”, Andrea Barata Ribeiro, disse que ainda é incerto quando, ou até se, o filme será amplamente lançado no Brasil, e que obstáculos financeiros podem ser tão significativos quanto qualquer resistência política à produção. “Se necessário, faremos um lançamento independente do filme por meio de crowdfunding.”


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