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NOSTALGIA

Fim da fabricação de videocassetes traz à tona histórias sobre antiga tecnologia

A multinacional japonea Funai era a única no mundo que ainda fabricava o aparelho 31/07/2016 às 05:00
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Reprodução
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

A notícia pegou muita gente de surpresa: a Funai Eletric, uma multinacional japonesa, anunciou que vai encerrar a produção de videocassetes, deixando de ser a única empresa do mundo que ainda fabricava os aparelhos. “Como assim? E ainda fabricavam isso?”, essa é a pergunta que deve ter passado pela cabeça do leitor. A Funai não só mantinha a sua linha de videocassetes, como chegou a vender 750 mil unidades do produto no ano passado – bem longe dos milhões vendidos anualmente nas décadas de 80 e 90, é verdade.

Ao que parece, esse é só o capítulo final na história de uma tecnologia que se tornou obsoleta desde o surgimento do DVD. Quem lembra dessa época de transição do VHS para o disco digital de vídeo é Overland Cruz, dono da Take Vídeo, uma das últimas locadoras de Manaus.

“Os clientes não tiveram escolha, porque as empresas já tinham definido que não iam mais produzir VHS a partir de determinada data. Houve um período muito curto de convivência entre as fitas e os DVDs. É diferente de hoje em dia, em que o cliente pode escolher entre o DVD e o blu-ray, porque os dois formatos estão convivendo no mercado”, afirma.

Antes e depois

As vantagens da entrada do DVD em cena eram inegáveis, a começar pela qualidade de som e imagem, mas as locadoras também passaram a economizar espaço. “Com o VHS éramos obrigados a comprar duas versões de um mesmo filme, a dublada e a legendada. Eu também tinha que definir quantos de cada uma eu ia querer, então isso aumentava o custo, fora o espaço na prateleira para armazenar as duas versões”.

O contato físico da fita, a mídia gravada, com o leitor do videocassete também era um problema – o acúmulo de sujeira podia danificar ambos. “O mofo era um problema. Tínhamos que controlar a umidade da locadora, ainda bem que o ar-condicionado ajudava. Eu mesmo tinha três máquinas para fazer a limpeza das fitas, e era um processo lento, porque tinha que rodar toda e depois rebobinar para garantir”, relembra.

Falando nisso, um hábito que a geração do VHS quase nunca levava a sério era o de rebobinar as fitas antes de devolvê-las às locadoras. Muitas cobravam multas dos clientes, como a Take Vídeo. “Se a gente cobrasse a multa, passava por antipático. Mas acabei com isso rapidinho, porque passei a alugar as fitas como elas chegavam, aí quando o cliente reclamava eu dizia que já chegava daquele jeito. A consciência dele acusava”, completa Overland.

O dono da Take hoje se arrepende de ter guardado todo o seu acervo de fitas em um depósito depois do advento do DVD. “Fomos a primeira locadora de Manaus a ter DVD, porque as outras ficaram com um pé atrás. Mas em vez de eu vender minhas fitas a um preço menor para os céticos, eu preferi guardá-las durante uns quatro anos. O resultado foi que elas mofaram e eu acabei dando para uma empresa que reciclava as carenagens”, lamenta.

Na televisão

Funcionário da TV A Crítica desde os anos 70, o arquivista Luiz Antônio lembra do tempo em que as fitas faziam parte da rotina de produção das reportagens e programas. Segundo ele, o VHS começou a ser usado depois da U-matic, uma tecnologia de vídeo que veio a substituir as câmeras de cinema 16mm nos bastidores da televisão.

“Os câmeras iam para a rua e, quando chegavam, entregavam a fita para a pessoa que ia editar. Depois o conteúdo era apagado e ele voltava para a rua com a mesma fita para gravar outras matérias”, declara. “Depois de editada em VHS, ela era copiada para Betamax, o formato de exibição”. As fitas também eram usadas para arquivar o conteúdo que ia ao ar, processo que se manteve até o aparecimento do DVD, quando os programas passaram a ser arquivados em disco.

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