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Flacidez deixada pela cirurgia bariátrica pode ser solucionada, diz profissional

Estudos apontam para a criação de novos remédios e suplementos que podem combater problema deixado pelo pós-operatório. “O caminho já foi aberto. Agora fica mais fácil”, afirma cirurgião que realiza a pesquisa 21/09/2014 às 15:48
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Possíveis inimigas do pós-operatório podem estar com os dias contados
GABRIEL MACHADO Manaus (AM)

Na incessante luta contra a balança, diversas pessoas acabam desistindo de emagrecer por meio de dietas e exercícios e terminam por se render ao que seria, em tese, uma maneira mais rápida e eficaz de eliminar grandes quantidades de peso: a redução de estômago, ou cirurgia bariátrica.

No entanto, os pacientes que recorrem a essa solução mais radical enfrentam, posteriormente, um outro problema: devido à rápida (e significativa) perda de peso, eles têm de lidar, muitas vezes, com a grande flacidez e acúmulo excessivo de pele no abdome e em outras partes do corpo - efeito que, mesmo com procedimentos cirúrgicos específicos, nem sempre é resolvido.

“Temos muitas dificuldades em trabalhar a parte estética desses pacientes, porque sobra muita pele”, reforça o cirurgião plástico e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Renato Gallo, em entrevista ao VIDA. Recentemente, ele concluiu sua tese de doutorado, com duração de cinco anos, na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), estudando, exatamente, os motivos que levariam a pele desses pacientes a apresentar estas características específicas.

Com os resultados do doutorado, cirurgião aposta na criação de novos remédios e suplementos (Foto: Evandro Seixas)

“Suspeitamos que houvesse algo de errado com as proteínas (da pele) dessas pessoas. Então, fizemos uma pesquisa baseada nisso: se haveria ou não substâncias alteradas”.

Como resultado, o cirurgião e agora doutor pela Famerp descobriu a existência de seis proteínas alteradas na pele dos pós-bariátrica, em comparação aos pacientes que emagreceram sem intervenção cirúrgica. Segundo ele, seriam essas sustâncias alguns dos fatores responsáveis pela dificuldade em reconstruir o contorno corporal de pessoas que se submeteram à bariátrica.

“Agora, a universidade vai abrir uma série de projetos para entender o papel dessas proteínas e ver se elas são, de fato, responsáveis por essa flacidez maior”, revela Gallo. “Para resultados mais conclusivos, ainda serão necessários alguns anos de pesquisa. Porém, essa descoberta foi de extrema importância, pois mostra que existe essa diferença e onde ela está (nas proteínas)”, acrescenta.

Pesquisa

Para a realização desse estudo, Renato Gallo selecionou um grupo de pacientes que haviam perdido grandes quantidades de peso. Os escolhidos foram, então, separados em dois grupos: os que perderam peso pela cirurgia de redução do estômago e os que emagreceram com o auxílio de dietas e exercícios. Todos foram direcionados a seguir à risca os mesmos cuidados, a pedido dos médicos, e submetidos a uma abdominoplastia.

O resultado final não deixou dúvida: “Mesmo com todos esses cuidados, o efeito da cirurgia naquelas que tinham feito a bariátrica deixou bastante a desejar”, confessa o cirurgião. “É um resultado diferente que não sabíamos por que acontecia. A intenção agora é aprofundar as pesquisas para ver se essas proteínas podem explicar isso”.

Caso as previsões se confirmem e essas substâncias sejam, de fato, responsáveis pela flacidez excessiva no pós-operatório desses pacientes, o objetivo principal será a fabricação de remédios e suplementos específicos para solucionar o problema. “O caminho já foi aberto. Agora fica mais fácil”, encerra Gallo.

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