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Forma mais grave de TPM pode levar à depressão crônica

Transtorno disfórico pré-menstrual, ou TDPM, produz nas mulheres sintomas similares ao da depressão e exige tratamento 13/11/2015 às 14:14
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Transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) atinge de 3% a 8% das mulheres em período reprodutivo
Jony Clay Borges Florianópolis (SC)

Irritabilidade, fadiga, insônia, instabilidade emocional, angústia e tristeza estão entre os sintomas associados à conhecida tensão pré-menstrual (TPM), que acomete cerca de dois terços das mulheres em período reprodutivo.

Uma parcela dessa população, todavia, experimenta os mesmos problemas de forma mais intensa e agressiva por conta do chamado transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM). O distúrbio atinge de 3% a 8% das mulheres nos dias que antecedem a menstruação, produzindo um quadro similar ao de depressão.

“Na TPM, são mais fortes os sintomas físicos, como dor de cabeça, sensação de inchaço ou fadiga. Já a TDPM traz sinais como irritabilidade, humor deprimido, desconforto consigo mesma. É uma sintomatologia mais psíquica que física”, apontou Carmita Abdo, professora, psiquiatra e sexóloga paulista, em entrevista durante o 32º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, em Florianópolis, na semana passada, quando ela falou sobre este e outros temas da saúde feminina.


MAL RECORRENTE
Tal como a TPM, o TDPM ocorre de forma cíclica, como consequência da flutuação hormonal na mulher durante o ciclo menstrual. A queda no nível de estrogênio, nos dias anteriores ao mênstruo, diminui a disponibilidade da dopamina, um neurotransmissor cerebral associado à motivação.

Dessa forma, afirma Carmita, a mulher “terá maior predisposição a um humor deprimido e os correlatos”. “Fadiga, insônia, sensação de tristeza profunda, choro fácil, falta de ânimo para outras atividades, inclusive sexual”, enumera a especialista.

O transtorno, segundo a especialista, acaba afetando o cotidiano e a vida das mulheres que sofrem com ele. “A mulher às vezes diz coisas como ‘Tenho irritabilidade’, ‘Não consigo produzir’, ‘Eu me sinto desassossegada’, ‘Sou estúpida’, ‘Faço coisas sem sentido’”, comenta.

TDPM exige tratamento para não se tornar problema mais grave, afirma Carmita Abdo. “Não tratada, pode evoluir para uma depressão não mais cíclica, mas crônica”, diz (Foto: Divulgação)

TRATAMENTO
O TDPM é hoje considerado uma forma de depressão, e por isso seu tratamento combina o uso de antidepressivos – administrados de forma contínua, e não apenas na fase pré-menstrual – e a psicoterapia. “Com ela, a mulher aprende a ter recursos para lidar com sua depressão”, afirma Carmita.

O acompanhamento, segundo ela, deve durar ao menos 12 ciclos, ou cerca de um ano. “Depois disso se faz uma avaliação para ver se há necessidade de se continuar por alguns meses, a depender do caso”.

O tratamento é essencial, segundo Carmita, para evitar agravamento do quadro depressivo. “A TDPM não tratada pode evoluir para uma depressão não mais cíclica, mas crônica, que acomete a mulher o tempo todo”, alerta ela, que orienta as mulheres a buscar a ajuda de um especialista – deixando de lado qualquer receio caso seja encaminhada a um psiquiatra.

“O que ela deve entender”, afirma a especialista, “é que ele é o profissional que cuida da depressão. E a TDPM é uma depressão”.

BOX: Predisposição à depressão deve sinalizar alerta

Mulheres com predisposição genética à depressão, explica Carmita Abdo, são mais propensas a sofrer com os sintomas do TDPM. Isso porque a oscilação hormonal comum do período reprodutivo feminino se soma à maior inclinação a reagir de forma negativa a estímulos do cotidiano e, assim, entrar no ciclo depressivo.

“As mulheres sempre terão essa oscilação, seja pelo ciclo menstrual, puerpério, climatério ou pela entrada na menopausa”, diz a estudiosa.

Devido ao fator genético, casos de depressão ou TDPM numa família podem servir de alerta. “É importante sempre ir além da pessoa que procura o tratamento, avaliando se não há outra mulher na família que apresenta sintomas iniciais”, recomenda Carmita.

“Mesmo porque, quanto mais cedo o tratamento, mais fácil é resgatar a pessoa da condição”.

SAIBA MAIS

No mundo
De 3% a 8% das mulheres em período reprodutivo sofrem de TDPM. A título de comparação, a TPM afeta dois terços da população feminina mundial.

Transtorno
Os sintomas do transtorno começam a aparecer de forma difusa alguns anos após o início da menstruação, dos 16 aos 20 anos. Com o tempo, passam a ser mais intensos e evidentes.

Mais expostas
Mulheres com condição de vida mais precária, com menor acesso à educação ou a serviços de saúde, são mais expostas ao problema.

* O jornalista viajou a convite da Associação Brasileira de Psiquiatria

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