Sexta-feira, 26 de Abril de 2019
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Fotos: Gabriel Uchida
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ENTREVISTA

Fotógrafo, jornalista e ativista fala sobre experiência de dois anos na Amazônia

Morando há dois anos em uma base em Rondônia, Gabriel Uchida passou a transmitir a vivência em meio aos indígenas não mais apenas por suas lentes, mas também pelos seus textos na coluna mensal da VICE Brasil


04/06/2018 às 15:44

Com um trabalho híbrido de jornalismo, fotografia e ativismo, Gabriel Uchida, de 31 anos, nascido no interior de São Paulo, em Valinhos, já viajou o mundo com sua câmera em mãos. Mais do que carimbos no passaporte, o artista coleciona experiências de suas passagens por locais como Argentina, EUA, França, Áustria, Inglaterra, Itália, África, entre outros destinos. 

Como diz o ditado “o bom filho a casa torna”, Uchida conta que, durante a estadia em Buenos Aires, sentiu vontade de voltar ao Brasil e assim o fez. O momento mostrou-se a oportunidade perfeita para conhecer um pouco mais do Norte e Nordeste, regiões até então não desbravadas por ele. Foi então que, no meio da Floresta Amazônia, o paulista se encontrou. 

Morando há dois anos em uma base em Rondônia, Uchida passou a transmitir a vivência em meio aos indígenas não mais apenas por suas lentes, mas também pelos seus textos na coluna mensal da VICE Brasil. Com o nome de “Tretas Amazônicas”, Uchida estreou sua coluna no mês passado com um texto sobre indígenas feministas e a promessa é de que os próximos meses tragam temas tão polêmicos quanto. 

Na entrevista exclusiva a seguir, o fotógrafo, jornalista e ativista conta com detalhes como tem sido essa experiência e o que esperar dos anos futuros na Amazônia. Confira:

Como surgiu a ideia para escrever uma coluna sobre a Amazônia?

Uma das minhas experiências mais legais foi ficar um mês em uma tribo isolada na África. Foi uma experiência rica. Queria ter essa sensação de novo e também queria voltar para o Brasil. Como não conhecia nada do Norte e tinha interesse em conhecer a Amazônia, decidi vir. Vim inicialmente para sentir como era, ficaria de dois a quatro meses, e já estou aqui há dois anos. O que encontrei, por mais que já tivesse viajado muito, foi o lugar mais diferente e difícil que já passei até hoje. Por ser tão diferente, foi o lugar que me deu mais curiosidade de querer ficar. 

Por que você considera o lugar mais difícil pelo qual já passou?

Essas viagens, essas distâncias, são muito cruéis e são caras, fora o desgaste físico. Uma semana no mato já é bem cansativo, mesmo com o contraponto da riqueza de aprendizado. Por conta das distâncias, viajar pela Amazônia é muito difícil, a nossa malha aérea é muito pobre. Por rio e por estrada é igualmente difícil. 

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Com todas essas dificuldades, o que ainda te faz querer ficar?

Por incrível que pareça a minha ideia é ficar por, pelo menos, mais dois anos, o que pode soar meio louco. A coluna não tem prazo para acabar, então eu fico porque eu gosto. A Amazônia brasileira pra jornalista é um prato cheio. Tem muita história boa pouco explorada, é muita coisa acontecendo no interior e pouca cobertura por conta das dificuldades. Dois anos na Amazônia valem mais que quatro na faculdade. 

Nesses dois anos na Amazônia, o que mais te chamou a atenção?

O povo em si. Em especial, as crianças. Não tenho filhos, mas sou apaixonado por elas. Elas têm uma pureza que permite a gente se comunicar, mesmo não falando a mesma língua. Enfim, a vivência com eles me deixou fascinado. Porque é muito louco isso. Temos cerca de 300 povos indígenas no Brasil hoje e a gente conhece muito pouco. O que a gente conhece é aquilo clichê que aprendemos na escola e que, na real, é muito distante do que existe de fato. Conhecer um pouco dessas culturas, ressaltando que cada uma delas é diferente entre si, está sendo muito interessante. A diversidade entre eles vai desde a estrutura de pensamento até as propostas de organização social e econômica que eles têm. 

Por conta da comunicação, como é se relacionar com os diferentes povos indígenas?

Sempre busco voltar nos lugares que passei, para criar uma relação mais sólida e não ser só aquela coisa de aparecer, fazer meu trabalho e sumir. É um trabalho que se caracteriza pela imersão, na busca de um contato mais profundo.  Nesse meio tempo, já conheci comunidades ribeirinhas, quilombolas, aldeias indígenas, etc, e todos foram experiências que te explodem a cabeça e abrem teu coração para um mundo novo. 

Falando na coluna, o que podemos esperar dos próximos textos?

Garimpos ilegais é um dos temas que tenho estudado, pesquisado. É algo complicado. A Amazônia é muito rica em vários sentidos, história, cultura, minérios, natureza, etc. Para o homem branco, o dinheiro é o mais importante. A nossa sociedade não consegue ver a beleza natural, não consegue colocar na balança e distinguir que isso é mais importante.

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