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Francês retrata ‘O Samba’ em documentário tendo o músico Martinho da Vila como inspiração

O documentário do diretor francês Georges Gachot se propõe a buscar as raízes do gênero musical a partir da perspectiva de quem o faz, sendo Martinho da Vila o grande 'guia' do projeto 02/10/2014 às 13:37
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No filme Martinho da Vila conta histórias de sua escola do coração, a Vila Isabel, dá detalhes das inspirações de diversos sambas, numa narrativa pessoal e despretensiosa
loyana camelo* ---

A capital carioca é, literal e metaforicamente falando, uma cidade de cinema. E durante três semanas (de 24 e setembro a 8 de outubro), torna-se ainda mais imersa no universo da sétima arte a partir da programação do Festival do Rio 2014, que acontece em diversos pontos da cidade, com a exibição de 350 filmes, debates, workshops e o envolvimento de muita gente do meio.

Na noite da última terça, 30, o destaque foi a estreia de “O Samba”, documentário do diretor francês Georges Gachot e que contou com a presença do mesmo, de Martinho da Vila, Mart’nália, Beth Carvalho e convidados.

“O Samba”, de 82 minutos, se propõe a buscar as raízes do gênero musical a partir da perspectiva de quem o faz, sendo Martinho da Vila o grande guia do documentário. O cantor conta histórias de sua escola do coração, a Vila Isabel, dá detalhes das inspirações de diversos sambas que compôs (tanto para a escola, como para a carreira em geral), numa narrativa pessoal e despretensiosa. Leva inclusive o espectador para conhecer o seu sítio, onde até as pitombeiras, cuidadas com tanto carinho, também ganham espaço em suas músicas.

Georges Gachot conheceu Martinho por meio do CD “Martinho Canta Noel” (uma homenagem a Noel Rosa), que ganhou de uma amiga. Até então sem intimidade com a cultura brasileira, o cineasta imaginou que fossem músicas relacionadas ao Natal, mas ao ouvir o disco, se surpreendeu.

“Foi uma descoberta do que o samba poderia ser. Tem poesia, melodia, arranjos incríveis”. Depois veio a conhecer Mart’nália – a filha do cantor – durante a participação dela em outro documentário de Gachot sobre Nana Caymmi. Pediu para ser apresentado ao pai dela e ali em 2010 iniciaram uma amizade, que levou à ideia de “O Samba”. “O Martinho o talvez seja o último sambista clássico, super romântico. Para mim algumas canções de samba podem ser monótonas, mas a diversidade de Martinho traz um lado do samba que eu acredito que interesse a todo o mundo, não apenas a quem é brasileiro”, conta Gachot, fazendo questão de frisar que a simpatia do cantor brasileiro também foi fundamental.

PERSONIFICAÇÃO

A extensa participação de Martinho em detrimento de outros personagens (Ney Matogrosso aparece rapidamente, bem como Mart’nália e Leci Brandão) poderia parecer forçada, no entanto, o carisma do cantor e o seu envolvimento emocional com a Vila Isabel são tão grandes que suplantam um possível cansaço. Martinho entende de samba, da história, das raízes. E é um expoente do ritmo em todo o Brasil. Vai além: é como se ele fosse a personificação do próprio samba.

“Não quis fazer uma história completa do samba. Eu também poderia ter escolhido outra pessoa não muito famosa pra falar da importância do samba. Mas o Martinho sabe e sente muita coisa”, afirma Gachot.

Ademais, mesmo sendo gringo, Gachot não deixou se deslumbrar pelo brilho glamouroso do Carnaval – atrizes como rainhas de bateria, camarotes cheios de famosos e toda a ostentação da festa. Do contrário, há espaço de sobra para imagens de bastidores de passistas comuns, a paixão do mestre de bateria e até pessoas do morro caindo no samba.

“Eu não queria mostrar o carnaval como a coisa mais importante do samba. Nunca estive e não quero entrar num camarote VIP, por exemplo. Para mim, o mais importante no filme era mostrar as pessoas que fazem”. Porque para Gachot, o samba é uma expressão social. “Esse ritmo é uma arte que salva as pessoas, pessoas que têm problemas. Ninguém sabe disso fora do Brasil. O samba é um grito social”, encerra.

*A jornalista viajou a convite do Oi Futuro.

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