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‘Fridamania’: artista mexicana está por todos os lados

Figura marcante da mexicana Frida Kahlo tem dominado a cultura e inspirado desde objetos de decoração e acessórios até coleções de moda mundo a fora 27/10/2015 às 11:52 - Atualizado em 16/12/2015 às 13:45
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Não é de hoje que esta mulher tem fascinado o imaginário de artistas e despertado o interesse das pessoas (Divulgação)
Artur César

Por: Artur César

Email: artur@acritica.com

Basta um pouco mais de atenção para perceber que ela está entre nós. A figura marcante da mexicana Frida Kahlo tem dominado a cultura e inspirado desde objetos de decoração e acessórios até coleções de moda mundo a fora. Não é de hoje que esta mulher tem fascinado o imaginário de artistas e despertado o interesse das pessoas. Mas por que ela é tão especial? A resposta está na sua própria história.

Autêntica, Frida usou a moda e a arte para superar suas dificuldades físicas. Aos seis anos contraiu poliomielite e ficou manca, por isso passou a adotar calças e saias longas, uma de suas marcas. Aos 18 anos sofreu um grave acidente ficando meses entre a vida e a morte. Durante a convalescência começou a pintar.

“Frida Kahlo hoje é uma marca, construída pela própria ao longo de sua vida, não que seu objetivo fosse este, mas as próprias circunstâncias levaram a deixar seu nome na história contemporânea”, explica a designer de moda Lenice Rabelo. “Seu fascínio vem da sua alma. Mesmo alguém que não saiba seu nome não fica indiferente diante de sua exuberante imagem. Sua alma é eterna!”, completa Lenice, que escreveu sobre a influência de Frida e Chanel em seu trabalho de conclusão de curso.

“Para mim o elemento que ainda a deixa em evidência é a sua própria imagem, retratada, pintada por dezenas de vezes em seus quadros, estampando suas emoções, seus sofrimentos, sua alma a procura de liberdade. Ela mesma deixou escrito: ‘Pinto a mim mesma, porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor’”, destaca Lenice.

Este ano, são mais de dez exposições sobre seu legado no mundo. Em novembro o Jardim Botânico de Nova York sedia “Frida Kahlo: Art, Garden & Life”, que revela a relação da artista com a natureza e tem patrocínio de Carolina Herrera.

Algumas de suas obras estão atualmente expostas no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. A exposição “Frida Kahlo – Conexões entre Mulheres Surrealistas no México”, aberta no último dia 27 de setembro, funcionará até 10 de janeiro de 2016. Foi lá que a marca Arezzo, apoiadora oficial da exposição, armou esta semana o lançamento oficial de sua coleção cápsula que faz referência a ela. Aqui, as flores, uma paixão na arte e também presentes no estilo e universo de Frida, ganham destaque.

Sempre fashion

A moda é um reduto em que a figura de Frida está sempre circulando. John Galliano, Jean Paul Gaultier, Christian Lacroix, Maria Grazia Chiuri e Pier Paolo Piccioli - grife Valentino, Alexandre Herchcovitch e Patrícia Bonaldi, por exemplo, já beberam dessa fonte, lembra Lenice.

“Ela é uma referência atemporal, uma mulher forte, uma personalidade incomum, autêntica. Esteticamente, era colorida, romântica, étnica”, declarou recentemente a diretora de estilo da Farm, Kátia Barros, em entrevista à Folha de S.Paulo. A marca se inspirou na pintora para fazer a sua última coleção de verão.

Criado intencionalmente para esconder as deficiências físicas, a artista utilizava vestimentas típicas mexicanas, principalmente da região de Tehuana, região natal de sua mãe, conhecidos como trajes de Tehuantepec, para compor seus looks. Quanto mais incapacitada ela se via, mais elaborados eram os seus vestidos. Chegou a adornar sua perna ortopédica com uma bota coberta de bordado chinês e pequenos sinos.

O escritor Carlos Fuentes relembra em um de seus relatos que as entradas de Frida Kahlo no teatro municipal sempre eram um acontecimento. As muitas pulseiras, brincos e adereços que sempre usava faziam um som característico que logo a identificava.

Seu comportamento único e sua superação diante de tantos problemas a transformaram em um símbolo que vai além da arte, já escreveu Brisa Libardi. “Uma mulher que enfrentou seus medos e que teve, em sua desgraça, sua maior contemplação”. 

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