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Gêmeos adaptam ‘Dois Irmãos’ de Milton Hatoum para HQ

A obra, que sai no Brasil pela Companhia das Letras e em outros três idiomas até o fim do ano, já está disponível em Manaus na Banca do Largo 14/03/2015 às 15:18
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Os irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon produzem HQs para o mercado brasileiro e internacional há duas décadas
rosiel mendonça ---

Era terça-feira, 10 de março, e os minutos avançavam após as 20h. O quadrinista Gabriel Bá postou numa rede social: “Milton acabou de ligar. Adorou o livro. Felicidade”. A chamada tinha vindo do escritor amazonense Milton Hatoum, autor do best-seller “Dois Irmãos”, adaptado para o formato de história em quadrinhos por Bá e o irmão gêmeo dele, Fábio Moon, ao longo dos últimos quatro anos.

A obra, que sai no Brasil pela Companhia das Letras e em outros três idiomas até o fim do ano, já está disponível em Manaus na Banca do Largo. Na próxima semana, eles lançam a edição francesa no Salão do Livro de Paris, onde participam de uma mesa de debate com Hatoum, e em outras quatro cidades do País. O evento de lançamento e sessão de autógrafos em Manaus ainda será divulgado.

Bá se refere a “Dois Irmãos” como o marco de uma nova fase na carreira dele e de Moon. “Pela primeira vez articulamos edições em outros idiomas antes mesmo de o livro ficar pronto. Com certeza o sucesso de ‘Daytripper’ possibilitou esse interesse”, afirma Gabriel, referindo-se ao livro de 2011 que estreou em primeiro lugar na lista de mais vendidos do NY Times, já foi publicado em doze idiomas e rendeu aos irmãos os principais prêmios do universo HQ.

Os quadrinistas trabalham na adaptação do livro de Hatoum desde 2010, mas o processo só começou a engrenar cerca de dois anos depois. “O desafio para nós era conseguir transpor para os quadrinhos a história complexa e intensa do romance, que vai e volta no tempo muitas vezes de maneira não linear. Isso é um dos chames e qualidades do texto do Milton”, descreve Moon.

A Manaus dos gêmeos

“Dois Irmãos” conta a história dos gêmeos Omar e Yaqub e tem como cenário a Manaus do início e meados do século 20, com sua “mistura de gente e aparências” caboclas e estrangeiras, como escreveu o autor. Para Bá, esse contexto difere de tudo que eles fizeram anteriormente – histórias mais cosmopolitas e contemporâneas.

“Essa uma saga familiar, e nós gostamos de histórias cotidianas. Esse projeto era uma chance de tratar de uma realidade desconhecida por boa parte do público brasileiro. Mesmo que o romance já existisse, era uma forma de contarmos a história do nosso jeito”, diz ele.

Nesse caminho, eles beberam em muitas fontes: de conversas com Hatoum a observações in loco, como a que eles fizeram em 2011, quando passaram uma semana em Manaus. Na Internet, uma referência foi a página “Manaus de Antigamente” no Facebook, que ajudou os quadrinistas a apreender a atmosfera e os contornos da capital naquela época.

Relatos

Isso e muito mais Gabriel vem contando desde fevereiro, no Blog da Companhia, que o convidou para relatar os bastidores da adaptação. Em textos semanais, ele deu verdadeiras aulas de quadrinismo e contou curiosidades do processo, como quando eles erraram a mão no visual de Zana, a mãe superprotetora de Omar e Yaqub.

“O envolvimento do Milton foi crucial nesse ponto. Tínhamos ela na cabeça sensual como uma cigana, mas para ele a Zana era uma mulher elegante. Isso nos apontou o caminho certo. Era muito bom encontrá-lo e ver a reação dele quando via a transformação das palavras em imagens”, completa Bá, que diz ter aprendido com o amazonense a ser paciente e caminhar junto com a história do romance.

Emoção que não freia

Para quem segue Gabriel Bá no Facebook, chega a ser contagiante o carinho com que ele compartilha cada fato novo em relação a “Dois Irmãos”. Então a reportagem pergunta se é sempre assim a cada trabalho ou esse teve um significado especial para os gêmeos.

“Todo trabalho dá um frio na barriga, mas principalmente esse porque a gente gastou muito tempo com ele. É como se fosse um parto, ficou muito tempo ali gestando. Ficamos super ansiosos e só vem o alívio quando o livro está pronto mesmo”, responde Bá.

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