Quinta-feira, 18 de Abril de 2019
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Vida

Genes podem ser aliados na hora de escolher a dieta mais adequada

Testes genéticos já disponíveis na atualidade permitem traçar perfil nutricional individual e criar regimes sob medida para cada pessoa


15/01/2016 às 16:26

Numa época em que dietas surgem e desaparecem tão rapidamente como as tendências no mundo da moda, escolher um regime alimentar para perder peso ou ter mais saúde pode ser uma tarefa penosa. A boa notícia é que atualmente se conhece um aliado importante na busca pela boa nutrição, e ele está dentro de você – mais exatamente, nos seus genes.

Por meio de perfis genéticos, hoje é possível saber, por exemplo, se uma pessoa tem predisposição à obesidade e como seu organismo assimila diferentes tipos de nutriente, tornando possível definir as estratégias alimentares mais adequadas para ela.

O mapeamento genético já é oferecido em clínicas brasileiras e requer a coleta de apenas um pouco de saliva do paciente. Os resultados, por sua vez, vão informar como o seu organismo processa diferentes tipos de macronutrientes (carboidratos, gorduras e proteínas) e micronutrientes (vitaminas e sais minerais).

“Eles mostram se uma pessoa assimila bem ou mal alimentos como ômega 3, gordura, glúten, lactose, certos carboidratos. Dizem a que vitaminas ou minerais ela deve dar mais atenção, e até como ela absorve a cafeína. É um laudo bem extenso, e com ele o endocrinologista, nutrólogo ou nutricionista vão prescrever uma dieta mais apropriada”, explica o endocrinologista Filippo Pedrinola, que tem clínica em São Paulo.

A tecnologia, comenta ele, deu origem ao conceito de Medicina Individualizada. “É usar a tecnologia da medicina atual para oferecer ao paciente uma orientação individual”.

Da mesa à academia

O perfil dos genes permite saber também como determinada pessoa tende a se relacionar com o alimento e como funciona o seu metabolismo.

“(Ele) pode indicar mutações que favoreçam a obesidade e doenças relacionadas, a compulsão alimentar e ainda a capacidade de quebra de gordura de cada organismo”, diz Caroline Frota, médica ortomolecular que atende em Manaus e no Rio de Janeiro.

“Por meio dos resultados, é possível entender o motivo de algumas pessoas comerem pouco ou praticarem atividade física regular, e ainda assim apresentarem sobrepeso ou obesidade”.

Para quem se preocupa com a balança, outro dado interessante “escrito” nos genes são os tipos de exercício mais indicados para o indivíduo, o que torna possível formular programas de treinamento específicos.

“Isso permite potencializar de maneira efetiva os resultados na prática esportiva e no condicionamento físico”, afirma Caroline.

Ainda em estudo hoje, a farmacogenômica promete dados promissores também no terreno do controle de peso, como informa Pedrinola.

“Hoje está se estudando a resposta de um organismo a diferentes medicamentos. Com isso se poderá evitar uma terapia ou outra, e escolher a mais eficaz”, diz.

Além do peso

Seguir uma dieta baseada no seu perfil genético pode contribuir não apenas para a perda de peso, mas para o ganho em qualidade de vida.

“Isso impacta diretamente na geração de energia, na disposição, na saúde do intestino e do organismo, e na prevenção de doenças”, destaca Pedrinola.

“Além de ajudar no emagrecimento, ter um plano com base nas suas características genéticas também promete melhorar a saúde de forma geral”, corrobora Caroline. “Afinal, você realmente é  o que você come”.

Tecnologia do Projeto Genoma

A tecnologia que tornou possível obter o perfil nutricional e outras informações a partir do código genético foi desenvolvida como resultado do Projeto Genoma Humano. Em 2003, a iniciativa internacional concluio o sequenciamento de 99% dos genes que codificam as proteínas do corpo humano.

“A partir dele se estudou de que forma os alimentos podem influenciar nossos genes, e como a genética influi na assimilação dos alimentos. Vários genes ligados à digestibilidade e à assimilação de alimentos foram avaliados, e esses perfis fornecem indicações para que médicos consigam sugerir dietas baseadas no DNA de cada um”, comenta Filippo Pedrinola.

E as informações reveladas a partir do mapeamento genético não se restringem a predisposições alimentares ou a indicações de exercícios físicos mais efetivos. Testes disponíveis hoje no Brasil podem traçar perfis hormonais e informar a predisposição para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, de diabetes, do mal de Alzheimer e até de alguns tipos de câncer, como o de mama ou de pulmão.

Os laudos permitem ao paciente adotar condutas para prevenção ou controle das doenças.

Outros testes avaliam fatores relativos à saúde da pele, como a predisposição maior ou menor a rugas, a danos por radicais livres ou mesmo aos efeitos da radiação solar.

Intolerância alimentar

Outro emprego comum do mapeamento genético é o teste de intolerância alimentar – condição na qual determi- nados alimentos mau digeridos desencadeiam respostas imunológicas, com reações adversas para o organismo. Estima-se que cerca de 40% a 45% da população apresentam sinais ou sintomas ligados ao problema.

“A boa notícia é que, identificando estes alimentos ‘problemáticos’ e eliminando-os temporariamente da dieta, recuperarmos a mucosa e microbiota intestinal, resultando em melhorias e desaparecimento dos sinais e sintomas”, destaca Caroline Frota.

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