Terça-feira, 21 de Maio de 2019
DANÇA

Giselle Jardim: Dos primeiros passos na dança à ida para a Itália

Bailarina amazonense sai de Manaus em busca de crescimento internacional na profissão



cgdfv.JPG
(Foto: Divulgação)
16/04/2018 às 14:53

Aos 24 anos, a manauara Giselle Jardim já dedicou mais da metade de sua vida à dança. Após passar quatro anos no Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas (BECDA), onde pôde trabalhar com grandes espetáculos, a exemplo de “Carmen Suite” e “Tannhauser”, a jovem bailarina decidiu dar um salto ainda maior e, nas palavras dela, “começar uma vida do zero na Europa”.

Morando desde o início deste ano em Torino, comuna italiana, capital e maior cidade da região do Piemonte, Giselle afirma que os últimos três meses não foram fáceis, mas que lhe serviram para buscar uma independência profissional, conhecer pessoas novas, se aperfeiçoar no seu ofício e, acima de tudo, rever tudo o que sabe sobre dança. Ao BEM VIVER, a artista fala, com exclusividade, sobre seu trabalho, trajetória e planos para o futuro.

Como a dança entrou na sua vida? Você teve incentivo dos pais?

Meu primeiro contato com a dança foi aos sete anos e não foi por escolha própria. Na época do Ensino Fundamental nós tínhamos aulas obrigatórias de Educação Física e, como eu não me dava bem, vi na dança uma alternativa. Apesar de não ter gostado de início, isso me ofereceu uma oportunidade de me identificar e de me aperfeiçoar no futuro. Dos 7 aos 12 anos, dancei de forma recreativa, já aos 13 pensei em novas possibilidades e procurei uma maior especialização, fui então buscar esse aprimoramento na escola Centro de Movimento Arnaldo Peduto, que na época era uma referência local e nacional pelo nível técnico dos professores. Lá, ao fazer aulas de balé clássico, jazz e dança contemporânea, encontrei um caminho a seguir.

Qual a importância deste primeiro contato profissional com a dança para você?

Eu considero essa fase uma das mais marcantes da minha vida, uma das escolhas mais importantes que fiz. Porque até então eu não tinha noção do que seria uma dança profissional, uma especialização. Foi importante também porque com isso vieram as viagens e as premiações nacionais. 

Em que momento você entrou para o BECDA?

Depois do Centro de Movimento, passei por outras escolas, como o Casarão de Dança e Studio Arte 21. Finalmente, em 2013, entrei para o BECDA, quando a SEC lançou um edital do novo corpo artístico, que tinha como formato um ciclo de estudos para jovens de 15 a 22 anos e oferecia uma bolsa e uma capacitação técnica pré-profissional.  

Como você avalia seus anos junto ao corpo artístico?

Foram quatro anos de muito aprendizado. O balé experimental foi muito importante para mim enquanto formação artística e profissional. Porque lá dentro eu pude compreender melhor qual o nosso papel como artista e comunicador e quão relevante pode ser o seu discurso social e político. Isso é algo que vou levar para o resto da vida. Também pela proximidade que a gente tinha com os bailarinos do CDA, podíamos vivenciar uma rotina profissional e também ter um parâmetro de como nos inserir nesse mercado profissionalmente.

Dos espetáculos que você apresentou, qual mais lhe marcou?

Dentre as muitas obras que me foram importantes, como “Carmen Suite”, que foi a nossa estreia no Festival Amazonas de Ópera, e “Petrushka”, montado junto com a Orquestra Filarmônica, a mais significativa foi “Plutão já foi Planeta”, especialmente montada para o nosso balé experimental, que circulou pela cidade em 2017 e 2018. Com ela, pudemos acompanhar o processo de gestação, ideias, conceitos e indagações junto com o coreógrafo. Foi algo pessoal e intimista. 

O que te levou a deixar sua carreira aqui para investir no mercado internacional?

Em 2017, tive meu primeiro contato com o cenário internacional da dança. Viajei para Israel e passei um mês fazendo um curso intensivo no centro de residência Suzanne Dellal Center, de uma linguagem que se chama Gaga. Depois disso comecei a enxergar um mundo de possibilidades e, no começo de 2018, me mudei para a Europa. A ideia era justamente buscar uma independência profissional, fazer um networking, me aperfeiçoar e tentar me inserir no mercado de trabalho.

Quais são seus planos a curto prazo para a vida na Europa?

A temporada de seleções acontece somente no começo do ano, mas agora em julho vou para a Malásia participar de uma capacitação profissional em Kuala Lumpur. Ao final dela teremos uma performance de apresentação por lá com outros profissionais da Europa. Além disso, tenho viajado pelo Leste Europeu e acabei de participar de uma audição em Viena. Agora é aguardar o melhor.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.